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2,5
Regular
Dose Dupla

Dupla renegada

por Francisco Russo

“Todos roubam um pouquinho, é da natureza humana”. Não, Dose Dupla não se passa no Brasil, terra onde toda e qualquer obra pública sempre se prolonga mais do que deve e cuja corrupção é um mal entranhado nos mais diversos níveis da sociedade. A frase que dá início a este texto é dita por um traficante mexicano, Papi Greco, e pode ser interpretada como a síntese do que é o filme: uma analogia política, com uma certa dose de sarcasmo, sobre a realidade por trás da aura de perfeição do sonho americano. O problema? Por mais que esta proposta seja bem interessante - e até ousada -, o diretor Baltasar Kormákur acaba preferindo apostar na troca de tiros ao invés de desenvolvê-la a contento.

Dose Dupla - FotoTudo começa com a dupla formada por Bobby e Stig, que elabora um assalto a banco para pegar o dinheiro que supostamente estaria sendo depositado pelo tal traficante mexicano. Só que Bobby é um agente infiltrado pela Narcóticos e Stig, por sua vez, também trabalha camuflado, só que para a inteligência da Marinha. Detalhe: nenhum deles sabe do disfarce do parceiro de crime – o que, obviamente, não demora muito para vir à tona. Duplamente enganados, Bobby e Stig juntam forças a contragosto para que possam sair ilesos da verdadeira caçada feita contra eles.

A grande sacada da graphic novel escrita por Steven Grant, que serviu de base para o filme, foi mostrar que a corrupção está em todo lugar nos Estados Unidos e que o lado mais violento é justamente aquele que representa o governo. Daí pode-se tirar várias interpretações nos mais diversos níveis, mas o filme prefere manter este cenário apenas como pano de fundo. A prioridade é levar às telas cenas de ação envolvendo os astros Denzel Washington e Mark Wahlberg. Bem feitas, é verdade, mas também banais. E, em muitos casos, servindo mais como exercício de estilo para o diretor do que pela real necessidade da trama como um todo. O melhor exemplo é o desfecho, criado de forma a colocar em um mesmo local “heróis” e “vilões”, todos em confronto direto repleto de explosões.

Dose Dupla não chega a ser um filme ruim, mas acaba deixando a desejar diante do potencial que tinha em mãos. A história dos infiltrados renegados tendo que enfrentar velhos amigos em três níveis distintos é boa demais para ser relegada a um punhado de cenas de ação estilizadas, mesmo que estas contem com o carisma de Washington e Wahlberg. A dupla, por sinal, está bem na pele de personagens mais descontraídos e o filme até tem alguns diálogos bacanas. O que peca mesmo é o roteiro, especialmente em seu terço final, quando praticamente deixa de lado o desenvolvimento da história.

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Comentários

  • Daniele F.

    Um dos melhores desse ano! Com muita ação, diversão e inteligência. Não poderia ter sido melhor.. Denzel Washington e Mark Wahlberg são maravilhosos!!

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