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    Branco Sai, Preto Fica
    Críticas AdoroCinema
    4,0
    Muito bom
    Branco Sai, Preto Fica

    Às margens...

    por Lucas Salgado

    A Cidade é uma Só? é o título do filme anterior do diretor Adirley Queirós, mas também é uma pergunta que o diretor continua a fazer. A segregação da periferia em Brasília ainda é algo que instiga o cineasta e isso fica muito claro neste novo projeto, Branco Sai Preto Fica.

    Branco Sai Preto Fica - PosterTrata-se de uma obra bem mais ousada que a anterior. Se em A Cidade é uma Só? acompanhamos, dentre outros personagens, um humilde candidato a deputado que sofre com a concorrência desleal daqueles que possuíam muito dinheiro para a campanha, aqui vemos dois homens que tiveram as vidas marcadas após um tiroteio em um baile de black music.

    Além de retratar o dia a dia destes dois homens, um paraplégico e outro com uma perna amputada, o longa investe em uma história ficcional fantasiosa para preencher a narrativa documental. A partir daí, temos um homem vindo do futuro para investigar o que aconteceu na noite do baile, buscando recolher provas para processar o estado.

    Mesmo contando com um discurso político forte, o filme também utiliza-se de sutilezas para retratar o sentimento de quem vive às margens da capital federal. Isso fica claro ao ouvirmos uma mensagem na rádio falando sobre a obrigatoriedade de passaporte para entrar em Brasília.

    Branco Sai Preto Fica do título é referência a uma fala dos policiais que invadiram o baile mencionado, numa demonstração clara de racismo, que continua atingindo nossa sociedade nos dias de hoje.

    O filme sofre um pouco com problemas de ritmo, soando repetitivo em alguns momentos. Ainda que funciona como crítica social, o personagem do futuro está deslocado em cena. Se por um lado isso dá certo ao quase transformá-lo em um alienígena, por outro prejudica a narrativa, uma vez que o ator é mais fraco que os demais protagonistas.

    Branco Sai Preto Fica é uma obra instigante que reafirma Adirley Queirós como uma importante voz do cinema marginal brasileiro.

    Filme assistido durante a cobertura do 21º Festival de Vitória, em setembro de 2014.

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    Comentários

    • Akin
      Filme Branco sai, Preto fica - Uma história ficcional com narrativa documental acerca de crimes cometidos pelo Estado contra a população negra, o racismo da polícia genocida. A narrativa mostra o drama de dois jovens negros mutilados pelo racismo policial, iniciando com a fala de um policial, que, durante abordagem num baile na periferia de Brasília, libera brancos e atira em negros, Branco Sai, Preto Fica, diz o policial, no fim, deixando dois jovens com sequelas físicas e psicológicas, um fica em cadeira de rodas com os movimentos das pernas comprometidos, o outro tem a perna amputada. Branco Sai Preto Fica é uma obra bastante realista que reflete um problema social gravíssimo de segregação da população periférica e um racismo institucional gritante e massacrante, o extermínio da população negra… Em meio à trama, um funcionário do governo vindo do futuro busca provas para denunciar e processar o Estado pelos crimes cometidos na noite do baile. Ao meu ver, essa situação do personagem do futuro mostra o quanto o poder público se mostra negligente com as investigações desses crimes que vitimam a população negra, como se tal investigação tivesse muita dificuldade de ser apurada, a ponto de precisar de um funcionário intergaláctico para “tentar” apurar e resolver tais crimes.
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