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    O Gabinete do Doutor Caligari
    Média
    3,7
    41 notas e 4 críticas
    distribuição de 4 críticas por nota
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    4 críticas do leitor

    Diego S.
    Diego S.

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    5,0
    Enviada em 22 de janeiro de 2016
    ''O Gabinete do Doutor Caligari'' é um dos filmes mais inovadores e divisor de águas na historia do cinema.Isso é inegável pra qualquer cinéfilo ou cineasta. Lançado em 1920, o filme ainda gera muita discussão e muitas influências desde Tim Burton até Martin Scorcese. Mas para entender a importância desse filme, precisamos entender o contexto da época.Naquela tempo, os filmes dos irmãos Lumière estavam se tornando cada vez mais documentais,portanto mais próximos da realidade.Ao mesmo tempo, Alemanha passava por diversas crises devido a derrota da primeira guerra mundial. O povo sofria e precisava de uma forma de escapar da dolorosa realidade . Ai que entra o expressionismo alemão,um icônico movimento no cinema e em outras artes .E foi ''Doutor Caligari'' que inaugurou esse movimento . Iniciando uma leva de filmes que possuem uma história e estética que apresentam um mundo fantástico que foge totalmente da realidade. O filme é contado em forma de flashback pelo personagem chamado ''Francis''. A história se passa numa cidade da Alemanha. lá, acontece um show de ''freaks''. E uma das atrações é o suposto Doutor Caligari que apresenta um sonambulo(Cesare) que obedece todas as suas ordens e que pode prever o futuro. O sonambulo quando questionado pelo amigo de Francis,Alan, sobre quanto tempo de vida lhe resta ,ele responde que tem até o amanhecer. Logo, fica claro que Doutor Caligari e seu sonambulo "fazem'' o futuro das pessoas. À comando de seu mestre ,Cesare mata Alan e inicia-se assim uma série de assassinatos na cidade.Francis descobre que a dupla esta por trás disso. E então vem o primeiro ''plot twist'' do filme(a reviravolta inesperada):o Doutor Caligari é um impostor, ele é apenas um diretor de um hospício que ficou obcecado pelo estudo do verdadeiro Caligari sobre sonambulismo .Depois de ler essas histórias ,viu que ele costumava fazer com que o sonambulo matasse as pessoas pra ver se ele poderia ou não obedecer as suas próprias vontades. Querendo transcender os seus estudos, ele optou por seguir os mesmos passos desse e refazer toda a história.Parece então que o mistério foi resolvido. Mas então temos o segundo grande ''plot twist'' em que descobrimos que toda essa história foi inventada pelo próprio Francis e que este é apenas mais um paciente mentalmente desequilibrado do hospício do verdadeiro Doutor Caligari. O filme é tecnicamente bonito e sombrio. Pra começar, ele possui uma ótica,fotografia e cenários completamente distorcidos e bizarros. Tudo nesse filme tem uma forma diferente . E todo o cenário foi construído e pintado fisicamente justamente pelo fato deles não conseguirem distorcer objetos reais,como uma montanha por exemplo. É como se fosse uma peça de teatro sendo filmada.Ele não tem muitos planos ,nem contra-planos e a camera é fixa.A ambientação e textura do filme é bizarra e estilística. Fazendo com que cada frame seja quase como uma tela de um quadro.Mas existem dois motivos pro filme ser desse jeito : -Trata-se da marca do expressionismo alemão. -O filme inteiro é contado na ótica de um psicopata. Fazendo um paralelo dos objetos distorcidos com a mente do personagem mentalmente desequilibrado. Influencias depois de quase 100 anos depois de seu lançamento: O filme exerce uma grande influência no genero de fantasia,assim como no de terror.Há muitas sequências icônicas que serviram de influência direta para "Nosferatu" e ''Frankenstein". Por exemplo,a cena que Cesare sai do caixão pela primeira vez contra luz. Ou a cena em que Cesare foge pela cidade carregando a garota no ombro. E seu clima gótico viria a influciar diversos filmes como ''Beetlejuice Os Fantasmas se Divertem" e "Edward Mãos-de-Tesoura'' .E se voce achou que "Ilha Do Medo"(2010) de Martin Scorcese tinha um final inesperado e surpreendente, saiba que ele é completamente imitado de ''O Gabinete do Doutor Caligari''.
    Lucas d.
    Lucas d.

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    3,0
    Enviada em 20 de dezembro de 2016
    talvez um dos pioneiros no que se chama hoje plot twist. pena que o desenvolvimento do filme é preguiçoso.E o filme em determinados pontos se torna monótono e de difícil entendimento.
    Roberto O.
    Roberto O.

