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Labirinto de Mentiras

Os nazistas estão entre nós

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Sempre narrada pelos vitoriosos, a História costuma exaltar vencedores e condenar derrotados, muitas vezes personificados em poucos. Trata-se de uma tentativa simples e direta de estancar ideologias, já que sem o líder os seguidores se dispersariam, ao menos teoricamente. Mas e quando esta mesma ideologia, mais do que meramente derrotada, significa uma afronta à própria existência do ser humano? Labirinto de Mentiras aborda esta dura e pertinente questão, ainda mais pelo local e época em que é situado: em plena Alemanha, após a Segunda Guerra Mundial.

Labirinto de Mentiras - FotoSelecionado pelo país como seu representante ao Oscar de melhor filme estrangeiro, o longa-metragem acompanha os esforços de um jovem procurador, que segue a Justiça ao pé da letra. Cansado de trabalhar em questões menores relacionadas ao trânsito de Frankfurt, Johann (Alexander Fehling, em atuação burocrática) encontra a grande chance de sua carreira ao vasculhar os subterrâneos da sociedade local, em busca de colaboradores do regime nazista. Mas não se engane: os cabeças do governo de Hitler foram mortos ou condenados, anos atrás. Mais de uma década após o conflito, a vida retomou uma certa normalidade e poucos têm conhecimento das atrocidades cometidas pelos nazistas. Mesmo o tal procurador, uma pessoa letrada que trabalha no governo, jamais havia ouvido falar de Auschwitz.

Muito da força de Labirinto de Mentiras vem do fato de ser esta uma história real contada pelos próprios alemães, como se estivessem promovendo um mea culpa necessário. A narrativa conduzida pelo diretor Giulio Ricciarelli  - que, curiosamente, é italiano – busca o espanto diante da descoberta das atrocidades cometidas nos campos de concentração, contando bastante com a bagagem do próprio espectador por não relatar em detalhes os fatos históricos, mas também para que o público tenha o necessário choque diante da falta de conhecimento de algo tão grave. Por outro lado, este mesmo contexto de desinformação é justificado pelos interesses políticos da época, mais interessados em reencontrar a normalidade do que em buscar e punir os culpados.

Labirinto de Mentiras - FotoÉ sob este aspecto que o longa-metragem se aproxima de Munique. Por mais que o filme dirigido por Spielberg seja superior, aqui Johann e sua equipe também empreendem uma jornada em busca de identificar e punir os nazistas e seus colaboradores – mais exatamente Mengele e Eichmann. A investigação oficial e ao mesmo tempo oficiosa, já que nem todos na polícia e no governo eram favoráveis a ela, dá à busca ares cada vez mais obcecados, também como resultado das próprias descobertas feitas. O que, aos poucos, afeta também a vida pessoal de Johann.

É neste ponto que o filme derrapa, e feio! Imerso no trabalho e ciente da abrangência do nazismo na população alemã, Johann se entrega cada vez mais à paranoia e permite que ela afete seus laços afetivos. O problema não é exatamente que isto aconteça, mas o modo como acontece. A analogia apresentada entre o relacionamento amoroso do procurador e um terno rasgado é risível, daquelas de envergonhar. A própria composição do personagem principal, sério demais na metade inicial do filme e exagerado na derrocada emocional enfrentada, também é um complicador.

Apesar desta irregularidade, Labirinto de Mentiras é um filme correto e bem feito, que atende ao objetivo de narrar a “descoberta” dos tentáculos do nazismo na sociedade alemã. Um tema importante especialmente por serem os próprios alemães quem contam esta história, como se não apenas tirassem o esqueleto do armário mas também assumissem (ao menos em parte) os erros do passado.

Filme visto na 39ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, em outubro de 2015.
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