Notas dos Filmes
Meu AdoroCinema
    Tudo que Quero
    Média
    3,4
    32 notas e 9 críticas
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    9 críticas do leitor

    João Carlos Correia
    João Carlos Correia

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    3,5
    Enviada em 27 de abril de 2018
    Wendy (Dakota Fanning, de A Vida Secreta das Abelhas) é uma jovem com Síndrome de Asperger que vive em uma instituição na cidade de San Francisco dirigida pela médica Scottie (Toni Collette, de A Hora do Espanto). Apesar do autismo, Wendy tem um emprego e consegue ser independente em vários aspectos de sua vida. Grande fã do seriado de TV Jornada nas Estrelas (1966-1969, série clássica), está a escrever um roteiro para um concurso da série organizado pelo estúdio Paramount Pictures. Wendy tem esperanças de poder voltar a morar com sua irmã, Audrey (Alice Eve, de O Corvo), mas esta reluta porque teme que Wendy, mesmo sem intenção, possa machucar a filha recém-nascida. Por descuido, o roteiro de Wendy não é postado no correio e ela decide ir por conta própria até Los Angeles para entregar seu roteiro pessoalmente. Ao saberem do ocorrido, Audrey, Scottie e seu filho, Sam (River Alexander, de Coquetéis e Adolescentes), vão em busca da jovem. Em entrevista concedida ao Dr. Drauzio Varella, o respeitado neurologista Dr. José Salomão Schwartzman diz que o autismo “(...) nada mais é do que um tipo de comportamento que se caracteriza por três aspectos fundamentais. Primeiro: são crianças que parecem não tomar consciência da presença do outro como pessoa. Segundo: apresentam muita dificuldade de comunicação. (...) Terceiro: tem um padrão de comportamento muito restrito e repetitivo” . O Dr. Schwartzman classifica o autismo em três graus: “Há o indivíduo portador das características citadas em grande proporção e com deficiência mental grave; o grupo com o tipo de autismo (...) com comprometimento moderado e os indivíduos com Síndrome de Asperger (...), que são autistas com linguagem e intelecto preservados”. Deste último grupo, o Dr. Schwartzman define como os “(...) que apresentam as mesmas dificuldades que os outros, mas numa medida bem reduzida. São verbais e inteligentes. Tão inteligentes que chegam a ser confundidos com gênios, porque são imbatíveis na área do conhecimento em que se especializam. (...) Entretanto, se lhe fizermos uma pergunta simples - Quantas pessoas vivem na sua casa? -, ele se comporta como estivéssemos falando grego". A premissa que guia Tudo Que Quero - pessoas com problemas mentais e/ou emocionais - é bastante recorrente no cinema com filmes como Os Dois Mundos de Charly (1968), O Homem Terminal (1974), Sentimentos Que Curam (2015) e, talvez o mais famoso de todos, Rain Man (1988) que, de todos essas produções listadas, é a mais semelhante ao objeto desta crítica*. Do mesmo modo, Tudo que Quero é filme que retoma um gênero bastante popular pelos espectadores de cinema em geral: os "Road Movies" ("filmes de estrada"), no qual os protagonistas literalmente põem o pé na estrada em uma viagem que torna-se um evento transformador em suas vidas como, por exemplo, em Diários de Motocicleta (2004). Há também uma terna e sincera homenagem ao seriado de TV e saga do cinema Jornada nas Estrelas/ Star Trek. O que começou como um programa semanal de ficção-científica, tornou-se um culto nerd e geek e transformou-se em um fenômeno cultural sem fronteiras. De posse dessa premissa, da retomada do gênero "Road Movie" e da homenagem a Star Trek, o veterano cineasta e roteirista Ben Lewin (O Favor, o Relógio e o Peixe Muito Grande) faz um trabalho de direção um tanto convencional, mas, ainda assim, correto e seguro, usando bem os recursos de que dispõe e sem apelar para demagogia, pieguice e sentimentalismo no sentido "veja-como-ela-sofre", embora eu ache que poderia ter sido um pouco mais incisivo ao abordar o transtorno neurológico de Wendy. Entretanto, consegue arrancar boas performances de seu elenco. Dakota Fanning atua desde os cinco anos de idade - começou fazendo comerciais de TV. Tornou-se internacionalmente conhecida na película Guerra dos Mundos (2005), dirigido por Steven Spielberg (The Post: A Guerra