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    Parceiras Eternas
    Críticas AdoroCinema
    2,5
    Regular
    Parceiras Eternas

    Vencedoras ou perdedoras

    por Bruno Carmelo

    Os críticos costumam exigir do cinema que traga alguma visão nova sobre seus temas, uma construção interessante das imagens, um olhar aguçado à psicologia dos personagens. Mas às vezes chega ao circuito comercial alguma produção que não tem nenhuma dessas pretensões, muito pelo contrário. Alguns filmes querem apenas agradar, provocar sorrisos durante 90 minutos e serem esquecidos logo após a sessão - sem complexos. Parceiras Eternas é um desses filmes.


    Parceiras Eternas - Foto

    Não existe um único elemento estrutural que destoe de qualquer outra comédia do gênero, sobre amizade feminina, ciúme e amadurecimento. Paige (Gillian Jacobs) é uma advogada em ascensão, que começa a namorar um médico promissor (Adam Brody). Ao lado do casal bem estabelecido existe a fracassada Sasha (Leighton Meester), melhor amiga de Paige. Lésbica assumida, Sasha sempre se envolve com garotas imaturas e mantém um trabalho ingrato de recepcionista em uma grande firma. O roteiro trabalha diretamente a dicotomia winner vs loser, ou seja, os bem-sucedidos contra os fracassados.

     

    A amizade das protagonistas é abalada por razões simples, como ciúme, distância, frases mal entendidas. Sasha e Paige mantêm uma relação um pouco infantil, algo comum nos roteiros indies que lidam com a dificuldade no amadurecimento. Felizmente, as duas atrizes principais funcionam bem juntas, extraindo uma comicidade simples dos diálogos e transmitindo uma cumplicidade verossímil. Nenhuma das duas têm uma atuação particularmente sutil, mas esta parece ser a intenção de todo o projeto: Jacobs e Meester foram dirigidas para serem tipos precisos de mulheres e de modos de vida, por isso precisam reforçar didaticamente os seus traços.

     

    Parceiras Eternas - FotoA diretora Susanna Fogel não pretende chamar a atenção para sua direção, seus enquadramentos ou sua iluminação. Parceiras Eternas faz o mínimo esforço necessário para que os conflitos sejam legíveis, as cenas durem o tempo exato e as pessoas estejam iluminadas de modo claro o suficiente. A estética, neste caso, é mera burocracia: ela precisa apenas ilustrar o roteiro. O resultado é uma obra que não ofende, mas também não traz um único momento memorável.

     

    Comédias como Parceiras Eternas têm o seu lugar no mercado, e sua razão de existir. Talvez não seja justo exigir complexidade de uma trama que busca apenas a distração. Neste sentido, Fogel tem sucesso: seu filme de fato distrai, trata as personagens com carinho e oferece ao espectador a recompensa esperada no final. Mas não seria mal se a diretora tentasse combinar o feel good movie com um ou outro questionamento um pouco mais substancial.

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