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Tal Mãe, Tal Filha

Humor desperdiçado

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Eugène Green usou o lançamento de sua obra mais recente, o ótimo O Filho de Joseph, para criticar a produção cinematográfica de seu país. Segundo o realizador, as consequências da escala industrial do cinema francês atual são filmes sem identidade, esquemáticos, como que produzidos por um software. Pois Tal Mãe, Tal Filha sustenta essa tese não somente tendo a França como parâmetro, mas por ser comparável às comédias mais genéricas de Hollywood ou da Globo Filmes.

Tal Mãe, Tal Filha - FotoTal Mãe, Tal Filha aposta num humor bem simplório ao contar a história de Avril (Camille Cottin), uma mulher de 30 anos bem-sucedida, casada, responsável, que abriga em casa sua mãe e extremo oposto: Mado (Juliette Binoche), uma mulher sem emprego, sem perspectiva, sem juízo, como que sua idade mental tivesse sido interrompida ao ser abandonada pelo marido, aos 17 anos. Assim, se estabelece uma lógica de papéis trocados corrente na screwball comedy, baseada numa mãe jovial que masca chiclete, veste roupas de couro e empurra novas compras no carrinho de supermercado da filha — turrona, pouco vaidosa, que cobra mais responsabilidade da própria genitora.

Esse exemplo sintetiza a tendência de Noémie Saglio em banalizar a potência de seus filmes. Mado, Avril e todo o elenco são meras caricaturas, e poderiam ser radicalizadas de modo a Tal Mãe, Tal Filha funcionar como uma boa comédia de personagem. Mas, em seu primeiro trabalho solo como diretora e roteirista, a cineasta se mostra comedida, talvez insegura, nunca investe no absurdo e subaproveita sua própria ideia. Outro aspecto marcante em seu novo longa é o contraste, aspecto bem aproveitado nas cenas de jantar entre os pais de Avril, mais jovens e libertários, e a família conservadora de seu marido, o abobalhado Louis (Michaël Dichter). Porém, o humor de situação gerado nessas sequências nunca extrai o efeito da dupla cômica francesa "Vous Le Femmes", por exemplo, e justamente pela falta de ousadia da realizadora.

Tal Mãe, Tal Filha - FotoO desperdício é geral. Mais uma vez, Saglio cria uma história repleta de tabus tão mal desenvolvidos que promovem um desserviço. Sob sua aura de despretensão, Tal Mãe, Tal Filha trata o aborto com uma naturalidade provocante, o que é surpreendente, positivo e faz jus à história da comédia como elemento importante de contestação. Mais à frente, porém, Avril adotará uma postura excessivamente tradicionalista em relação à maternidade acidental de Mado, o que contradiz a abordagem inicial sensível à sua condição de mãe solteira e produz um desconforto inesperado. Algo semelhante acontece em seu filme anterior, Beijei Uma Garota, em que piadas questionáveis tratam a homossexualidade com ambiguidade e geram um constrangimento nocivo.

Assim, Noémie Saglio também perde a oportunidade de extrair o máximo do principal chamariz de Tal Mãe, Tal Filho: o elenco. Em sua terceira parceria com a diretora, a boa atriz Camille Cottin arrancou melhores risadas na abertura do Festival Varilux no Rio de Janeiro do que como Avril (que não cativa o suficiente em suas variações dramáticas). Conhecido por interpretar vilões, Lambert Wilson se diverte no papel de Marc, e isso é tão nítido que cativa. A grande estrela, Juliette Binoche não chega a arranhar a sua imagem, dado o seu incrível repertório, sua intimidade estupenda com a câmera. Porém, o seu talento foi mais bem empregado no farsesco Mistério na Costa Chanel, também recente, do que como a tola Mado.

Filme visto no Festival Varilux de Cinema Francês 2017.
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