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    A Garota da Capa Vermelha
    Críticas AdoroCinema
    1,8
    Fraco
    A Garota da Capa Vermelha

    FÁBULA SEM BRILHO

    por Roberto Cunha

    A primeira coisa que despertou a atenção na fase de pré produção deste filme foi o fato de que seria uma versão mais pesada do clássico Chapeuzinho Vermelho, popularizado pelos irmãos Grimm. Afinal, as fábulas infantis serão sempre um incrível manancial de viagens psicológicas e questionamentos existenciais. E são grandes as chances de se fazer algo interessante – e novo - a partir de um modelo contado tantas vezes ao longo dos anos. No entanto, o que chega agora nos cinemas acertou em cheio em alguns pontos, mas errou feio em outros.

    Na história, Valerie (Amanda Seyfried) é uma jovem que vive numa aldeia isolada do mundo e próxima da temida Floresta Negra. Sua mãe (Virginia Madsen) acredita no casamento arranjado, o pai é um típico perdedor e sua avó (Julie Christie) faz o “bicho grilo” da galera, morando numa casa de árvore. Para adicionar mais tempêro na trama com a netinha, lobo mau e a eterna vovozinha, o roteiro bota a mocinha dividida entre o amor que sente pelo melhor amigo pobretão e o futuro certo que terá ao lado de um rico morador da cidade, pelo qual não sente a menor atração. Uma morte inesperada provoca a ira dos moradores que saem a caça, mas padre Solomon (Gary Oldman), especialista no assunto, chega na área dizendo que o mal está entre eles e começa uma verdadeira inquisição, criando um bom clima de mistério sobre quem poderia ser o lobisomem. Então por que não deu certo?

    Produzido pelo astro Leonardo DiCaprio e roteirizado pelo mesmo cara que fez o suspense A Órfã, o longa foi dirigido por Catherine Hardwicke, aquela que deu início a febre Crepúsculo nos cinemas. E aí, talvez, esteja uma das razões. Embora tenha um bom figurino, fotografia, trilha sonora e elenco, o roteiro foi superficial demais. Faltou algo para gerar um maior envolvimento no espectador. E o que era para ser mais pesado acabou ficando leve, apesar dos ingredientes de qualidade para a trama de amor e traição.

    Nos detalhes, o filme acerta no visual e insinua até uma "modernidade" numa espécie de festa pagã com música eletrônica (?),  acrescida de um clima lésbico com a protagonista. Teve até um ensaio de cena mais quente com ela, mas não passou disso. Os efeitos especiais com o lobão são apenas razoáveis e os diálogos (também com ele !?) são sofríveis.

    Entre as curiosidades, um elefante-sauna usado como tortura e a participação de Luka Haas (o menino do clássico A Testemunha) como um padre puxa-saco insuportável. Falando nisso, mais uma vez, Oldman faz um personagem estereotipado, beirando a histeria. Mas o mais curioso mesmo foi uma cena hilária (perdida no contexto) remetendo as clássicas perguntas sobre orelhas, nariz e boca para a vovozinha.

    A impressão que dá é de se estar diante de algo bem elaborado e preparado para dar certo, seguindo uma cartilha. E para alguns, o filme vai seguir “pela estrada afora e vai bem sozinho”. Para outros, isso pode não acontecer porque o sucesso “crepuscular” está aí para provar que a massa vê brilho em obras assim, meio opacas. Quer ver um filme "lupino", passe os olhos em Lobo, com Jack Nicholson e Michelle Pfeiffer. Tem diferença.

    Veja fotos da produção, curiosidades e assista o trailer em A Garota da Capa Vermelha.

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