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O Passageiro
Críticas AdoroCinema
3,5
Bom
O Passageiro

Com emoção

por
O Passageiro é uma combinação de suspense muito semelhante com Assassinato no Expresso Oriente, porém mais complexo e bem arquitetado que o novo filme de Kenneth Branagh, e do tipo que se propõe a ser essencialmente: o novo longa de ação de Liam Neeson. E é, assim, uma bela combinação, contornando conflitos tênues, o CGI barato e a banalidade de algumas escolhas com uma boa articulação de sequências de ação empolgantes e tensão constante, do início ao fim.

O grande mérito do projeto é de Jaume Collet-Serra. Em seu quarto trabalho com Liam Neeson depois de DesconhecidoSem Escalas e Noite Sem Fim, o diretor e produtor executivo é inteligente em contratar um roteirista — Ryan Engle, de Sem Escalas — que sabe escrever para o ator, explorando as facetas estabelecidas desde o primeiro filme de Liam Neeson no gênero, Busca Implacável: antes de um policial veterano com habilidades marciais e estratégicas, um homem de família.



Isto é logo apresentado em uma sequência de abertura que alterna diversos tempos para mostrar o cotidiano cíclico, porém bonito do protagonista Michael MacCauley com a esposa Karen (Elizabeth McGovern) e o filho Danny (Dean-Charles Chapman, de Game of Thrones), a quem ajuda no ensino apesar da vida corrida, usando o percurso de casa ao trabalho para ler os mesmos romances clássicos que o herdeiro precisa estudar para passar na universidade. Uma introdução que explora técnicas variadas da linguagem cinematográfica (raccord, flash-forward, ferramentas digitais, uma fotografia linda) para, com elegância e dinamismo, envolver o público em um protagonista complexo.

Um sinal dessa boa sintonia entre a equipe de roteiristas (completada pelos estreantes Byron Willinger e Philip de Blasi, autores do argumento) e Jaume Collet-Serra é a condução minuciosa de O Passageiro. O filme cria uma atmosfera desde o princípio, o que permite um adiamento de seu mote principal sem gerar cansaço; ao contrário, a trama vai se construindo gradativamente, nos detalhes, e na imagem. Por exemplo, a câmera do diretor é capaz de criar suspeitos se atentando aos menores gestos, expressões e olhares. O suspense decorrente é até mais magnético que nas muitas reviravoltas do texto — menos imprevisíveis do que se supõem (vejam sem saber nada!) e um tanto dependentes de suspensão da realidade.



No geral, O Passageiro é muito mais feito de acertos. Para cada problema de resolução rápida, duvidosa ou abandonada, a positiva autoconsciência dos detalhes plantados no início que só irão se refletir e justificar no final. Se as motivações soam genéricas e a chantagem a Michael MacCauley é aquela mesma que fez Bryan Mills partir numa busca implacável, a edição dinâmica e os passeios da câmera pelos vagões de um barril de pólvora em forma de trem levam à frente uma narrativa cheia de energia. E quando os efeitos digitais decepcionam, temos Liam Neeson cheio de dignidade, inteligência e bem-vinda vulnerabilidade saindo no braço em cenas de luta repletas de tensão ou em um desfecho gratificante.

Por isso tudo, O Passageiro vale a pipoca como um bom representante da dobradinha Neeson/Collet-Serra: se não obras brilhantes, se não suspenses policiais diferenciados, sempre filmes muito competentes em sua proposta de entreter e, eventualmente, lançar o espectador à ponta da poltrona.
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