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    Kursk - A Última Missão
    Críticas AdoroCinema
    2,5
    Regular
    Kursk - A Última Missão

    Questão de tempo

    por Rafael Aloi
    O tempo é um elemento fundamental em Kursk - A Última Missão, desde a primeira cena em que vemos o relógio de Mikhail Averin (Matthias Schoenaerts) submerso enquanto seu filho Misha (Artemiy Spiridonov) treina ficar sem respirar. Depois disso, o espectador é sempre lembrado desse conceito abstrato, seja pelo excesso de tempo para esperar um míssil ser lançado, ou a falta do mesmo para um resgate em que as autoridades demoram em agir. Porém, o tempo parece estar perdido no próprio filme, em um ritmo que parece nunca ser encontrado pelo seu diretor Thomas Vinterberg.

    O cineasta é conhecido por fundar junto com Lars Von Trier o movimento Dogma 95, que buscava um cinema mais real e menos comercial. Pode se dizer que Kursk é o primeiro blockbuster de Vinterberg, especialista em longas que exploram mais a natureza humana do que explosões e cenas de ação. Com o novo longa, ele mostra que tem a expertise necessária para comandar esse tipo de cena também. Mas talvez o problema aqui seja um desencontro do diretor com o roteiro escrito por Robert Rodat, este sim um especialista em blockbusters centrados em heróis homens e militares, com filmes como O PatriotaO Resgate do Soldado Ryan no currículo.

    Divulgação


    Baseado em fatos reais que aconteceram em 2000, cujo desfecho pode ser facilmente relembrado nas notícias da época, o longa contém três frentes narrativas. A primeira comandada pelo fictício marinheiro Mikhail preso com seus colegas no submarino naufragado; a segunda fica a cargo da esposa do personagem (interpretada de forma notável por Léa Seydoux), que junto com outros familiares está desesperada por informações que o governo russo nega em conceder; a última é justamente os comandantes russos sofrendo com a ineficiência e sucateamento do seu poderio militar e brigando por esconder esse vexame do mundo. É curioso observar a escolha da produção em não fazer qualquer menção ao presidente Vladimir Putin que também comandava o país naquela época.

    São três narrativas que já teriam força individualmente, seja como filme desastre, ou o drama e desespero familiar, ou mesmo o conflito político. Mas nenhuma parece ser aproveitada na potência que oferece, com o que acontece na superfície pouco se conectando com o que vemos lá embaixo. Um destaque fica com a sequência em que Mikhail e outro marinheiro precisam atravessar a nado um compartimento completamente submerso do submarino para buscar alguns cartuchos de oxigênio. Com uma fotografia claustrofóbica e a ausência de qualquer outro som, esta acaba por se tornar a cena mais tensa e envolvente do longa.

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    Assim como os comandantes russos, Kursk fica em um embaraço entre se entregar à ação ficcionalizada de um filme catástrofe ou explorar a profundidade dos sentimentos de todos os envolvidos. Um desencontro que cria um ritmo atravancado. Há uma promessa de um grande clímax empolgante e emocionante que parece nunca chegar, ainda mais em uma história em que praticamente todos já sabem como termina.
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