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Os Normais 2 - A Noite Mais Maluca de Todas
Críticas AdoroCinema
4,0
Muito bom
Os Normais 2 - A Noite Mais Maluca de Todas

TRIÂNGULO SEXUAL

por Roberto Cunha

Quem se divertiu com o seriado da televisão e com o filme Os Normais, tem grandes chances de gostar de Os Normais 2 - A noite mais maluca de todas. E o motivo é óbvio: Rui  (Luiz Fernando Guimarães) e Vani (Fernanda Torres) estão de volta. Por outro lado, se você integra o time dos que ficaram meio incomodados com o excesso de sexo nos diálogos do casal nos últimos anos, prepare-se porque esse longa se alonga sobre o tema. E é a três. O aviso está dado.

O filme começa com os dois cantando num karaokê (?!) o sucesso do cantor Rick Martin ("Living' La Vida Loca"). Só que a letra da música, claro, foi modificada e seu conteúdo e conotações são totalmente sexuais. E tão logo acaba a apresentação, eles emendam num papo sobre, adivinha o que? Sexo. E é aquilo. Se antes, eles discutiam a relação de uma maneira mais cerebral (fizeram sucesso com isso na primeira temporada), agora, como já disseram nas ruas é "tchaca tchaca na buchaca". Os dois vão direto ao ponto. G ou não. E sempre com trocadilho. Depois de debater no banheiro das mulheres sobre a escassez de sexo na relação com Rui, Vani descobre que a solução para os dois está no número três. E assim, um famigerado ménage à trois, uma fantasia sexual de homens e mulheres, é o caminho encontrado para esquentar o relacionamento deles que anda muito morno. Rui e Vani partem para a caçada numa aventura no melhor estilo Jack Bauer do seriado 24 Horas. Afinal, como o título já entrega, começa numa noite, vara a madrugada e termina na manhã seguinte. Sem sapatinho de cristal.

Os diálogos são totalmente desprovidos de freios e palavras como xoxot*, piroc*, xerec*, entre outras, surgem aos montes. Uma coisa que se nota claramente em Os Normais 2 - A noite mais maluca de todas é a descambada para o besteirol. Embora o filme seja garantia de diversão, algumas de suas cenas são descartáveis e não fariam falta. Pelo contrário, elas sobram e até quebram o riso. Um exemplo claro é a cena da bengala enfiada no pavilhão retofuricular de um paciente do hospital. Bizarra e ridícula. O galo fálico da prima Silvinha (Drica Moraes) também é gratuito. Por outro lado, algumas sacadas são de tirar o chapéu. Sob o pretexto de que precisavam encontrar um bisexual para participar da farra, os dois vão parar numa festa onde se ouve da rua: "É Bi! É Bi!" Animados, eles penetram na comemoração e a abordagem tentando descobrir quem seria a "bi" rende boas risadas. Sem contar o fato de que Vani dá uns tapas (calma... sadô só no próximo filme) num cachimbo da paz, fica doidona e diverte com suas paranóias durante a festa.

E o nonsense toma conta da história depois que os dois conhecem uma francesa (Mayana Neiva) e "entendem" o que ela diz do jeito que eles "imaginavam" como seria aquela noite. Assim, quando a gringa diz que procura uma empregada (femme de ménage), eles vibram com a descoberta. O mesmo acontecem quando ela fala sobre crianças (bons enfants) e a dupla pensa logo no buzanfã. O mesmo acontece com "le cou" e "rendez vouz", devidamente traduzidos por eles. Mas nada se compara a entrada de um bicho preguiça na história, rendendo advertência brincalhona na tela (como aquelas dos ministérios, etc). E bom mesmo é o diálogo de Rui com o traficante de animais. Rápido, rasteiro, mas muito divertido.

Com elenco conhecido em várias participações, os destaques vão para a coreografia axé de Cláudia Raia e o amigo Iurinei (Daniel Dantas). Dois bons momentos. A trilha rende homenagens à Raul Seixas e As Frenéticas. Entre as curiosidades, uma propaganda de Iguabinha no display do táxi que conduz Rui e Vani. Deve ser alguma sacanagem com aquela região. Merchandising ?! Será? O filme tem ritmo e a direção de José de Alvarenga Jr. é coerente. As barrigas do roteiro acontecem em poucos momentos quando o exagero toma conta. Não fosse este ponto, a transa, quer dizer, a trama seria perfeita. Vale o ingresso para quem vai sozinho, devidamente enrabichado ou ainda duplamente acompanhado. Afinal de contas, são tempos modernos. O menáge chegou no cinema. Veja você. ... Mas olhar já é coisa de voyeur. Humm... que paranóia. Isso não é normal.

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