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O Grande Mestre
Críticas AdoroCinema
2,5
Regular
O Grande Mestre

A busca pela precisão

por Francisco Russo
Quem conhece a carreira de Wong Kar-Wai (Amor à Flor da Pele, 2046 - Os Segredos do Amor) sabe que seus filmes costumam ter um apuro visual impressionante. Desta forma, o anúncio de que iria fazer um filme de artes marciais logo chamou a atenção: o que poderia fazer o diretor com o balé de movimentos típico do kung fu? O resultado é O Grande Mestre, um filme que mantém seu perfeccionismo estético ao mesmo tempo que abdica da adrenalina esperada em filmes do tipo.

O Grande Mestre - FotoA bem da verdade, Kar-Wai seguiu como mantra uma das falas do filme: "o kung fu é sobre a busca pela precisão". Com isso, as várias lutas exibidas ao longo do longa-metragem são muito mais um balé coreografado, nos mínimos detalhes, do que propriamente um ato de agressão ao outro. Em vários casos não há nem esta intenção de atingir o oponente, mas de verdadeiramente se exibir. O interesse maior do diretor é em ressaltar este lado da tradição e honra chinesas, através da existência de estilos distintos de kung fu que coexistem em harmonia, com seus integrantes até mesmo incentivando a manutenção das técnicas desenvolvidas com o passar dos anos.

Dentro deste panorama, o personagem principal é Ip Man, interpretado por Tony Leung, velho parceiro do diretor. Sereno toda vida e exímio lutador, ele vivia do patrimônio herdado até chegar aos 40 anos. Convocado para representar sua região numa disputa sobre estilos de kung fu, ele ganha fama e reconhecimento no país, mas sofre bastante com a guerra travada pela China contra o Japão. É ele o grande mestre, aquele que mais a frente treinará seu pupilo mais famoso, um jovem chamado Bruce Lee.

Por mais que tenha belas cenas de luta, O Grande Mestre tem como grande problema o ritmo extremamente arrastado da narrativa, impulsionado pelo excessivo uso de cenas em câmera lenta, e a pobreza do roteiro. Pouco há na vida de Ip Man que seja capaz de sustentar um longa-metragem de ar mais filosófico, sobre a nobreza do kung fu, o que o torna bastante cansativo. Ainda mais devido à opção do diretor em não explorar a presença de Bruce Lee, um possível bom gancho para a narrativa.

No fim das contas, O Grande Mestre merece destaque apenas pelo lado visual, onde há um cuidado especial na reprodução dos típicos movimentos requintados dos golpes aplicados. O que acaba sendo pouco para alguém com a carreira de Kar-Wai.
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