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A Vigilante do Amanhã: Ghost in the Shell
Críticas AdoroCinema
3,0
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A Vigilante do Amanhã: Ghost in the Shell

Admirável mundo novo

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A cultura japonesa, especialmente no que diz respeito a animes e mangás, sempre teve papel importante no universo pop, com uma legião de fãs apaixonados. Tais produtos ou produções geralmente possuem uma aura cult, mas raramente funcionam quando adaptadas para outros locais. Algo comum em animes japoneses são elementos filosóficos e reflexivos. Com raríssimas exceções - na cabeça aparece especialmente Matrix -, Hollywood quase sempre segue o caminho mais fácil, deixando o pensamento de lado em prol da ação. Principalmente em ficções científicas futuristas com muita violência. 

Diante disso, por mais que se fale muito, geralmente projetos de novas versões americanas de obras como Akira, Ghost in the Shell e Tokyo Godfathers acabam por não avançar. Até agora.


Dirigido por Rupert Sanders (Branca de Neve e o Caçador), A Vigilante do Amanhã: Ghost in the Shell chega aos cinemas tentando abrir as portas para adaptações de animes. Como uma primeira tentativa, o filme até funciona e apresenta elementos bem interessantes, mas é inegável que sofre do problema que todo mundo já esperava: há uma perda considerável dos elementos filosóficos.

A reflexão sobre humanidade ainda está presente, é claro, mas de forma mais contida e mais centralizada na jornada pessoal da personagem principal, Major, vivida pela sempre eficiente Scarlett Johansson.

Passado em 2029, o longa acompanha Major, uma mulher que após um acidente tem seu cérebro transportado para um corpo cibernético. Ela tem sentimentos humanos, mas um corpo de máquina. Enquanto busca se prender à sua humanidade, Major vê todas as pessoas à sua volta procurando ser mais robóticos, digamos assim. Ou seja, é possível ver um homem com saúde optando por um fígado aperfeiçoado apenas para poder beber mais.

Major comanda um esquadrão de elite especializado em crimes cibernéticos. E terá o trabalho dificultado com o surgimento de Kuze (Michael Pitt), sujeito misterioso que parece disposto a acabar com a companhia tecnológica que criou Major e que auxilia sua equipe em missões.

Ícone do cinema oriental, Takeshi Kitano rouba a cena sempre que aparece como o imponente Daisuke Aramaki, enquanto que a veterana Juliette Binoche surge um pouco apagada na pele da Dra. Ouelet.


Ghost in the Shell causou polêmica desde o início de sua produção por causa da escolha de Scarlett Johansson para viver a protagonista. Enquanto que uns atacam a opção com o selo de "whitewashing" (que é colocar um ator branco para viver um personagem não-branco originalmente), outros defendem que Major é uma robô e poderia ter qualquer cara. Não dá pra fingir que Hollywood, ao colocar dinheiro em uma produção como esta, irá abrir mão de uma grande cara conhecida à frente do elenco, mas também é verdade que os fãs tem todo o direito de se incomodar com uma mudança tão importante. Por sinal, o filme criou uma origem pra lá de desinteressante para justificar a aparência da personagem.

A Vigilante do Amanhã: Ghost in the Shell conta com bons efeitos visuais e com boas sequências de ação. Mas quem for esperando a profundidade do original irá se decepcionar um pouco. Visualmente, conta com sequências inteiras remetendo ao japonês e sua continuação, mas tematicamente trata mais de uma crise individual do que sobre um debate sobre existência.
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