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    Amor & Outras Drogas
    Críticas AdoroCinema
    2,5
    Regular
    Amor & Outras Drogas

    Don Juan dos Remédios

    por Francisco Russo

    De início, Amor e Outras Drogas empolga. A entrada de Jamie Randall (Jake Gyllenhaal) no ramo farmacêutico dá a entender que este será um filme que vá fundo na difícil relação existente entre os lucros e a vida dos pacientes. Diálogos que colocam na parede uma representante da gigante Pfizer, lembrando que um remédio comprovadamente trouxe malefícios a quem o usou, lembram o ótimo Obrigado por Fumar. A tática aplicada é a mesma da indústria do fumo: negar ou jamais confirmar algo que possa vir a trazer prejuízos financeiros. O importante é o dinheiro a ser ganho, mesmo que para tanto as pessoas tomem mais remédios que o necessário e o exagero nos antibióticos ajude a criar superbactérias, resistentes a eles.

    A indústria dos remédios vista de forma crua é um atrativo e tanto, pelo tema explosivo e ao mesmo tempo atual. O filme passa ainda pela tênue linha entre a ética e a promiscuidade na relação entre médicos e as empresas farmacêuticas, representadas por pessoas tipo Jamie. Sedutor, boa pinta, conquistador... ele usa todo seu charme e lábia para atrair seus clientes. Se for preciso usar seus dotes sexuais, ele segue em frente. É uma espécie de Don Juan dos remédios, conquistando atendentes visando sempre seu crescimento profissional. Enquanto mantém este tema em foco, Amor e Outras Drogas segue muito bem. Só que isto não acontece por muito tempo.

    A mudança começa quando Maggie Murdock (Anne Hathaway) entra em cena. Portadora de mal de Parkinson com apenas 26 anos, ela inicia um relacionamento puramente sexual com Jamie. Devido à doença ela não quer algo mais profundo, algo que também agrada a ele. Só que a intimidade do sexo gera consequências. Logo surge a vontade de estar com o outro, o interesse pela vida alheia e voilá, eis que ambos estão apaixonados. Nada mais natural. Só que o filme, neste ponto, já deixou de ser uma denúncia sobre a indústria dos remédios para se tornar uma comédia romântica habitual. Com uma importante diferença: as cenas de nudez.

    Não é muito comum ver filmes americanos que explorem o nu como faz Amor e Outras Drogas. Não há cenas de nudez frontal, mas pode-se ver o casal protagonista bem à vontade em diversos momentos. Isto inclusive traz um ponto positivo. A nudez não é tratada como algo reprimido ou que provoca incômodo, mas com naturalidade. Esta postura atende ao que o filme deseja, no sentido de demonstrar a intimidade existente entre os personagens. O tradicional e hipócrita lençol que sempre cobre o corpo aqui não existe. Ponto para o diretor Edward Zwick, pela ousadia calculada.

    Já na reta final, o filme sofre mais uma metamorfose e passa a ser um drama médico. Se por um lado trata de forma séria a questão do mal de Parkinson, com os prós e contras de se relacionar com um portador da doença, por outro ressalta, mais uma vez, seu grande problema: a falta de foco. Fosse uma denúncia, uma comédia românica ou um drama médico, o filme poderia ir fundo nas principais questões referentes a cada uma destas possibilidades. Ao ser tudo ao mesmo tempo, passa por alto sobre vários assuntos interessantes e relevantes, sem ter espaço suficiente para trabalhá-los melhor. E, também devido a esta opção, vê sua história perder força a cada transformação ocorrida.

    Amor e Outras Drogas é um filme decepcionante, que piora à medida que sua trama se desenrola. Conta com uma boa atuação de Anne Hathaway e um dos personagens mais irritantes e desnecessários do cinema recente: Josh (Josh Gad), irmão de Jamie. A impressão que fica é que ele deixou o elenco de qualquer American Pie já lançado para aterrissar, completamente deslocado, no ambiente da história. Uma tentativa fracassada de provocar humor de forma rasteira, demonstrando outra faceta da colcha de retalhos que é o filme.

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