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Sol da Meia-noite
Críticas AdoroCinema
1,5
Ruim
Sol da Meia-noite

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por Taiani Mendes

Adolescentes são estúpidos e se contentam com qualquer coisa. Apenas um pensamento como esse é capaz de explicar Sol da Meia-Noite, romance insosso baseado no mangá Taiyo no Uta, previamente transformado em minissérie e filme no Japão. Dirigida por Scott Speer (Ela Dança, Eu Danço 4), a trama dedica-se mais a impulsionar a carreira musical de Bella Thorne do que apaixonar ou mesmo apresentar de maneira expressiva a doença genética xeroderma pigmentosum (XP), que exige que o afetado não seja exposto ao sol.

Thorne estrela como Katie Price, garota que mal sai de casa por seu problema de saúde e da janela baba desde a infância por Charlie (o robótico Patrick Schwarzenegger). Controlada e educada pelo superprotetor pai (Rob Riggle), ela tem uma única amiga (Quinn Shephard, promissora), sonha com banhos de sol ao lado da mãe falecida e precisa insistir bastante pela autorização para dar um ou outro passeio noturno. Num desses finalmente fala com o crush, que é atleta, gente boa, desejado e passa a só ter olhos para a adorável estranha. Desafios surgem em seu caminho, inspirando uma atmosfera saudável de apoio mútuo, e à doença, que Katie insiste inexplicavelmente em esconder, cabe o papel de único empecilho à plena felicidade dos bonzinhos jovens.


Como uma imaculada Taylor Swift sem amarguras, a personagem de Bella canta e toca canções românticas no violão, o galã Charlie sorri o tempo todo com cara de bobão e de um casal sem graça numa história sem qualquer emoção o público se vê refém. A fórmula da primeira paixão adolescente é seguida da maneira mais enfadonha possível e não ajuda nem um pouco o fato do frágil “conflito” poder ser resolvido num piscar de olhos: ela explicaria ao amado sua condição, ele ficaria no máximo surpreso e eles viveriam felizes para sempre dando todos os rolês possíveis entre o cair da noite e o nascer do dia – o que não é pouco tempo.

Preguiçoso pastiche de Nicholas Sparks, Sol da Meia-Noite é pachorrento e ordinário como qualquer uma das quatro canções entoadas por Bella Thorne e nem nos videoclipes, que realiza sem qualquer discrição no decorrer do longa-metragem, o diretor Scott Speer se destaca ou vai além da imitação do trivial que já foi feito melhor por inúmeras pessoas.


A “campanha” médica, que poderia salva um pouquinho o filme da mediocridade absoluta, é bem extremista e rende uma lamentável sequência – a mais constrangedora, taí uma sensação que a trama é capaz de passar até o epílogo – em que Katie é retratada como praticamente uma vampira, correndo com uma trilha de filme de terror enquanto o sol se aproxima perigosamente. Um raio é suficiente para condená-la à morte. Ao invés de investigar as questões da vida de uma jovem marcada pela rara doença, a decisão é por usá-la como inimiga do amor e da normalidade. Só não chamo de desserviço completo porque é incentivado o uso do Google para a busca de informações e com um clique o espectador já toma ciência de tudo que foi desconsiderado pelo drama caça-níqueis.

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