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    The Square - A Arte da Discórdia
    Críticas AdoroCinema
    4,5
    Ótimo
    The Square - A Arte da Discórdia

    A elite confrontada

    por Francisco Russo
    Não é de hoje que o diretor Ruben Östlund tem um apreço especial em esmiuçar como seria a reação humana em situações extremas. Se no excelente Força Maior toda a trama gira em torno da fuga desabalada de um homem diante da iminência de uma avalanche, abandonando a família à própria sorte, em The Square o diretor aborda o mesmo desconforto de forma mais amena, através do humor. A começar por uma questão polêmica: o valor da arte contemporânea.

    The Square - FotoHá em The Square um profundo sarcasmo em relação ao lado hermético existente na arte contemporânea, seja pelo esdrúxulo de certas instalações ou pelo tom arrogante e indecifrável das descrições apresentadas. Por mais que a simples significação de um objeto já seja suficiente para torná-lo arte, Östlund no fundo deseja explorar o ambiente pomposo em torno do X-Royal Museum para não só apresentar, mas também questionar a elite intelectual. Especialmente através do curador deste mesmo museu, o individualista Christian, interpretado com competência por Claes Bang.

    Seja a partir de provocações sobre o significado das obras que tanto defende ou de seus próprios atos, Christian é seguidamente confrontado em uma série de situações incômodas, apresentadas com extrema habilidade por Östlund graças ao uso de diversos coadjuvantes marcantes. Do garoto invocado ao espectador com síndrome de Tourette, o diretor passeia por personagens inusitados que, cada um a seu modo, cutucam o status quo através de um humor ácido e, por vezes, até mesmo vulgar. O mesmo acontece quando a história investe no lado mais pessoal de seu personagem central, especialmente na insólita disputa por uma camisinha usada com a neurótica (e ótima!) Elisabeth Moss.

    The Square - FotoEntretanto, nenhuma sequência de The Square consegue ser tão magnética quanto a estrelada pelo homem-macaco. Em um jantar repleto de endinheirados, o museu apresenta uma performance altamente realista de um ser animalesco que, aos poucos, transforma-se da graça causada pelo espetáculo ao terror diante da ameaça velada. Tamanha reviravolta ganha uma tensão ainda maior graças à apresentação em plano-sequência, o que ressalta ainda mais a habilidade do diretor e também a excelência na performance executada por Terry Notary. Realmente impressionante.

    Repleto de cenas marcantes de imenso significado em relação aos dias atuais, como os encontros de Christian com um mendigo em suas eventuais aparições e o vídeo surreal apresentado por uma equipe dedicada a promover o museu através das redes sociais, The Square é um filme instigante pela forma como sua história é apresentada, sempre através do confronto que gera reflexão. Se por um lado isto traz uma certa irregularidade à narrativa, especialmente em sua meia hora inicial, ainda assim trata-se de um pequeno revés diante do tom provocador imposto por Östlund, que utiliza o humor com sabedoria para apontar posturas típicas da elite em relação ao individualismo e à auto-suficiência que beira (ou gera) arrogância. Ótimo filme.

    Filme visto no 70º Festival de Cannes, em maio de 2017.
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    Comentários

    • marta gardinalli
      este filme faz uma reflexão sobre temas bastante atuais: o que é arte? o direito de usar a propaganda e a Internet do jeito que você quer, a liberdade de expressão, enfim, temas super atuais, porém estas reflexões poderiam ser feitas através de um filme sem tantas viagens exdrúxulas. O filme é muito chato, só não saí da sala para ver onde ia dar aquela história cheia de maluquices.
    • Margarida Malheiro
      Gostei...um filme diferente...ao contrário do The Post
    • Walderson Gabriel Alves de Lim
      As tomadas feitas com a câmera parada enquanto os personagens se movem - e que, portanto, desaparecem de cena - não me agradam - teve uma hora que eu estava tão cansado disso que eu quase abandonei a sala. Que ideia mais infeliz teve o diretor.
    • Ana C.
      Não gostei. Por vezes é cansativo, chato... há momentos engraçados, outros reflexivos, mas que acabam por se perder numa desconexão dos fatos. As tomadas feitas com a câmera parada enquanto os personagens se movem - e que, portanto, desaparecem de cena - não me agradam. Trilha sonora sempre a mesma, independente do contexto.
    • Metrô Uber Cabify Ônibus
      Tamanha reviravolta ganha uma tensão ainda maior graças à apresentação em plano-sequência. A cena em questão NÃO É filmada em plano-sequência. Tem inúmeros cortes e closes. Será que o autor da crítica sabe o que é um plano-sequência?Em tempo: filme chato PRA CARALHO.
    • Edson A.
      As premissas são boas. Veremos...
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