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    J. Edgar
    Críticas AdoroCinema
    3,0
    Legal
    J. Edgar

    PAIXÃO SEM LIMITES

    por Roberto Cunha

    Não são muitos os homens que conseguem fazer de uma certeza ou obsessão, mais precisamente, um caminho a se trilhar com sucesso. John Edgar Hoover conseguiu. E se você ainda não associou o nome a nenhuma de suas conquistas, ele vem a ser o nome mais importante do FBI, instituição famosa no mundo inteiro, presença certa no cinema e na televisão.

    Muito bem interpretado por Leonardo DiCaprio, J. Edgar é um filme sobre paixão no sentido mais pleno da palavra. Mostra sem rodeios o encantamento por Helen Gandy (Naomi Watts), que focada no trabalho o dispensou para se tornar sua fiel secretária, e revela que a explorada figura de homem forte da lei era, na verdade, um escudo de alguém frágil, altamente influenciado pela mãe (Judi Dench) e, mais, enamorado por seu assistente Clyde Toslon, bem vivido por Armie Hammer.

    Cheio de idas e vindas no tempo, a história pode confundir um pouco, mas nada que comprometa sua compreensão. Vencedor do Oscar com outra cinebiografia (Milk - A Voz da Igualdade), o roteiro de Dustin Lance Black não deixa passar nada, ilustrando, ora claramente, ora de um jeito mais velado, famosas passagens do polêmico Hoover, capaz de demitir alguém por usar "pelos faciais" (bigode) e provar, do seu jeito, que ideias são crimes e informação é poder.

    Estão lá o seu desejo de fazer dos G-Men (seus agentes) o sonho de qualquer criança americana, o romance de Kennedy com Marilyn Monroe, o sequestro do filho do aviador Charles Lindberg (Josh Lucas), a tensão com o presidente Richard Nixon e a crítica ao ativista político Martin Luther King. Entre as curiosidades, por exemplo, a preocupação da época com James Cagney valorizando os vilões em Inimigo Público (1931), posteriormente revertida com ele protagonizando G Men contra o Império do Crime (1935).

    Com excelente trabalho de maquiagem e reconstituição de época, o espectador pode se surpreender com a devassa que o longa promove na vida de alguém acostumado a se "alimentar" do segredo dos outros. Ele que fez da identificação dos cidadãos motivo para não ter amigos e em 48 anos de serviços, passar por oito presidentes, três guerras, prender milhares de pessoas e deportar outras tantas.

    Tendo faturado pouco para os padrões americanos desde que foi lançado, em novembro passado, nos Estados Unidos e no exterior (cerca de US$ 60 milhões), essa produção do diretor Clint Eastwood descortina por completo os bastidores deste personagem da vida, que acreditava ser o comunismo uma doença e que "quando os homens de bem não fazem nada, o mal floresce". Sem sombra de dúvida, um agente de uma paixão sem limites.

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