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    As Golpistas
    Críticas AdoroCinema
    4,0
    Muito bom
    As Golpistas

    Furacões no pole dance

    por Barbara Demerov
    Amizade, boates de strip, crise na ecomomia e drogas. Um universo muito característico que, no cinema, poderia soar fantasioso ou distante demais. Porém, graças ao olhar da diretora Lorene Scafaria, ele ganha traços próprios e bastante identidade com a cidade de Nova Iorque como pano de fundo, aliado a uma gama de personagens que passeia pelo seu auge e também seu declínio. Por meio das memórias de Destiny (Constance Wu) em entrevista concedida à jornalista Elizabeth (Julia Stiles), As Golpistas consegue mesclar todos os pontos citados acima sem nunca tirar de vista que estamos falando de mulheres com o puro desejo de mudança, e não de strippers que querem apenas dinheiro.

    Para Destiny e sua "mentora" pessoal e profissional, Ramona (Jennifer Lopez), o mundo é uma boate de strip. E, com a mesma facilidade de quem joga dinheiro na passarela, elas sabem exatamente o que estão fazendo e que isso não se trata apenas de entretenimento. Com a ajuda de Ramona, expert e referência, Destiny aprende que o dinheiro não é tudo e a adaptação sempre se faz necessária. Como a história se passa antes e depois da crise econômica que abalou Wall Street em 2008, o longa aborda bem as nuances de tal cenário dentro da área stripper sem deixar de lado a verdadeira base do roteiro: o relacionamento entre as duas personagens.



    Além de nos apresentar muito bem o elenco principal, Scafaria tem plena percepção de que tudo o que está em cena importa e domina sem dificuldades o ritmo de seu filme. É uma experiência interessante percorrer pelas vidas de Destiny, Ramona e as demais mulheres com a noção de que todas ali possuem suas próprias vozes e questões internas, mas mesmo assim têm a intenção de resolver seus problemas juntas. Assim como a vontade de obter sucesso, a ideia de união também está presente a todo o momento - até mesmo quando a crise chega e leva alguns sonhos e ideias para debaixo do tapete.

    Mas, fora a forma de aproximação das personagens - feita majoritariamente com base em suas personalidades fora do palco -, é quando todas estão com suas roupas brilhantes e saltos altíssimos que é possível ver outros vislumbres das mesmas. Radiando carisma e presença dentro e fora da boate, Jennifer Lopez, quase que literalmente, rouba os holofotes de As Golpistas, sendo difícil identificar quando sua postura chama mais atenção (resultado de sua impressionante performance). Constance Wu acompanha o clarão de J. Lo com segurança e equilíbrio, como tempestade e calmaria em perfeita sintonia. Completando o time de mulheres que não cedem à pressão econômica, Keke PalmerLili ReinhartCardi B são gratos contrastes de alívio cômico.



    As cores vivas e fluorescentes de As Golpistas se chocam com a inércia na vida de mulheres que apenas querem cuidar de si mesmas e suas famílias sem deixar de lado o que as motiva. Não deixa de ser melancólico o fato de, no fim de cada golpe executado com homens riquíssimos em diferentes bares de Manhattan, observarmos que o brilho se esvai pouco a pouco - e há quem demonstre isso com mais detalhes ou quem resista à realidade batendo na porta. O desejo sempre foi para muito além do sexual, pois é o valor pessoal de cada golpe a verdadeira joia do grupo. O resto é uma prazerosa consequência.

    O espectador acompanha o inicio, o meio e o fim de cada intenção (boa ou má) de acordo com as vivências de cada mulher. Portanto, é difícil julgar - como a jornalista Elizabeth deixa claro em seu olhar inexato a Destiny ao longo de suas lembranças. O vai e vem da ótima montagem, que estabelece com clareza cada etapa do enredo, nos ajuda a entender que, por mais fácil que seja definir As Golpistas como a história de um grupo de mulheres que enganou homens, talvez o mais correto seja enxergar o longa como uma história sobre afeto e compreensão; elementos encontrados em um abraço sincero após uma decisão delicada, por exemplo. Aqui, a boate de strip é uma ilusão, pois o verdadeiro espetáculo acontece no que está nas entrelinhas - e todas elas são bem manifestadas sob a perspectiva feminina, a mais adequada possível.
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