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    Hop - Rebelde Sem Páscoa
    Críticas AdoroCinema
    1,5
    Ruim
    Hop - Rebelde Sem Páscoa

    DOCE ILUSÃO

    por Roberto Cunha

    Esse negócio de colocar animação interagindo com atores reais ainda vai longe. Apesar de alguns fracassos do passado, o sucesso dos nem tão recentes Scooby-Doo (2002) e Alvin e os Esquilos (2007), estimula novas tentativas. Hop - Rebelde Sem Páscoa se saiu bem nas bilheterias americanas, estreando num período de entressafra e, claro, aproveitando a data marcada pelo consumo excessivo de chocolates, citada no título.

    Na história, o coelhinho Júnior (Russell Brand) não está nem aí para a tradição de 4.000 anos, que seu pai (Hugh Laurie) tanto comenta com orgulho, só quer saber mesmo de tocar bateria e para isso foge da Ilha de Páscoa (onde são fabricados os famosos ovos) direto para Hollywood. Enquanto isso, por lá, o humano Fred (James Marsden) é um tremendo vida mansa, que sofre pressão da família para crescer e arrumar um trabalho decente. O destino dos dois malandros se cruza por acaso e juntos eles descobrirão que a vida, mesmo que não seja bem aquilo que eles gostariam, tem lá seus momentos de doçura.

    O problema é que nem sempre querer é poder e para fazer um filme funcionar não basta ter dinheiro e um bom elenco. Como fica claro aqui. Brand vem sendo vendido com uma promessa do novo humor britânico, mas não decola, Laurie (protagonista de sucesso na série House) dá voz para um papel secundário e Marsden interpreta um personagem extremamente idiotizado. Além deles, a ótima Elizabeth Perkins faz uma pontinha e Kaley Cuoco (a Penny do seriado Big Bang Theory) recebeu - literalmente - para aparecer. Precisa dizer mais?

    Se o apuro técnico é inquestionável, como se vê nas sequências de interatividade com atores ou nas isoladas com as coelhinhas Boinas Rosas, é preciso muita boa vontade para aceitar as inúmeras licenças. A principal é a aceitação rápida demais de coelhos falantes e acreditar que Júnior alcance o pé do pedal de bumbo de uma bateria. Até entendo essa provável "interseção" com o famoso coelho Tambor da Disney, mas poderiam adaptar o instrumento para evitar tantas licenças poéticas acumuladas.

    Produzido pela mesma equipe do sucesso Meu Malvado Favorito (2010), essa origem é uma das armadilhas que o filme apresenta ao trocar apenas o visual de alguns personagens. Para entender melhor, basta lembrar dos Minions e olhar os atuais pintinhos com características muito parecidas e até um mais trapalhão. O destaque, neste caso, vai para o pintão Carlos (Hank Azaria), que rouba a cena na "pena", quer dizer pele, de um tremendo mau caráter.

    Mas esse é o menor dos problemas. A crença de que enfiar um monte de referências é garantia de sucesso fez com que os roteiristas inserissem numa trama infantilóide citações pra lá de adultas e descabidas, entre elas a Mansão da Playboy (do famoso coelhinho e as coelhinhas?!) e o antigo seriado Super Máquina, com direito a ponta de Hugh Hefner (apenas com sua voz em porteiro eletrônico) e do ator David Hasselhoff no papel de um caça talentos.

    Entre as curiosidades, a inserção na trilha do clássico do rock farofa dos anos 80, "Every Rose Has It's Thorn", do Poison. Mas cuidado com o "veneno", esse longa é só uma grande bobagem e se pretendiam fazer algo engraçado para você rir, não passou de uma doce ilusão.

    Em tempo: nos créditos finais tem conclusão de piadinha sobre vender ovos de chocolate na China.

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