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    Mistério no Mediterrâneo
    Críticas AdoroCinema
    2,0
    Fraco
    Mistério no Mediterrâneo

    Figurinha repetida

    por Francisco Russo
    Adam Sandler deve ser um cara muito bacana, tamanha a quantidade de astros de Hollywood que consegue atrair para suas produções - afinal de contas, convenhamos, não é por valores artísticos nem grandes cachês que isto acontece. Alguns deles aceitam até mesmo repetir a dose, como acontece com Jennifer Aniston neste Mistério no Mediterrâneo - antes já tinham trabalhado juntos no bacana Esposa de Mentirinha. A grande pergunta é: por quê?


    Por maior que seja a amizade ou mesmo o prazer em trabalhar junto, é ao menos questionável o motivo de Aniston ter aceito este papel, pelo modo como sua personagem é representada. Se Sandler mais uma vez reprisa seu personagem grosseiro de bom coração, tantas vezes visto em tantos de seus filmes, é impressionante - mas não surpreendente - que as piadas vulgares inseridas neste filme volta e meia sirvam para enganar ou diminuir sua própria esposa. Senão, vejamos: Sandler questiona um milionário se estaria interessado em pagar para ter relações sexuais com Audrey, para logo em seguida emendar o quanto pagaria; ele a diminui devido ao seu trabalho como cabeleireira; constantemente mente para ela por pura vaidade pessoal, ao esconder a reprovação nos testes para detetive; sequer respeita o tempo de casado ao mais uma vez mentir, quando é pressionado sobre a prometida e nunca cumprida viagem de lua-de-mel à Europa.

    Se tamanha coletânea de grosserias faz parte do arsenal habitual do comediante, é de se estranhar que, nos dias atuais, uma atriz de renome como Aniston ainda concorde em se sujeitar a este tipo de personagem, o da mulher que aceita tudo que vem do marido com um sorriso no rosto ou perdão após breves desculpas.


    Questionamentos morais a parte, Mistério no Mediterrâneo tem duas facetas que se alternam no longa-metragem: a primeira é a típica comédia vulgar de Sandler, que tanto atrai amantes quanto detratores; a segunda é uma certa paródia aos filmes de mistério a la Agatha Christie, no sentido de brincar com elementos de suspense que tanto atraíam a escritora. Em escancarada citação à trama de Assassinato no Expresso do Oriente, o tal mistério do título acontece em um ambiente isolado rodeado de possíveis autores. Desvendar o responsável é o pulo do gato, mesclando thriller investigativo com as trapalhadas do casal que a tudo presencia, sempre por acaso.

    É a partir do assassinato que o filme, enfim, encontra um rumo. Sob o verniz do verão europeu, com uma fotografia que explora as belíssimas paisagens de Mônaco, o roteiro de James Vanderbilt se transforma em uma rocambolesca busca pelo responsável pelo crime, variando (e descartando) suspeitos com imensa agilidade. O crime em si não importa, o foco é mesmo na dinâmica entre Sandler & Aniston em fugir dos imprevistos que surgem a todo instante. Não chega a brilhar, mas funciona.


    É uma pena que Mistério no Mediterrâneo demore tanto a se encontrar, perdendo cerca da metade de sua duração em piadas tolas e preconceituosas. Sandler e Aniston possuem um bom timing juntos e, por mais que este seja inferior a Esposa de Mentirinha, até diverte quando o longa decide abandonar de vez as grosserias. Trata-se do melhor filme lançado pelo ator na Netflix, por mais que, ainda assim, tenha seus problemas não apenas pelo humor empregado mas também pelo exagero nos estereótipos em relação aos coadjuvantes da trama.
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