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O Diabo Mora Aqui
Média
2,9
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Michael K.
Michael K.

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3,0
Enviada em 31/07/16
Não existe dúvida que "O Diabo mora aqui" se demonstra, de uma certa maneira, como pioneiro no gênero de terror do cinema nacional. Sim, o enredo não foge dos clichês de classícos do gênero como "Sexta-Feira 13", onde somos apresentados onde dois casais de jovens vão passar um fim de semana em uma casa de campo (neste caso uma fazenda), sem supervisão adulta e acabam se deparando com o perigo supernatural. O roteiro não é lá grande coisa, em sua realidade, o filme perde muito com cenas desnecessarias e diálogos fracos, que não adicionam a história. O começo arrastado me deixou, para ser bem honesto, entendiado, não havia grande coisa para me puxar para dentro do universo. Porém, a criatividade e originalidade que realmente dão este filme o sabor que merece, se apresentam na edição ousada e em sua cinematografia inteligente. Filmes de terror nacionais são poucos, mas todos apresentam os mesmos erros que sempre me tiram do sério: Uma edição e cinematografia ordinária, que não dão nem se quer um pitada de estilo para o filme, parece mesmo uma formula entendiantemente sagrada. Mas, o time atrás das camêras não teve medo em apostar em uma edição agressiva, com cortes abruptos para nos amendrontar, uma coloração bizarra, com o uso excessivo (e maravilhoso) do vermelho, que não nos deixa tirar o olho da tela, e é claro, uma sincronia com a trilha sonora impecável, que transforma o filme em uma sinfônia nojenta e aterrorizante. A cinematografia também não deixa a desejar. O que realmente diferencia um shot ruim de um shot bom, na minha opinião, é a intenção. A intenção é como o diretor de fotografia utiliza a câmera não só como um instrumento para mostra o que acontece na cena, mas tambémum instrumento para trazer um significado ou emoção para ângulos, composição de cena, etc. A obra da dupla Dante Vescio e Rodrigo Gasparini me surpreendeu com sua cinematografia, que depois dos arrastados 25 minutos iniciais, não disperdiça nenhum momento para usar a câmera como um instrumento de tortura para a audiência, não de maneira negativa, mas sim para realmente transportar a platéia para dentro do universo assustador da fazenda de Apolo. O filme também não é perfeito, e como já mencionei antes, me desapontou em certos aspectos. Esta é uma obra de suspense, não de horror, ou seja, não existem lá enormes sustos e pessoas sendo torturadas de maneiras nojentas, nem monstros que degolam jovens. Por esta razão esperava personagens interessantes, multi-dimensionais, com uma trama bem planejada e surpreendente, mas pelo fato que o filme acaba não fugindo dos clichés, deixa muito a desejar nestes dois aspectos. Os quatro jovens acabam caindo na categorização dos personagens de filmes de terror, ou seja, o cara descolado e bonito, que namora a menina que fala "vai dar merda", mas ninguém escuta. Depois temos o dono da casa, que conta a história de terror que apresenta a trama, e por último a menina bonita que não morre, fica com uma cicatriz e vive para contar a história. O vilão do filme, o Barão do Mel, sinceramente, não me fez sentir nenhum medo, mal senti que realmente ele era uma grande ameaça, ele parecia mesmo um vilão de novela das 8:00, que sabemos que vai se dar mal desde o começo. O interessante da trama é o toque brasileiro, de trazer o assunto da escravidão e a batalha que existia entre os Barões e a resiliente cultura e religiosidade nativa dos escravos. Isso sim foi algo corajoso, uma ótima ideia que deu a história um certo estilo próprio. A atuação salva certas cenas, porém o destaque claro do filme é Clara Verdier como Magu, que se demonstra uma atriz além de competente, cuja interpretação da personagem traz o aprofudamento emocional e psicológico que faltava no roteiro, o que acaba a diferenciando das outras perfomances. Em conclusão, um bom filme de primeira viajem para os diretores, muito bem executado, que finalmente traz para mesa uma novidade no cinema nacional: O terror tupiniquim. Algo que precisavamos faz muito tempo, um certo refresh, uma nova onda que esta para começar no país tropical, liderada pelos jovens cineastas. Finalmente, a única coisa que tenho a pedir é que por favor, venham muitas mais obras audaciosas como "O Diabo Mora Aqui" para o olho do público brasileiro.
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