Críticas AdoroCinema do filme Herbert de Perto
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Críticas AdoroCinema Herbert de Perto

1,5

De Roberto Cunha

Para quem teve a oportunidade de vivenciar o começo de tudo (como eu) assistir Herbert de Perto é uma volta ao passado do Rock Brasil dos anos 80, auge da rádio Fluminense Fm, Maldita, e do Circo Voador, que começou no Arpoador, no Rio de Janeiro. Porém, mais do que isso, o documentário de Roberto Berliner e Pedro Bronz revela parte das entranhas de uma vida regada a música e obstinação, nesta ou em qualquer ordem. E tudo bem de perto.

Herbert de Perto começa com um depoimento profético do cantor, ainda jovem, falando sobre um eventual acidente em sua vida e qual seria sua postura diante do fato ainda inexistente. O detalhe é que você assiste com ele, o próprio Herbert, já depois do acidente. Este, aliás, é um dos diferenciais da produção. Com cenas felizes e cheias de vigor, o filme vai revelando para o espectador - e também para ele - os bastidores de Herbert Vianna e do indissociável grupo Paralamas do Sucesso. Para nós, um documentário. Para ele, uma redescoberta.

São muitas curiosidades como os primeiros contatos com a música, o primeiro violão, quem sugeriu a demissão do baterista Vital, personagem que se transformou no primeiro hit do power trio, de onde surgiu João Barone e o curioso nome do grupo. A participação de familiares, profissionais do ramo e amigos do músico serve para dar o verdadeiro panorama dos alicerces que sustentaram a carreira e fortaleceram Herbert ao longo de sua vida. E esta força interior é mostrada nos quase 100 minutos de película a todo o momento.

O documentário é emocionante, mas não é piegas. É como se tivesse emoção na dose certa. É triste, por exemplo, ver com ele cenas da falecida esposa Lucy junto com os filhos se preparando para uma viagem, mas também é animador ouvir de uma pessoa que viu a morte de perto, frases tão fáceis de entender para explicar a complexidade de recuperar a memória pouco a pouco: “vão acendendo luzes”.

Entre os momentos engraçados, o destaque vai para a fase inicial de sua recuperação quando os amigos lembram que tão logo ele recomeçou a falar, às vezes em inglês, cantava letras em músicas trocadas, mas encaixava tudo perfeitamente. Sem contar a sonora e expressiva resposta dada para uma incauta enfermeira que perguntou se Herbert queria alguma coisa e ele disse: “Sim. Quero comer seu cú!”

O roteiro, a edição, a trilha, as imagens de arquivo. Tudo está ali a serviço do conhecimento. Em determinado momento, para simbolizar a memória se esvaindo, flashs de imagens picotados são jogados na tela, dando uma breve ideia do que pode ter acontecido com a cabeça do músico. Um míope visionário, um conquistador, não no sentido “mulherengo”, mas alguém que sempre buscou ser o melhor e conquistou um improvável sucesso na Argentina, cantando em espanhol, em plena recessão musical no Brasil.

“Sempre amei guitarra e voar”. Tão marcante quanto os solos ou riffs criativos de guitarra, a sua obstinação é um ponto tocado por quase todos que participam do filme, seja amigo, familiar ou médico. Algo que fica nítido ao se descobrir um menino que adorava a música e sonhava seguir a carreira do pai como piloto de avião. Um cara que transformou o problema de visão, que o impediu de ingressar na Aeronáutica, no sucesso “Óculos” e realizou seu sonho de voar. Infelizmente, este foi também o seu pesadelo.

”Quero me dedicar aos filhos e a música”. Em uma produção sobre alguém que quase morreu e superou momentos difíceis é de se esperar alguma dose de lágrimas. E os depoimentos de familiares, por mais suspeitos que sejam (é natural), são carregados de emoção, divertidos e bonitos. E é interessante ver Hermano Vianna, sempre orgulhoso, ressaltar o fato de que seu irmão amadureceu com o público. Ou seja, é como se os ‘paralamas’ fossem apenas peças integrantes de um veículo inteiro chamado Herbert Vianna. Herbert de Perto é uma história de vida. E como diz a letra: um “amor que deu certo”.

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