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    4,0
    Enviada em 24 de outubro de 2016
    A Origem, de Christopher Nolan e Ilha do Medo, de Martin Scorsese, ambos lançados em 2010, e coincidentemente protagonizados por Leonardo Di Caprio, têm algo mais em comum, a complexidade narrativa. O primeiro subverte a realidade e distorce a gravidade com sonhos dentro de sonhos de alguém que talvez também esteja sonhando, enquanto que o segundo conta uma história investigativa que, ao final, percebemos estar se passando em um lugar diferente do que imaginávamos, comprometendo drasticamente o destino do protagonista. Estas são apenas duas entre tantas obras cinematográficas que, de uma forma ou de outra, remetem a um dos maiores expoentes do expressionismo alemão, um filme mudo lançado em 1920, considerado por muitos como o primeiro grande longa-metragem de terror da história do cinema, e dotado de uma composição visual gótica e bizarra, além de um roteiro surpreendente e arrebatador, com direito a reviravolta no final. Trata-se de O Gabinete do Dr. Caligari. O intrigante roteiro escrito por Hans Janowitz e Carl Mayer nos leva a conhecer Francis (Friedrich Feher) que, sentado em uma praça, começa a contar para seu colega ao lado a história que o trouxe até ali. Acompanhamos, então, em um longo flashback (que compreende a maior parte da narrativa), o surgimento de um novo ilusionista na cidade, o Dr. Caligari (Werner Krauss), e seu assistente, o sorumbático Cesare (Conrad Veidt), sonâmbulo na maior parte do tempo e que, quando acordado, teria a habilidade de prever o futuro. Quando um amigo de Francis pede a Cesare que lhe diga até quando vai viver, este responde: “Só até o amanhecer!”, para desespero do rapaz, que não pensou nas consequências da resposta à sua pergunta tão específica. A ‘profecia’ se cumpre. Há também outros assassinatos e a tentativa de mais um, provocando o terror naquela comunidade. A moça que sobreviveu ao ataque, Jane (Lil Dagover), a amada de Francis, identifica Cesare como seu algoz, o que leva todos a acreditarem que Caligari seja o mentor das mortes. Voltando do flashback, quando Francis termina seu relato, no ato final do filme, é revelado onde ele de fato está, qual a identidade real de Caligari e, por fim, qual é a verdadeira história. Absurdamente inovador, este filme deu um salto enorme na construção de roteiros, abrindo o leque para inúmeras possibilidades, que não precisariam se prender à cronologia, nem à ‘veracidade’ dos fatos narrados. Contemporâneo do expressionismo alemão, o gênero conhecido como film noir, que seria muito popular no cinema norte-americano dos anos 1930 aos 50, também explorou vastamente as narrativas entrecortadas, idas e vindas no tempo, cenas filmadas por vários pontos de vista, implementando novos conceitos à linguagem cinematográfica, então em plena evolução. Foi o caso do divisor de águas Cidadão Kane, de Orson Welles, de 1941 e, 15 anos depois, de O Grande Golpe, dirigido por um cineasta novato, um tal de Stanley Kubrick. E na virada para os anos 2000, o mundo ficou pasmo com um filme que fez um imenso sucesso ao trazer uma inesperada e chocante surpresa em seu final, O Sexto Sentido, de M. Night Shyamalan que, por sua vez, deu início a uma nova onda de ‘filmes com reviravolta’, presentes até hoje, principalmente nos gêneros de suspense e terror. Neste quesito, Caligari foi pioneiro. Outro item de igual importância na consumação da aura em torno desta obra-prima ao longo dos anos é em relação a seu aspecto visual. Alguns cenários e figurinos deste longa em P&B imediatamente nos trazem à memória cenas de filmes realizados pelo mais ‘expressionista’ dos diretores atuais, o gótico Tim Burton. Toda a ambientação claustrofóbica e apavorante, com a geometria quebrada das portas, janelas e paredes (e até os intertítulos que preenchem a tela) deste filme mudo encontram paralelos no curta animado Vincent, que Burton realizou em 1982 e, 30 anos depois, no seu longa animado Frankenweenie. A caracterização do Dr. Caligari é quase idêntica ao Pinguim idealizado por Burton e vivido por Danny De Vito em Batman – O Retorno (1992). E nem é preciso dizer que a predominância do preto nas vestimentas, bem como a palidez propositalmente exagerada dos personagens e o uso inteligente de luzes e sombras que criam ambientações surreais e aterrorizantes, além de serem marcas do expressionismo alemão, muitos anos depois passariam a ser, também, sinônimo de Tim Burton. Há ainda inúmeras outras referências deste filme quase secular espalhadas por diversas obras que permeiam a cultura Pop, de HQs e desenhos animados a séries e filmes, passando por comerciais de TV e videoclipes. Os cenários em P&B sem nenhuma concordância geométrica ou gravitacional de Sin City (2005) de Robert Rodriguez, bem como a fotografia estilizada de quase todos os filmes do também mexicano Guillermo Del Toro, são outros belos exemplos de obras que beberam na fonte de Caligari e do expressionismo alemão. Na década de 1920, a Alemanha pós Primeira Guerra Mundial tentava se reconstruir, e o sentimento da nação se refletia em seu cinema, por meio de obras pessimistas, distópicas, sombrias e sem finais felizes. Os realizadores alemães não tinham como prever, mas o pior ainda estava por vir, com a Segunda Guerra Mundial. A exemplo de muitos outros cineastas que trabalhavam na Alemanha na época, Robert Wiene (que dirigiu vários filmes, mas nenhum tão icônico quanto Caligari) deixou o país nos anos 1930, quando a nação já estava mergulhada no nazismo, e a produção cinematográfica se restringia à propagação das ideias de Hitler, o que sepultou qualquer tentativa de continuar a se fazer cinema autoral por lá, além, é claro, da perseguição às obras já feitas e aos seus realizadores. Contudo, cópias das principais obras do expressionismo alemão foram espalhadas pelo mundo e, assim, sobreviveram e aí estão, continuando a inspirar muitos profissionais do cinema e de outras mídias a criarem, ou recontarem, histórias recheadas por caprichos visuais formidáveis. O legado deixado especificamente por O Gabinete do Dr. Caligari é incontestável. Seu roteiro complexo, somado ao seu visual desconcertante lhe garantem um confortável lugar na galeria dos maiores filmes da história do cinema.
    Alvino
    Alvino

    Segui-los 4 seguidores Ler as 21 críticas deles

    3,0
    Enviada em 18 de janeiro de 2016
    A Introdução do horror que conhecemos hoje foi feita por primórdios como esse. Lento para nós, porém com sua cota de importância histórica. O cientista louco é de arrepiar!
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