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    Pets - A Vida Secreta dos Bichos 2
    Críticas AdoroCinema
    3,0
    Legal
    Pets - A Vida Secreta dos Bichos 2

    Vida animal

    por Francisco Russo
    Com uma dezena de filmes já lançados, é fácil notar o perfil das animações produzidas pela Illumination. Sempre com personagens cativantes e fofos, há uma busca intencional por gags rápidas que provoquem o riso fácil, muitas vezes através de trapalhadas decorrentes do humor físico ou mesmo da correria desenfreada dos protagonistas, mesmo que isto resulte em uma narrativa mal desenvolvida. A agora franquia Pets não foge à regra, por mais que a sequência atenue algumas de suas características originais.


    Se o primeiro filme buscava trazer o olhar animal quando seus donos não estavam por perto, aqui a proposta muda um pouco de enfoque ao diminuir (ainda mais) a relevância da existência dos próprios humanos. Basta notar a sequência inicial, que apresenta o trinômio paixão/morar junto/engravidar apenas como justificativa (rápida) para a inserção de um bebê na casa dos cães Max e Duke. Se o tal garoto tem importância, por dialogar com o universo dos cães em sua ingenuidade, os adultos são completamente escanteados em todos os demais momentos. Por um lado tal iniciativa dá aos animais autonomia absoluta para agir com quiser, por outro praticamente elimina a proposta deles terem que se ocultar perante seus donos - algo meio parecido com os brinquedos de Toy Story, por assim dizer - em busca de uma dinâmica que explore a questão das diferenças entre viver na cidade grande ou no campo, sob a ótica dos animais.

    Dito isso, é importante ressaltar a habilidade dos animadores e do próprio roteiro em capturar reações tão particulares de cães e gatos, o que assegura a afeição imediata de quem tem, ou teve, algum animal de estimação. A sequência que transforma o estranhamento inicial de Max à chegada de um bebê ao nascimento de um instinto de proteção intrínseco ao novo ser é de uma delicadeza e perspicácia tocantes, facilmente identificada por todos que já passaram pela situação. O mesmo vale para o divertidíssimo modo de ser de Chloe, em sua felina indiferença por tudo que acontece ao redor.


    Infelizmente, tais momentos são ocasionais. Ao se dividir em três subtramas intercaladas, Pets 2 logo assume o modo velocidade máxima para seus personagens principais, de forma que não haja muito tempo de respiro nem para que a narrativa seja melhor trabalhada. Mais uma vez piadas rápidas em historietas breves são valorizadas, trazendo as desventuras de Max no campo, Bola de Neve no modo super-herói e Gigi se travestindo de gato para resgatar uma bolinha de borracha. Todas leves e descontraídas, até com bons momentos, mas sem a força necessária para manter a atenção - e a coesão - em um longa-metragem, mesmo um que conte com apenas 86 minutos. Isso sem falar na completa inutilidade de Duke para a narrativa como um todo.

    Por mais que funcione como entretenimento fácil aos menores, Pets 2 pouco oferece para resistir ao tempo além de sua própria exibição. Aos adultos, há as breves citações a ícones da cultura pop, como a trilha sonora de Superman e uma fala que remete aos Superamigos, além da já habitual inserção de "Garota de Ipanema" como música de elevador.
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