Críticas AdoroCinema do filme Um Parto de Viagem
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Críticas AdoroCinema Um Parto de Viagem

2,0

De Francisco Russo

O diretor Todd Phillips há tempos batalha para alçar ao primeiro time de Hollywood. Sempre no ramo das comédias, ele fez relativo sucesso com Dias Incríveis e estourou de vez com Se Beber, Não Case. A comédia que reunia quatro amigos em uma louca despedida de solteiro lhe deu carta branca para o trabalho seguinte, Um Parto de Viagem. O que inclui ter em mãos um ator no auge da carreira, Robert Downey Jr., e a chance de reprisar como protagonista uma das revelações de seu filme anterior, Zach Galifianakis. A fórmula a ser aplicada era o batido road movie pelas estradas dos Estados Unidos, envolvendo dois personagens completamente diferentes um do outro. Ao menos na teoria, seria um prato cheio para muitas risadas. Só que, na prática, não é bem isto que acontece.

A história começa com Peter Highman (Downey Jr.), que está prestes a ser pai pela primeira vez. Ele deseja pegar o avião para enfim reencontrar a esposa (Michelle Monaghan, apagada) mas, no meio do caminho, cruza com Ethan Tremblay (Galifianakis). Logo surge uma antipatia natural de Peter em relação a Ethan. Afinal de contas, ele é desleixado, expansivo, abusado e, ainda por cima, usa drogas. Já Peter é o oposto de tudo isso. Arquiteto bem sucedido, sério, de ar altivo. Conviver com Ethan é um sacrifício necessário, já que devido a um mal entendido está proibido de viajar de avião e sem sua carteira. E Ethan, bem ou mal, tem um carro alugado e lhe oferece carona. Resultado: pé na estrada.

A partir de então segue-se uma sucessão de brigas e confusões envolvendo a dupla, desde o tradicional acidente causado por ter dormido ao volante até as discussões devido à maneira distinta como vêem o mundo. Até aí, nenhuma novidade. Só que Phillips tenta fazer graça usando o politicamente incorreto, o que significa bater em crianças, provocar briga com um deficiente físico, cuspir em cachorro e, é claro, usar drogas. O que deveria fazer rir apenas surpreende pelo inusitado e, em certos casos, constrange pelo exibido.

Diante desta opção, pouco há o que fazer para Downey Jr. e Galifianakis. Eles são apenas estereótipos, personagens de características engessadas que entram sempre em conflito e, aos poucos, têm o coração amaciado em relação ao perfil do outro. Tudo dentro do clichê das comédias do tipo. Mesmo as participações especiais de Jamie Foxx e Juliette Lewis pouco acrescentam à trama.

Um Parto de Viagem é um filme que até provoca algumas risadas, aqui e ali, mas apenas isto. Uma comédia que repete situações - a lata com as cinzas, referência a Entrando Numa Fria - em uma trama que não é nem um pouco inovadora. Se ao menos a dupla protagonista tivesse química poderia dar certo, mas nem isto acontece. Apesar de desempenharem de forma correta seus papéis, não há a necessária sinergia entre os protagonistas. Ou seja, trata-se de um filme que até teve boas intenções, mas fracassou em seu objetivo. Todd Phillips ainda não entrou para o primeiro time de Hollywood.

1,5

De Roberto Cunha

Seguir uma receita padrão de pegar um ator consagrado (Robert Downey Jr.), outro em ascensão (Zach Galifianakis), misturar com famosos (Juliette Lewis e Jamie Foxx) e adicionar um rostinho bonito (Michelle Monaghan) é garantia de sucesso? Nem sempre.

Escrito, produzido e dirigido por Todd Phillips, do mega sucesso Se Beber, Não Case! (2009), este novo longa usou os mesmos elementos politicamente incorretos. A diferença, para quem entrar numa de comparar os dois títulos, é que o riso agora não vem tão fácil. Ao contrário, seu parto, às vezes, é mais difícil. Em comum, os filmes têm alguém que precisa chegar em algum lugar e o mesmo ator barbudinho em papel cômico.

