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Os Pinguins do Papai
Críticas AdoroCinema
2,3
Regular
Os Pinguins do Papai

Adultos e Crianças

por Francisco Russo

“Atrair o adulto, mas ser simples o suficiente para não ter que explicar às crianças”. Esta é a fórmula mágica para um bom filme família, segundo disse o próprio Jim Carrey em recente coletiva no Rio de Janeiro. Ao assistir Os Pinguins do Papai pode-se perceber nitidamente o cuidado para atender estes dois públicos tão distintos. Se as cenas às vezes apelam para a escatologia animal, de forma a gerar piadas fáceis que provoquem o riso infantil, cabe aos adultos as citações inseridas em vários diálogos do sr. Popper, protagonista da história. O resultado é um filme híbrido, com trechos bem delineados para cada público.
 
A história é focada em Tom Popper (Carrey, bem em cena), executivo especializado em comprar imóveis antigos para que a empresa onde trabalha possa construir novos prédios. Sonhando em se tornar sócio, ele recebe um último desafio: comprar o restaurante da sra. Van Gundy (Angela Lansbury, classuda), que apenas o venderá a alguém que tenha princípios. Neste meio termo Popper descobre que seu pai, um aventureiro com quem costumava se comunicar via rádio na infância, faleceu. No testamento ele lhe deixa um pinguim, que chega a Nova York em uma caixa refrigerada. Logo surgem outros cinco deles, fazendo com que a vida de Popper mude radicalmente.

É claro que um filme destes traz consigo valores morais embutidos, exaltando a família em detrimento do trabalho. O mesmo vale para o contato com os animais, ainda mais em tempos politicamente corretos. Apesar de ser por vezes previsível, a história atrai pela criatividade em certas cenas, como o uso do Museu Guggenheim e quando o apartamento de Popper torna-se quase um iglu, de forma a melhor atender os pinguins. Há ainda Pippi (Ophelia Lovibond, graciosa), que tem uma afeição especial em falar palavras que comecem com a letra P. Algo presente tanto nas falas originais quanto na legendagem, em um esforço válido para manter a intenção também na versão brasileira. As crianças, alvo principal da personagem, agradecem.

Aos adultos os melhores trechos ficam reservados para as falas de Jim Carrey. São momentos por vezes relacionados ao próprio cinema, como a imitação de James Stewart e “adoro o cheiro de toner pela manhã”, citação óbvia a Apocalypse Now. Há ainda Charles Chaplin, sempre mágico, em uma bela sacada também nostálgica. Cenas que os menores com certeza não compreenderão por completo, mas que despertam um sorriso naqueles que reconhecem as citações.

Os Pinguins do Papai é um filme família padrão, que cumpre de forma correta o objetivo ao qual se propôs. Poderia insistir menos nas cenas escatológicas, que por vezes são até bem explícitas. Os efeitos especiais também merecem destaque negativo, já que é nítido quando um pinguim verdadeiro está em cena e quando é usada animação computadorizada. Nos dias atuais, com a tecnologia disponível, esta diferenciação não é mais aceitável. Um filme para ser visto por adultos e crianças, juntos, sem que nenhum deles saia reclamando.

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