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    Rock Brasília - Era de Ouro
    Críticas AdoroCinema
    4,5
    Ótimo
    Rock Brasília - Era de Ouro

    Filhos da revolução

    por Lucas Salgado

    2011 é sem dúvida um ano muito especial para os fãs de Renato Russo e do Legião Urbana. Há vários anos que o cinema discute levar para a tela grande alguns elementos da vida do grupo, mas só agora os projetos se tornaram realidade. Primeiro foi o curta/anúncio Eduardo e Mônica, que virou um hit na internet e se transformou em um dos grandes cases da publicidade no Brasil. Depois vieram as gravações de Faroeste Caboclo e Somos Tão Jovens, que devem chegar aos cinemas em 2012. E agora chega Rock Brasília - Era de Ouro, um filme que levou vários anos sendo produzido e finalmente foi finalizado. Isso tudo sem falar de O Homem do Futuro, que é impossível de assistir sem ficar com a canção "Tempo Perdido" na cabeça.

    É claro que não dá para analisar a qualidade dos dois filmes ainda não lançados, mas é difícil acreditar que serão melhores que Rock Brasília. É importante destacar que não se trata de um documentário apenas sobre o Legião Urbana, mas sim sobre toda a cena do rock na capital federal nos anos 80. O foco é dividido em três grupos: Legião, Capital Inicial e Plebe Rude.

    O filme é a parte final da trilogia de Vladimir Carvalho sobre a formação histórica, política e cultural de Brasília, sendo precedido por Conterrâneos Velhos de Guerra  e Barra 68 - Sem Perder a Ternura - o primeiro sobre a construção da cidade e o segundo sobre a invasão da UNB pelo regime militar. Obviamente, não é necessário assistir nenhuma das produções para entender e gostar de Rock Brasília, por mais que uma compreensão sobre Brasília seja importante para explicar o surgimento dos grupos na década de 80.

    Vladimir Carvalho é um dos nomes mais importantes do chamado Cinema Novo, mas sempre ficou um pouco à margem do movimento por investir apenas no universo do documentário. Ao todo foram 22 longas de não-ficção, sendo que boa parte deles foram sucessos de crítica. Em Rock Brasília, o diretor consegue capturar o espírito do movimento musical dos anos 80 na capital. Um de seus grandes méritos foi justamente ter conseguido ouvir todos os principais expoentes do cenário roqueiro da cidade, inclusive Renato Russo.

    O cineasta também faz a curiosa opção de ouvir os familiares dos músicos, algo que à princípio parece gratuito e desinteressante. Mas, na verdade, tais depoimentos são importantíssimos para capturar a real natureza dos artistas, mostrando um pouco do lado pessoal desses "filhos da revolução" ou "burgueses sem religião", como diz a canção "Geração Coca-Cola".

    Ainda com relação aos depoimentos, foi acertada a decisão de não rechear o documentário de entrevistas com músicos consagrados fora daquele cenário ou críticos musicais. Ou seja, em Rock Brasília você não verá depoimentos de Gilberto Gil ou Nelson Motta - para citar duas figuras carimbadas dos documentários musicais da atualmente. A exceção fica por conta de Caetano Veloso, que está presente, mas não de forma injustificada, afinal trata da participação de Renato Russo no programa em que dividia com Chico Buarque, Chico e Caetano.

    Apesar de citar outros grupos musicais, como os Paralamas do Sucesso - que são do Rio de Janeiro, mas possuem um pé em Brasília - o filme tem seu foco bem definido em Legião, Capital e Plebe. Obviamente, a figura de Renato Russo acaba ganhando mais destaque, mas em momento algum Carvalho faz julgamentos no sentido de que um grupo seria mais importante que o outro. Rock Brasília é um programa não apenas para os fãs das bandas, mas também para todos os interessados em compreender o surgimento de um movimento musical marcante.

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