Frescor do passado
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De Roberto Cunha
Quem pretende ir ao cinema ligado no trabalho do ator Wagner Moura ou, mais especificamente, conectado com o sucesso de Tropa de Elite 2 deve ficar alerta porque nessa nova produção não existe o menor resquício de Capitão Nascimento e é justamente isso que a transforma num programa interessante.
Na história, Marcelo (Moura) é um jovem criado pela mãe (Gisele Fróes) e demonstra, com a ausência da figura do pai, dificuldades de se encontrar na vida. Personagem de um mundo só seu, mas povoado pelos outros, ele reina absoluto em sua busca por uma identidade, nem que para isso tenha que inventar uma ou, pior, roubar a de alguém.
Inspirado nas experiências do criminoso real condenado por tráfico de drogas que enganou um monte de gente, como a célebre gafe cometida pelo apresentador de televisão Amaury Jr, o longa tem começo, meio e fim bem definidos. E nele você vai conhecer o perfil de um cara que resolveu tomar as rédeas do destino e com a ajuda do acaso, que conspirou a favor, acabou vivendo uma intensa aventura.
É quando Marcelo vira Dumont no Mato Grosso do Sul para depois tornar-se Carrera no Paraguai, transformando-se mais tarde em Henrique Constantino, em pleno carnaval de Recife. Explorando de maneira hábil o constante conflito do personagem, a pergunta que fica é: Quem ele pensa que é?
Dirigido por Toniko Melo, publicitário com experiência em documentários, mas debutante na ficção, o filme foi produzido pelo brasileiro Fernando Meirelles (Cidade de Deus) e bancado pelos gringos do estúdio Universal. O resultado é um produto com apuro técnico na captura das imagens, som e na edição, envolvendo você facilmente na trama ilustrada por boa trilha sonora regada a saudosa banda Legião Urbana.
Destaca-se do filme, inclusive, a divertida passagem em que Carrera solta os bichos interpretando Renato Russo no Paraguai. Das referências sapecadas no roteiro, a forte ligação de Marcelo com a aviação se faz presente no simples confeccionar de uma gaivota de papel, quando foi preso pela Polícia Federal ou na sua vibração durante a primeira decolagem, gritando "Tora! Tora! Tora!" numa clara alusão ao clássico de 1970 sobre o ataque de Pearl Harbor. Curiosamente, uma pequena mancada do longa está numa sequência em que o personagem diz para os amigos traficantes não entender bem o significado de um voo kamikaze. Logo ele que sabe tudo sobre o tema?
De qualquer forma, prepare-se para encarar um roteiro que explora o efeito dominó com um pouco de humor, suspense, drama e apresenta muito daquele cinema de qualidade, cujo objetivo principal é o entretenimento, mas sem deixar de lado a reflexão numa crônica social recheada de metáforas e salpicada de valores rasos típicos da sociedade brasileira. Virulento, intrigante, pertinente e sarcástico. VIPs.
Veja imagens, curiosidades e o trailer em VIPs.
De Francisco Russo
Há filmes em que uma atuação é tão impactante que ofusca tudo o que há ao redor dela. Há poucos meses foi visto nos cinemas brasileiros um caso do tipo, com Javier Bardem sendo bem superior ao filme que estrelava, Biutiful. Algo parecido acontece com VIPs. A diferença é que aqui tudo foi elaborado de forma a servir de escada para que Wagner Moura brilhe intensamente. E o eterno capitão Nascimento não decepciona.
VIPs não é precisamente situado, tanto em localidade quanto em época. Sabe-se que a história começa seis anos antes, mas quando não é informado. A apurada direção de arte planta algumas pistas que respondem a questão, como a foto de Débora Bloch em Bete Balanço e a presença da canção "Eu Sei", da Legião Urbana, na rádio. Meados dos anos 80, pode-se deduzir. Já a neutralidade dos sotaques impede a definição da localidade, o que na verdade pouco importa. O salão de Sílvia (Gisele Fróes, bem) pode estar em qualquer lugar do país, já que as características peculiares da região não influenciam. Importante mesmo é o ambiente familiar, formado por Marcelo (Wagner Moura), sua mãe e o pai, ídolo de infância.
