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A Minha Versão do Amor
Críticas AdoroCinema
3,5
Bom
A Minha Versão do Amor

Viver a Vida

por Francisco Russo

Todos têm sonhos. Sejam eles culturais, de consumo, espirituais, amorosos ou profissionais. Barney Panofsky (Paul Giamatti) também tem os seus. Vivendo na Itália, queria fazer sucesso com o meio cultural mas teve que se contentar com o comércio. Um trabalho digno e que lhe sustentava, mas bem distante de seu sonho. Quando sua namorada Clara (Rachel Lefevre) engravida, ele não pensa duas vezes: o filho é meu e irei cumprir com o dever. Resultado: casamento. Assim é Barney, um sonhador íntegro e de atitudes corretas. Ao menos de início.

A vida faz com que Barney mude e perceba que o sonho está bem distante do seu alcance. Vem então a resignação, a certeza de que a vida lhe dará não o que há de melhor mas o que é possível. Assim sendo, ele se muda para Montreal de olho em uma proposta de emprego que, mais uma vez, não lhe salta aos olhos. Aceita. Lá conhece uma solteirona (Minnie Driver) com quem se casa. Tudo dentro dos conformes para levar uma vida pacata e sem sobressaltos. Até que, um dia, Barney é pego de surpresa. Ele, pela primeira vez, se apaixona. E resolve lutar por este amor, por mais surreal que a situação possa transparecer. Afinal de contas, Barney a conheceu na festa de seu segundo casamento. E, em um relance, sabia que queria passar o resto da vida com ela.

Romântico? Nem tanto. O caminho percorrido por Barney não é nem um pouco simples até descobrir este sentimento, nem será após encontrá-lo. Como agir? Insistir? E a esposa recém-casada? O que fazer? Questionamentos básicos jogados por terra em nome de uma sensação única, que Barney deseja vivenciar a todo custo. Logo, ele corre atrás. Ao seu modo, claro, iniciando a corte à sua nova pretendente e passando por cima de qualquer integridade que possuía. E, ao mesmo tempo, lidando com a imprevisibilidade da vida.

As transformações provocadas em Barney são o que há de melhor em A Minha Versão do Amor. Algo percebido na sutileza da interpretação de Paul Giamatti, em especial no olhar. É através dele que pode-se perceber quando seu personagem está cansado, sem esperanças ou simplesmente elétrico pela nova sensação vivida. É também o que sustenta uma história repleta de subtramas desnecessárias, presentes apenas para compor o ambiente do protagonista. O filme poderia, fácil, ter uns 20 minutos a menos.

Ainda assim, o filme emociona em seu terço final, com a proximidade da velhice e a explicação do porquê este grande amor não ter sido eterno. Informação dada logo no início, mas apenas explicada bem depois. Barney aprende que, por mais nobre e belo que seja o sentimento presente, ele não se sustenta por si só, sem a presença de itens básicos como respeito, dedicação e parceria. O romantismo do amor eterno é deixado de lado pela vida que, mais uma vez, surpreende. Um bom filme, com sacadas divertidas de Dustin Hoffman e uma bela interpretação de Paul Giamatti.

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