Meu AdoroCinema
Cilada.com
Críticas AdoroCinema
4,0
Muito bom
Cilada.com

Desculpas divertidas

por Roberto Cunha

Excesso de produções em 3D, um monte de refilmagens e uma grande onda de filmes baseados em quadrinhos estreando a todo momento. Esse é o cenário do cinema mundial, mas no Brasil, fazendo um caminho inverso do que fez o longa A Mulher Invisível, um seriado virou filme. Baseado no série Cilada da tv por assinatura, no canal Multishow, Cilada.com é uma grata surpresa para aqueles que já curtiam o programa e gostam do humor feito por Bruno Mazzeo. Mas o melhor é poder afirmar que os que nunca tiveram a oportunidade de assistir têm fortes chances de rir muito também. A sequência inicial, por exemplo, é comédia pura no melhor estilo de Blake Edwards e Mel Brooks.

Na trama, Bruno (Mazzeo) pisa na bola com a namorada e acaba tendo um vídeo divulgado por ela na internet, queimando o filme dele no quesito "desempenho sexual". Daí em diante, prepare-se para acompanhar a saga do protagonista, tentando reconquistar a sua amada de variadas formas e sem o menor traquejo para uma simples declaração de amor tão aguardada por ela. Diferente do programa onde uma telinha se abria na parte inferior do monitor da TV para o personagem levantar suas típicas e hilárias indagações, no longa elas estão inseridas nos diálogos, permitindo uma fluidez maior do riso, que vai correr solto até boa parte da produção e se perder um pouco (lá pelas tantas) com algumas baixarias. Nada que comprometa, mas pode incomodar. Na verdade, esses momentos denotam um certo flerte com os filmes dos irmãos Farrely (do ótimo O Amor É Cego ), que volta e meia carregam na tinta com cenas desnecessárias.

Dirigido por José Alvarenga Jr. (Divã), o elenco tem rostos e participações conhecidas. Sérgio Loroza (Carandiru) está impagável como o bizarro cineasta Markonha e os amigos de Bruno, interpretados por Thelmo Fernandes (Malu de Bicicleta) e Augusto Madeira (Os Desafinados), ratificam a posição de atores que podem ser mais do que meras "escadas". Ah! O vidente/pai-de-santo de Luís Miranda (Muita Calma Nessa Hora) também rendeu. A curiosidade vai para a pequena participação de Debora Lamm (eterna companheira de Bruno no seriado), aqui substituída por Fernanda Paes Leme, que deu conta do recado como traída e apaixonada. E para os quarentões mais atentos, o chefe de Bruno (Fulvio Stefanini) parece demais uma reencarnação do famoso compositor Ray Conniff (1916-2002).

Foi interessante notar que permeado com diferentes versões da balada "Por Tudo o que For" de Lobão (aquela do belo verso "Vou dormir sentindo o que a solidão pode fazer"), a comédia também pode emocionar aqueles que buscam somente o riso. Mais do que tratar de uma tema tabu para os homens, o roteiro explora - na verdade - uma história de amor com uma abordagem diferenciada. E no fim de toda essa bagunça causada por uma tremenda mancada, fica a (válida) mensagem de que existem mil maneiras de se pedir desculpas, mas somente uma de - realmente - dizer: "eu te amo".

Quer ver mais críticas?
  • As últimas críticas do AdoroCinema

Comentários

Mostrar comentários
Back to Top