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    La Vanité
    Críticas AdoroCinema
    3,5
    Bom
    La Vanité

    Sobre a vida

    por Francisco Russo
    "Amigos são a família que nos permitiram escolher", já dizia William Shakespeare. O contraste entre desavenças familiares e a alegria no convívio entre amigos já foi explorado de diversas formas no cinema e volta à tona em La Vanité, drama com toques de humor negro que aborda uma questão difícil e polêmica: a eutanásia. Só que, mais do que analisar a difícil decisão de morrer conscientemente, o diretor Lionel Baier deseja explorar os meandros da solidão.

    La Vanité - FotoTal desejo fica explícito logo na sequência inicial do longa-metragem, onde um carro estaciona nos fundos de um hotel decadente, em meio à neve. Solitário, um homem caminha para reservar um quarto. Poucos são os hóspedes, menos ainda os clientes do bar/restaurante próximo. David Miller (Patrick Lapp) está só: viúvo, em meio a um tratamento de câncer que já lhe rendeu três operações no cérebro, cansado. Sua única companhia chega pouco depois: Esperanza (Carmen Maura), destinada a acompanhá-lo na eutanásia assistida.

    Aos poucos, o roteiro escrito pelo próprio diretor e por Julien Bouissoux cria um jogo de adivinhações entre estes dois personagens. O passado vêm à tona, trazendo mais uma vez a questão do contraste: a felicidade e o ápice da forma física em comparação com o momento atual, ressaltado a partir de oportunos flashbacks. A narrativa oferece vários pequenos jogos, sejam verbais - "você quer realmente morrer?" - ou visuais. Carmen Maura e seu olhar, ora afetuoso ora incisivo, é parte importante nesta dinâmica, bem como a trilha sonora. É interessante acompanhar seu ir e vir, pontuando as reviravoltas ou simplesmente desaparecendo, nos momentos mais pesarosos.

    Bastante teatral, mesmo não sendo baseado em uma peça, La Vanité é um filme denso sobre o porquê da vida em momentos adversos. Fugindo de questões filosóficas, ele explora lembranças e frustrações na composição destes dois personagens principais, bastante complexos, entregues com competência tanto por Lapp quanto por Maura (ela está um pouco melhor, graças às sutilezas do olhar). O rumo inusitado do roteiro forma a tal família citada, gerando também alguns momentos cômicos. Por mais que o desfecho destoe pelo tom um tanto quanto agridoce, trata-se de um filme bastante interessante, especialmente pelas atuações e a forma como a história é desenvolvida.
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