Na história, Peter (Downey Jr.) é um cara estressado que está em Atlanta e precisa chegar em Los Angeles para acompanhar o nascimento do primeiro filho. Mas o destino reservou um encontro com Ethan (Galifianakis), aspirante a ator de Hollywood, totalmente maluquete e viciado em maconha, não necessariamente nesta ordem. É quando começa a dar tudo errado, transformando a simples viagem numa verdadeira espiral de acontecimentos insanos.

O nonsense é uma constante. Portanto, prepare-se para ver exageros como portas de veículos arrancadas facilmente, cadeirante bom de briga, cachorro que se masturba, marijuana terapêutica batizada de AK47 ou Aurora Boreal, e até adulto que bate (?!) em criança "capetinha".

Embora o roteiro não tenha nada de novo, seu ritmo é crescente e os diálogos têm piadinhas e citações para todos os gostos. Desde os conservadores que vão curtir o momento ”Marlon Brando em O Poderoso Chefão”, até os moderninhos que podem rir com as citações dos Facebook e Craigslist da vida.

Entre os destaques, a homenagem escancarada ao seriado "Two and a Half Men" e uma trilha sonora clássica que reúne pérolas como Neil Young, Eric Clapton e Pink Floyd.

Assim, você pode até rir, ainda mais se tiver num dia bom para isso. Dizer que o longa não tem bons momentos seria uma crueldade. Mas em um deles, por exemplo, até a letra da música (Hey You), traduz perfeitamente que a química entre os dois atores virou refém (“Together we stand, divided we fall”) de um personagem estereotipado, fazendo do filme nada mais do que um road movie trapalhão.

Assista ao trailer em Um Parto de Viagem.

PS: a música em questão é do Pink Floyd, escrita por Roger Waters.

1,0

De Lucas Salgado

O longa Se Beber, Não Case! não foi o primeiro trabalho nem do diretor Todd Phillips, nem do ator Zach Galifianakis, mas é impossível negar que a carreira da dupla se resume à antes e depois da louca despedida de solteiro em Las Vegas.

Com sequência já encaminhada, Se Beber, Não Case! arrebatou o Globo de Ouro de melhor filme comédia/musical e faturou quase US$ 280 milhões nos cinemas dos Estados Unidos.

Com tudo isso, Phillips e Galifianakis – um dos destaques da produção – tiveram seus nomes alçados à ícones da comédia. O ator inclusive conquistou espaço na televisão, com a série “Bored to Death”, e na internet, através da série de entrevistas “Between Two Ferns” no site Funny or Die.

Era de se esperar, com toda esta badalação, que a dupla repetisse o êxito em sua nova parceira nas telonas, ainda mais contando com a ajuda do ótimo Robert Downey Jr. (Homem de Ferro 2), mas não foi isso que aconteceu.

Ao contrário de The Hangover (no original), o novo filme não vai lhe deixar gargalhando, podendo no máximo lhe deixar com um sorriso no rosto, e só não chega a ser um fracasso total graças às presenças de Downey Jr. e Galifianakis.

A química entre a dupla de protagonistas é uma das poucas coisas que salvam o filme de ser uma bomba completa. A fotografia também se destaca, explorando bem a intenção de se rodar um road movie, assim como a homenagem/referência à série "Two and a Half Men". A trilha sonora, no entanto, marca importante dos "filmes de estrada", aqui está em segundo plano.

O único momento em que a trilha está à serviço da trama é quando personagem de Galifianakis canta "Hey You", clássico da banda Pink Floyd, durante uma viagem a base de drogas.

Michelle Monaghan (Missão Impossível 3), Jamie Foxx (Código de Conduta) e Juliette Lewis (Coincidências do Amor) integram o núcleo coadjuvante da produção e em momento algum merecem destaque.

Um Parto de Viagem parece um filme que não foi de fato bem pensado. Ao que parece, os realizadores acreditaram que o talento do diretor e o carisma dos protagonistas eram suficientes para encobrir todas as falhas do roteiro. Isso pode acabar se tornando verdade nas bilheterias, mas uma dupla que levou um Globo de Ouro pelo último trabalho não deveria se contentar apenas em criar um blockbuster.

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