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4,0
Muito bom
Monsieur & Madame Adelman

Amar é...

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À primeira vista, Monsieur & Madame Adelman é um filme formulaico. No funeral do personagem-título, sua esposa é abordada por um jornalista que deseja escrever sobre o finado, um escritor renomado. O pulo do gato seria trazer sua história de vida a partir dos olhos de quem o acompanhou por 45 anos, desde quando ainda era um desconhecido. A picada da mosca azul faz com que ela aceite a proposta e, a partir de então, desvende as nuances do relacionamento em um imenso flashback.

Monsieur & Madame Adelman - FotoSe a proposta narrativa de alguém contando suas memórias a um jornalista é um artifício batido no cinema, vide Jackie e Entrevista Com o Vampiro, o trunfo deste filme dirigido e estrelado por Nicolas Bedos (o monsieur Adelman) é o olhar íntimo a partir do ponto de vista feminino, com seus anseios e frustrações. Aos poucos, os relatos da madame Adelman desvendam uma história de amor real, bem longe dos contos de fadas, onde é preciso lidar com egos, inseguranças e temores costumeiros no convívio diário entre gêneros distintos. É neste conflito e encontro constante que está a beleza do longa-metragem, pela proximidade do mundo cotidiano sem jamais idealizá-lo.

Dentro desta proposta, não é exagero dizer que Sarah Adelman é das personagens femininas mais complexas desvendadas pelo cinema nos últimos anos. Interpretada com extrema competência pela estreante (no cinema) Doria Tillier, trata-se de uma mulher com personalidade que não apenas sabe o que quer, mas também como se posicionar em ambientes desconfortáveis. Basta notar a demolidora cena do jantar em família, onde são expostos preconceitos de gênero e de classe social, sempre muito bem rebatidos. Entretanto, mais interessante ainda é acompanhar, no decorrer dos anos, como ela aprende a se portar de maneira cada vez mais subliminar, de forma a obter o que deseja sem que haja a necessidade de grandes arroubos. Trata-se da típica perspicácia feminina, aos poucos revelada pelo roteiro rumo a um desfecho apoteótico.

Nesta dinâmica íntima, é importante também ressaltar o modo como Victor Adelman (Bedos, também muito bem) é retratado, sob a ótica da persona masculina. A partir de cenas deliciosas com o psiquiatra pode-se desvendar questões profundas acerca de seu modo de pensar que, no fundo, tão bem representam o homem em geral em relação ao convívio com mulheres, em especial acerca do medo da castração e a necessidade de controle, ou de ter a sensação do controle. O mesmo vale para as reações exacerbadas a partir de momentos adversos, seja a partir de frustrações ou até de uma certa punição imposta a quem se ama.

Monsieur & Madame Adelman - FotoUm dos aspectos mais fascinantes de Monsieur & Madame Adelman é justamente este fundo psicológico e sociológico acerca de ambos os gêneros, trazido com extrema habilidade pelo roteiro escrito pela própria dupla de protagonistas. Carismáticos e envolventes, eles conseguem sempre prender a atenção a partir de situações inusitadas e triviais, alternando momentos de bom humor e de briga intensa, como é a própria vida. Entretanto, o roteiro possui também dois pontos negativos: a divisão em muitos capítulos, um exagero dispensável cujo peso acaba compensado pela edição ágil, e a forma como os filhos do casal são retratados, "esquecidos" em vários momentos. Por mais que o enfoque seja no relacionamento de ambos, o conveniente sumiço das crianças incomoda.

Entretanto, tais questões são menores em meio às qualidades do longa-metragem. Inteligente na ambientação e na forma como sua narrativa é desenvolvida, Monsieur & Madame Adelman também toca em duas questões polêmicas em seu desfecho, por mais que ambas sejam bem conceituadas. Um belo filme, de fundo feminista, que soube captar muito bem as peculiaridades de um relacionamento amoroso tão recheado de altos e baixos.
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