O apelido "Bizarro" faz jus ao Marcelo ainda jovem, em pleno colégio. Estranho e com o dom de imitar a voz e os trejeitos dos colegas de classe, ele vive deslocado em seu mundo. Também em casa isto acontece, já que sonha seguir o pai e se tornar aviador. Extremamente inteligente e sem qualquer trava moral, Marcelo passa a usar seus dons para aplicar pequenos golpes, de forma a viabilizar o sonho de voar. É o bom malandro, aquele que burla a lei para conseguir vantagens pessoais sem provocar grandes prejuízos. Em meio aos golpes surge a constatação de que Marcelo passa a acreditar piamente que é o personagem criado, anulando por completo sua verdadeira identidade. Ou seja, as mudanças não são apenas uma questão de sobrevivência ou de realizar um sonho antigo, mas também trazem consigo um forte lado psicológico.
Em meio às transformações, VIPs conta com um Wagner Moura inspirado. Cada fase da vida de Marcelo ganha características próprias, indo da postura aos trejeitos e modo de falar, passando ainda pelo visual do próprio ator. É possível, apenas ao olhar, identificar qual personagem Marcelo encarna. A cara de pau exibida em momentos que poderiam ser constrangedores, como a presença no camarote vip no Carnaval de Recife, e as imitações que realiza, das mais simples até a antológica performance como Renato Russo, valhem o ingresso.
VIPs é um filme divertido, que se apoia na bela performance de Wagner Moura. O elenco de apoio é competente e dá conta do recado, mas diante do desempenho de seu protagonista acaba sendo ofuscado. O mesmo vale para a história em si, que não desenvolve bem o lado psicológico mas se sustenta no insólito das situações vivenciadas por um legítimo picareta brasileiro. Trata-se de um show solo, daqueles que o astro sempre tem músicos acompanhando mas cujos nomes poucos se lembram. O filme vale, acima de tudo, por Wagner Moura, apesar da direção de arte e a fotografia também merecerem destaque.
De Lucas Salgado
VIPs conta a divertida história de um picareta brasileiro, Marcelo do Nascimento.
Assim como Frank Abagnale Jr., personagem vivido por Leonardo DiCaprio em Prenda-me Se For Capaz, Marcelo é um apaixonado por aviação que ficou conhecido por assumir uma série de identidade para aplicar golpes. Em seu momento mais inspirado, e conhecido, se passou por Henrique Constantino, filho do dono da companhia aérea Gol, durante o carnaval do Recife.
Como podem ver, o filme tem um link claro com o filme de Steven Spielberg. No entanto, esta ligação existe apenas com relação à história, pois a estrutura - infelizmente - não poderia ser mais diferente.
Catch Me If You Can (no original) aposta na criação de um vínculo entre o público e o personagem e não apenas no desenvolvimento de uma história legal. Já no início somos apresentados à Frank e suas disfunções familiares para depois nos vermos torcendo loucamente para que se dê bem em seus golpes - independente de já sabermos, por se tratar de uma história real, de que isso não aconteceria.
Em VIPs, também já conhecemos o desfecho da história, e nem por isso deixamos de nos divertir, mas a diferença fundamental é que em nenhum momento nos vemos dentro da trama, torcendo para o sucesso do personagem.
Com roteiro de Bráulio Mantovani (indicado ao Oscar por Cidade de Deus) e Thiago Dottori, o longa tem como mérito principal a atuação de Wagner Moura. O ator carrega o filme nas costas diante da ausência de bons coadjuvantes.
Moura só não se sai bem ao tentar se passar por um garato de 16 ou 18 anos ainda no colégio. O intérprete do Capitão Nascimento definitivamente não tem tanta cara de garoto assim. Teria sido melhor contratarem um outro ator para viver essa fase do personagem ou trabalharem melhor o figurino do ator, ao invés de apenas colocá-lo com um cabelo estranho.
VIPs é um filme que cumpre seu propósito de divertir e contar a história de Marcelo, mas não faz nada além disso.
De Joss Whedon
Com Robert Downey Jr., Chris Evans
Ação
De Jon Hurwitz, Hayden Schlossberg
Com Jason Biggs, Alyson Hannigan
Comédia
De David Foenkinos, Stéphane Foenkinos
Com Audrey Tautou, François Damiens
Romance
De Rupert Sanders
Com Kristen Stewart, Chris Hemsworth
Filme - Fantasia
Trailer
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