Secreta) e conseguiu fazer o mais difícil para uma atriz-mirim: continuar atuando na idade adulta. E, o melhor de tudo, atuando bem. Sua performance como uma portadora de Síndrome de Asperge é bastante sensível e realista e consegue reproduzir de modo convincente o comportamento típico de um portador dessa mesma síndrome - olhar parado, rotina rígida, memória fotográfica, dificuldade em expressar e lidar com os sentimentos, etc. - gerando cenas inesquecíveis como, por exemplo, quando ela demonstra aos nerds o seu conhecimento de Star Trek de modo incrível, infalível e imbatível tal como descrito pelo Dr. Schartzman. Faço aqui um parênteses para falar um pouco sobre o seriado que tanto fascina os portadores da Síndrome de Asperger quanto os nerds e os "normalóides". Em sua autobiografia Eu Sou Spock, o ator e cineasta Leonard Nimoy (1931-2015), o eterno intérprete do vulcano mais amado do universo, disse não saber o motivo do sucesso do seriado-saga que o tornou famoso, mas especulava: "Primeiro, Star Trek oferecia segurança para uma geração que crescera assustada com o fantasma da guerra nuclear. (...) Ao mesmo tempo, a nossa paranóia em relação à União Soviética estava em seu clímax (...). E em meio a toda essa paranoia e terror, havia uma mensagem clara de esperança na forma de Star Trek, uma mensagem que parecia dizer 'Sim, vamos sobreviver à era atômica. Vamos fazer contato com vidas inteligentes em outros planetas e eles serão nossos amigos, e não nossos inimigos. Juntos, vamos trabalhar pelo bem comum'. ...) A sociedade estava vivendo uma mudança muito rápida (...). E, em meio a esses tempos de incerteza, havia a tripulação de Star Trek, totalmente confiável e incorruptível; pessoas que diziam a verdade e, acima de tudo, comportavam-se eticamente, com dignidade, compaixão e inteligência". A paixão de Wendy pela série criada pelo produtor Gene Rondenberry (1921-1991) reflete-se no seu relacionamento com a sua médica e terapeuta Scottie - com eficiente atuação de Toni Collette. Uma boa sacada do filme é deixar o espectador na dúvida sobre o verdadeiro nome da terapeuta, pois, como todo "Trekkie" (fã de Star Trek) sabe, Scottie é o apelido do engenheiro-chefe da nave estelar Enterprise, Montgomery Scott - vivido nas telas pelos atores James Doohan (1920-2005) e Simon Pegg (franquia Missão Impossível). Curiosamente, Alice Eve trabalhou em um filme da saga: Além da Escuridão - Star Trek (2013), no qual interpretou a Dra. Carol Marcus. Sua atuação como Audrey, irmã de Wendy, é boa, mostrando que ela vai além de um rosto bonito. Já a presença de River Alexander justifica-se apenas na cena em que seu personagem explica para a mãe um dado de Star Trek. Fora isso, é perfeitamente dispensável, embora o jovem ator demonstre talento. O roteiro de Michael Golamco (série Grim: Contos de Terror), baseado em peça de sua própria autoria, consegue ir além do mero teatro filmado e faz com que entremos na imaginação de Wendy na qual ela e pessoas ao seu redor sejam transfiguradas nos personagens de Star Trek. Não poderia escrever este texto sem falar da bela e suave trilha sonora do brasileiro Heitor Pereira (Se Eu Ficar), que acaba por se encaixar bem à trama. Por fim, se a fotografia de Geoffrey Simpson (Menino Satélite) não é excepcional, ainda assim consegue mostrar as belezas da Califórnia, especialmente de San Francisco. Tudo Que Quero é um filme enternecedor, com uma mensagem edificante, afirmativa e de empoderamento pois, ao contrário do que muitos pensam, pessoas com autismo ou transtornos semelhantes podem muito bem conviver em sociedade, serem trabalhadoras, úteis aos seus semelhantes, imaginativas e criativas a ponto de produzirem obras de arte que não ficam nada a dever às dos "normalóides". Como Wendy demonstra, estão audaciosamente indo onde ninguém jamais esteve. *O personagem Raymond Babbitt de Rain Man, protagonizado por Dustin Hoffman (Kramer vs Kramer) - em uma performance que lhe valeu o Oscar de Melhor Ator -, é portador da Síndrome de Savant, também conhecida como "síndrome do sábio" ou "síndrome do idiota-prodígio". Embora tenha pontos em comum, é diferente da Síndrome de Asperger (n. do a.).
    cinetenisverde
    cinetenisverde

