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    Fúria Sobre Rodas
    Críticas AdoroCinema
    2,5
    Regular
    Fúria Sobre Rodas

    Cadê a barraca?

    por Lucas Salgado

    Fazer um filme trash é, muitas vezes, para um cineasta, chutar o pau da barraca e abrir mão de elementos importantes em um filme em prol de uma trama bizarra e abundantes efeitos estéticos. Em Fúria Sobre Rodas, no entanto, o diretor Patrick Lussier tentou fazer isso, mas não foi possível porque a produção não possui qualquer estrutura - seja narrativa ou visual. No final das contas, não há barraca. A falta de compromisso do longa é tanta que este se aproxima mais do sentido literal da palavra trash (lixo) do que do gênero de filmes B que leva este nome.

    É provável que por diversas vezes você se questionará ao assistir o longa. "É isso mesmo?", "estou vendo isto?" ou "sério que alguém investiu dinheiro neste filme?" são algumas das perguntas que devem surgir. E, infelizmente, a resposta para todas é SIM.

    Há 11 anos, Nicolas Cage estrelou 60 Segundos, longa de ação de Dominic Sena que contava com a presença da ainda pouco conhecida Angelina Jolie, e é triste constatar que quase nada mudou na carreira do ator e que este continua fazendo filmes de péssima qualidade - nos últimos anos só se salvaram O Senhor das Armas, Vício Frenético e Kick Ass - Quebrando Tudo.

    Mas as semelhanças entre Gone in 60 Seconds (no original) e este Fúria Sobre Rodas vão muito além da presença de Cage. Os dois filmes contam com roteiro falho e uma atriz em ascensão (aqui Amber Heard), isso sem falar que nenhum dos dois foi bem sucedido nas bilheterias dos Estados Unidos.

    Com diálogos inacreditáveis (no pior dos sentidos) e frases de efeito dignas dos anos 70, Drive Angry (no original) é uma sucessão de erros, parecendo aquele tipo de filme que é feito dentro de obras de ficção - em especial em séries de TV - para parodiar obras de segunda categoria (quem é fã de "Community" vai lembrar do fictício Kickerpunch, enquanto que os de "The Office" podem ficar com Threat Level Midnight, e por aí vai).

    A trama do filme envolve satanismo, vingança, religião e tudo mais que sirva de desculpa para uma ação desenfreada e sem propósito. Em alguns momentos lembra até mesmo Motoqueiro Fantasma, também com Cage. A diferença é que, pelo menos, Fúria Sobre Rodas não se leva a sério.

    Outro mérito do filme é a boa utilização do 3D. A importância do formato foi tanta para o longa que a Warner destacou no próprio cartaz: "Filmado em 3D". É claro que isso mostra uma supervalorização do formato, mas também não há como negar que certas cenas ficaram muito boas e por mais que algumas sequências explorem apenas a arma do protagonista apontando para fora da tela, outras se saem bem melhor, principalmente no que diz respeito à profundidade.

    Não é impossível achar graça da produção, mas é difícil ter que fazer tanta concessão para valorizar um longa. No final das contas a solução é simples: Fúria Sobre Rodas não é um bom filme ou mesmo algo perto disso.

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