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Histórias que Só Existem Quando Lembradas
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4,0
Muito bom
Histórias que Só Existem Quando Lembradas

Espaços vazios

por

Histórias que Só Existem Quando Lembradas marca a estreia na direção de longas de Julia Murat, filha da cineasta Lucia Murat (Uma Longa Viagem), e é inegável que já no primeiro trabalho a diretora coloca seu nome dentre os jovens realizadores que merecem ser observados no Brasil. Exibido no Festival de Veneza e no Festival do Rio em 2011, o filme trata de assuntos sérios como solidão e abandono a partir de uma perspectiva inusitada e sensível. 

Rita (Lisa E. Favero) é uma jovem fotógrafa que chega à Jotuomba, no interior do estado do Rio de Janeiro. Ela encontra uma cidade praticamente devastada pelo tempo e ignorada pela tecnologia. Lá, conhece Madalena (Sonia Guedes), uma velha padeira que continua vivendo no local com um pequeno grupo de pessoas. As duas desenvolvem uma estranha e afetuosa relação.

Favero é uma grande revelação do filme. Além de uma beleza genuína, ela demonstra uma delicadeza impressionante. Também merece aplausos por sua capacidade de se inserir em meio a um elenco de pessoas idosas e não destoar totalmente. É claro que há um choque de culturas e personalidades - isso, inclusive, é objeto da obra - mas nada que transforme sua personagem em um ser alienígena.

O longa possui um ritmo lento, privilegiando as tomadas estáticas e, algumas vezes, escuras. É curioso notar como a câmera insiste em retratar os personagens, quase sempre, no canto do quadro, dando ao espectador a sensação de que há muito espaço vazio na tela. Justamente a mesma impressão que Rita tem da cidade-fantasma.

Merece destaque a montagem de Marina Meliande (A Alegria), que retrata a rotina do local através da repetição de eventos e situações, como fica claro nos momentos em que mostra Madalena chegando na loja em que vende seus pães. O uso das fotografias de Rita também colabora com o desenvolvimento da obra, fazendo com que a personagem interaja com o ambiente e mostre o resultado para o espectador.

Trata-se de um projeto extremamente ambicioso, que valoriza a narrativa tanto quando o exercício estético, algo que muitas vezes não acontece com realizadores de primeira viagem.

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