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    2,5
    Enviada em 11 de abril de 2018
    Este é um filme feito para a TV, que foi lançando ao mesmo tempo nos cinemas e para streaming. É sobre uma garota autista linda chamada Dakota Fanning que faz um road movie de 300 km para poder entregar seu roteiro de 400 páginas para um concurso de comemoração da série Star Trek, a qual ela é, como todo autista, fã incondicional. Ela precisa provar sua independência e para isso irá passar por várias provações pontuais e independentes durante o filme, como ser roubada, expulsa de um ônibus, sofrer um acidente, etc. Tudo isso não acrescenta em nada na história, exceto que é algo para as visitas comentarem quando estiver passando na TV. Ela estará ligada passando esse filme enquanto todos conversam porque, e fica a dica, esse filme tem ótimas músicas, leves, doces e com uma ótima cantora (não consegui encontrar mais detalhes). A trilha de fundo é de um brasileiro, Heitor Pereira, que aposta em uma música repetitiva e leve, bem o estilo que eles precisam. Assista por Dakota, pois ela merece, e assista como um autista, sem prestar atenção ou tentar achar emoções; é inútil. cinetenisverde.com.br
    Drih S.
    Drih S.

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    4,0
    Enviada em 17 de julho de 2018
    Só há um caminho lógico para seguir. Em frente! TUDO QUE QUERO (Please Stand By O longa relata a vida de Wendy (Dakota Fanning), uma jovem portadora de autismo que escreve várias páginas de um roteiro para concorrer a uma competição de Star Trek. Assistindo aos trailers, ou lendo a sinopse, você poderá achar um filminho bobo, ou uma perda de tempo. Mas muito pelo contrário, "Please Stand By" é um ótimo drama que traz a linda Dakota Fanning em um papel fantástico. O roteiro é muito bom, achei ótimo a ideia de colocar uma certa semelhança entre Wendy e o personagem "Spock" do Star Trek, ambos apresentavam uma certa deficiência emocional. O que de certa forma contribuiu positivamente com o enredo, conseguindo nos aproximar cada vez mais de Wendy e sua linda história. Wendy possui um certo transtorno de desenvolvimento que afeta a sua capacidade de se socializar e de se comunicar com eficiência. O que talvez a debilitasse de tudo, mas é realmente impressionante a sua independência e forma como ela encara as suas dificuldades. O que nos impressiona e nos faz torcer por ela em tudo que ela vá fazer, até mesmo a agonia que me deu quando ela foi atravessar a avenida pela primeira vez. É impossível não se apegar e não criar uma grande empatia por Wendy! Please Stand By é um filme leve, gostoso, singelo, verdadeiro, que consegue nos encantar sem apelar pra emoção fácil, o que foi um grande acerto. Nos dar uma lição de vida e de superação, com garra e muita dedicação. A forma como Wendy vê a sua vida em seu dia a dia, seguindo rigorosamente as suas tarefas e seus deveres, na medida que ela decidi ir em busca de seu objetivo, enfrentando todas as suas dificuldades e as que ela irá encontrar. É uma superação muito linda, que nos faz bem. Um grande acerto a forma que o roteiro seguiu com o desfecho final em relação ao concurso. Mostrou que na vida muita das vezes não é preciso vencer para se sentir melhor, ou realizado (a). Nos mostrou que Wendy já tinha superado grande parte das suas dificuldades, e as próprias pessoas que ela tinha ao lado sequer havia notado tamanha virtude. O que deu a ela uma grande realização ao ganhar a confiança de sua irmã. Dakota Fanning está muito bem no filme! Não assisti muitos filmes da Dakota, mas mesmo assim eu posso afirmar que nesse ela tem a sua melhor atuação. Ela está muito segura na personagem, muito versátil, verossímil, nos passando confiança e admiração em cada cena apresentada. Uma atuação que requer muito cuidado e muita competência, e Dakota Fanning entregou um trabalho perfeito! Destaques para Alice Eve e Toni Collette, ambas estiveram formidáveis! Assistam "Please Stand By". É um filme curtinho, muito bom, que com certeza (assim como eu) você será tocado pela sua bela mensagem de vida. [17/07/2018]
    Luiz Antônio N.
    Luiz Antônio N.

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    3,0
    Enviada em 11 de fevereiro de 2018
    Wendy (Dakota Fanning) é uma jovem criativa e corajosa, que sofre de autismo. A sua irmã, Audrey (Alice Eve), tem medo que Wendy tenha um dos seus ataques de raiva e se magoe a si e aos outros, por isso ela vive num centro de apoio. Wendy escreve um guião para um concurso do Star Trek e para o entregar a tempo vai escolher um novo caminho e mostrar como todos a subestimam. um bonito filme com um roteiro bem previsível mas mesmo assim gostei muito🌟🌟🌟
    Otávio S.
    Otávio S.

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    3,5
    Enviada em 7 de setembro de 2020
    Filme bom de superação. Nota 7,5
    Danny Sincerona
    Danny Sincerona

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    4,0
    Enviada em 19 de julho de 2020
    Não tenho palavras para descrever o quanto eu achei esse filme incrível e inspirador. Dakota Finning simplesmente arrasou interpretando Wendy, uma autista que tinha um sonho e lutou por ele, mesmo com todos seu medos em inseguranças, ela corre atrás do que ela realmente quer. A história dela é inspiradora, uma garota que nunca saiu de 'casa' completamente protegida, que têm problemas com a irmã já que essa não sabe lidar com a deficiência de Wendy, acaba descobrindo e se descobrindo em um novo mundo, um mundo onde nada e seguro, mas que também tem muitas amizades, e é isso que é lindo no filme. O filme traz um ar meio de comédia, mas também traz o drama, ele mostra a realidade que essas pessoas sofrem, como a sociedade não está preparada para essas pessoas, tanto que são poucas as que realmente sabem como a Wendy tem que ser tratada, enquanto aquelas que desconhecem, tratam ela como se ela fosse uma idiota ou querem passar a perna nela. Eu simplesmente amei o filme, spoiler: fiquei triste pela Wendy não ter ganhado , mas entendi o ponto do autor em relação a isso. O que valeu não foi ela ganhar, foi ela se descobrir e se reconhecer.
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