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    Cidadãoquatro
    Críticas AdoroCinema
    4,0
    Muito bom
    Cidadãoquatro

    Acesso impressionante

    por Lucas Salgado

    A diretora Laura Poitras é conhecida por documentários de forte cunho político, como My Country, My Country, pelo qual recebeu uma indicação ao Oscar. O filme, que se passa no Iraque ocupado, colocou a cineasta em uma lista do Departamento de Segurança Nacional dos Estados Unidos, fazendo com que fosse muitas vezes parada em aeroportos, tendo objetos verificados e apreendidos. Ela continuou a demonstrar interesse pelos EUA pós-11 de setembro com The Oath e agora fecha sua trilogia com Cidadãoquatro.

    Cidadãoquatro - FotoDiante de seu histórico investigativo e político, a diretora chamou a atenção de Edward Snowden, que iniciou um contato cheio de mistério e informou possuir documentos que provavam que agências do governo norte-americano estaria recolhendo dados pessoas da população.  

    O longa retrata desde o primeiro contato com Snowden e passa por todo o período em que ele, a diretora e o jornalista Glenn Greenwald, do The Guardian, discutiram como ocorreria o vazamento das informações. Enquanto Snowden era a fonte e Greenwald era o representante da mídia, Poitras era a responsável pelo registro das conversas.

    Com cenas rodadas no Rio de Janeiro, em Hong Kong, em Berlim, em Brasília, dentre outras cidades, o longa oferece uma visão ampla e introduz este personagem misterioso que é Edward Snowden, hoje considerado um traidor foragido dos Estados Unidos. Cidadãoquatro não busca canonizar o indivíduo, mas oferecer seu ponto de vista, que é articulado e bem desenvolvido.

    A produção, que conquistou o Oscar de Melhor Documentário, mostra a repercussão inicial do vazamento das informações e aborda um pouco o debate que surgiu em países como Alemanha e Brasil, que descobriram que seus chefes de estado estavam tendo suas comunicações invadidas pelo governo americano.

    Não se trata de uma obra empolgante e não revoluciona do ponto de vista da linguagem, mas estamos diante de uma obra jornalística importantíssima. Quando o assunto surgiu pela primeira vez, todos víamos Snowden como uma figura reclusa e misteriosa. Pode até ser a realidade, mas agora somos jogados diante de suas motivações e acompanhamos conversas e reflexões muito significativas neste século XXI.  

    O filme foi assistido durante o festival É Tudo Verdade 2015.

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