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    Nós, Eles e Eu
    Críticas AdoroCinema
    2,5
    Regular
    Nós, Eles e Eu

    Diário da travessia Israel - Palestina

    por Bruno Carmelo

    Em determinado momento deste documentário argentino, o diretor Nicolás Avruj admite que nunca pensou em fazer um filme histórico nem político, só queria ver “o que se encontra do lado de lá”. Esta afirmação é importante para compreender a abordagem do cineasta. Avruj, argentino judeu, membro de uma família muito mais ortodoxa do que ele mesmo, deseja entender porque os palestinos são tratados como carrascos do povo israelense, e vai conversar com os próprios para tirar as suas dúvidas.


    Nós, Eles e Eu - FotoA iniciativa é ao mesmo tempo franca e ingênua, como uma criança que desmonta relógios para entender o funcionamento do tempo. Ao invés de ler livros, reportagens, ver outros filmes, o cineasta decide tirar suas próprias conclusões através de uma viagem solitária. Com uma câmera caseira na mão, passeia por Tel Aviv e, depois, desconhecendo as zonas de conflito, atravessa sozinho pela faixa de Gaza e passeia por regiões que constituem alvos constantes de tiroteio e retaliações entre grupos opostos.

     

    A simplicidade da premissa representa ao mesmo tempo a qualidade e a limitação de Nós, Eles e Eu. Por um lado, é um prazer observar o jovem diretor dormindo em casas de palestinos e de israelenses, interagindo com pessoas comuns e descobrindo um pouco de suas rotinas, sem buscar interpretá-las de modo sintomático. Avruj faz a mesma pergunta a diferentes anfitriões, a respeito da origem da guerra, obtendo dos dois lados uma resposta semelhante: “Os palestinos/israelenses são um povo intolerante, que não consegue viver na paz, e tenta roubar uma terra que é nossa”.

     

    Nós, Eles e Eu - FotoCordial, ele desconversa quando os temas se tornam controversos – quando um entrevistado se irrita ou não sabe responder. Neste instante em que grandes documentaristas políticos (Frederick Wiseman, Errol Morris, Werner Herzog) obteriam suas cenas mais complexas, o diretor argentino foge para não incomodar os amigos. A montagem corta para o dia seguinte. Sua preocupação é mais pessoal do que cinematográfica ou sociológica, por isso, apesar da louvável abertura a todos os pontos de vista, o projeto não deixa de parecer um tanto superficial, como uma oportunidade perdida. É difícil ter acesso àquelas pessoas e regiões, para apenas fazer um registro visual pouco questionador, com imagens de tão baixa qualidade...

     

    Nós, Eles e Eu funciona como um ponto de partida, uma espécie de introdução ao conflito entre Israel e Palestina para quem conhece pouco sobre o tema – posição em que se encontrava, assumidamente, o próprio Avruj. O projeto poderia ser a pesquisa de campo para um documentário mais maduro, com maior produção e reflexão. O resultado final se atém à constatação importante, mas um tanto simplória, de que palestinos e israelenses são igualmente humanos, ambos querem a paz, e não existe um único culpado pelos conflitos na região.

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