Francisco Russo
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2.5 - Regular
Brilhante! Não há outra palavra que defina melhor "Zelig". Talvez seja até o melhor filme da carreira de Woody Allen, que aqui se mostra em grande forma em suas três funções: diretor, roteirista e ator. O roteiro de "Zelig" é simplesmente sensacional, encaixando a história de um homem-camaleão que molda seu próprio corpo para ser aceito pelos demais com a situação americana em meio aos anos 20. Allen conseguiu pôr Zelig em vários acontecimentos marcantes da época, como a própria ascensão de Hitler na Alemanha, e o tom de documentário dado ao filme passa uma grande sensação ao espectador de que tudo aquilo realmente é verídico, até porque as explicações em torno da vida de Leonard Zelig são muito bem fundamentadas. A idéia de colocar o filme em preto e branco ajuda ainda mais neste sentido de veracidade, pois além de ajudar na caracterização das transformações de Zelig ao longo do filme, passa ainda mais a idéia de que tais cenas são realmente dos anos 20. Além disso, o filme traz como pano de fundo uma crítica velada à sociedade americana, mais especificamente às pessoas que buscam se esconder na multidão ao invés de demonstrar publicamente suas opiniões sobre algum assunto. Ver Woody Allen trabalhando de forma brilhante como diretor e roteirista não chega a ser novidade, mas o que me surpreendeu foi sua participação como ator. Allen com o passar dos anos se especializou em interpretar sempre um mesmo personagem, o nova-iorquino neurótico, e aqui ele varia um pouco, dando ao seu Zelig do início do filme um ar de ingenuidade que, aos poucos, vai sendo modificado de acordo com as transformações psicológicas pelas quais o personagem passa. Realmente uma grande composição do personagem, talvez a melhor atuação de sua carreira. E é por causa de todos estes fatores, juntos, que "Zelig" deve ser considerado uma das obras-prima de Woody Allen.
Adicionado em 04 de jan de 2001 às 00h00
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