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    Distrito 9
    Críticas AdoroCinema
    4,5
    Ótimo
    Distrito 9

    ASSISTA SEM RESTRIÇÕES

    por Roberto Cunha

    Quem é o inimigo? Quem é você? As perguntas repetidas na letra de “Soldados”, do saudoso Renato Russo, poderiam sintetizar a essência deste filme de pequeno orçamento, grande repercussão, dirigido pelo novato Neill Blomkamp e produzido pelo já veterano Peter Jackson. Através do constante uso de metáforas para dar uma sacudida na humanidade e - principalmente - nos mais jovens, Distrito 9 é entrada obrigatória para quem gosta de ficção científica.

    A história é simples (?): alienígenas vivem em nosso planeta há 20 anos num regime de confinamento próximo de uma grande metrópole e são objeto de profundo preconceito. Diante da situação, os humanos que detêm o poder resolvem promover uma ação de despejo em massa para uma região mais distante. Contudo, um acidente durante a operação provoca uma reviravolta, transformando o algoz em vítima do próprio sistema. A espinha dorsal do filme é costurada com uma narrativa em tom de documentário com imagens de uma reportagem (estilo câmera nas mãos) e diversos depoimentos de personalidades sobre a presença de alienígenas no planeta Terra. Daí em diante, você entra em contato com uma realidade há anos imaginada pelo homem, mas nunca vivenciada, diga-se de passagem, com seres de outro planeta. Porque com humanos, a experiência já existiu, existe e - infelizmente - continuará existindo.

    Os seres espaciais, chamados pejorativamente de Camarões, se alimentam de lixo e sofrem todo o tipo de discriminação. Reconhece de algum lugar? De maneira criativa e inserida no contexto da história, o filme revela pedaços do nosso passado e presente. O nazismo não está somente nas cabeças “tatuadas” dos aliens, nem nos eternos conflitos étnicos e intervenções militares, que amontoaram pessoas em favelas e guetos gigantescos, travestidos de acampamentos humanitários. Este é o grande barato do filme. Fazer uso de vários elementos importantes para compor uma trama decente. A denúncia da dificuldade humana em relação aos seus pares é uma constante. E percebe-se facilmente na existência, por exemplo, de uma entidade de paz (?) batizada de Multinações Unidas (MNU), na truculência e insanidade dos agentes de controle incumbidos de manter a ordem, no hábito de "apelidar" o objeto de desprezo, a obsessão por armas, os crimes, como tráfico e prostituição relacionados a minorias sociais, além de outros. A grande sacada foi trazer todas estas questões com criatividade. As pixações, como pinturas rupestres, que indicam gangues dos camarões alienígenas mostram isso.
     
    Quem tem um olhar - e ouvidos - mais atentos pode reconhecer dois clássicos da ficção, como a nave mãe de Contatos Imediatos de Terceiro Grau e o processo de mutação de A Mosca, ou ainda um colete/jaqueta de cor vermelha (usado pelo alien Christopher), remetendo ao vestuário do ídolo pop Michael Jackson. Mas é na história e na maneira como foi contada, com jeitão de documentário, visual de ficção, conteúdo dramático, ritmo de aventura e uma pitada de trash, que está o grande trunfo deste longa. Os fãs de Transformers que me perdoem, isto é ficção de verdade, por mais paradoxal que a frase no sentido literal possa parecer. E mesmo com tanta coisa ruim para mostrar, existe ainda espaço para falar da solidariedade como um remédio para a raça humana. E escancara uma porta para uma seqüência imaginária ou real. Mas isto, só o tempo e o futuro dirão. O aviso está dado: seja bem vindo ao Distrito 9.

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    Comentários

    • Paulo Roberto da Silva Alves
      O filme é sensacional como ficção! E o que é incrível na história é a crítica profunda a maldade humana. No filme os humanos são criaturas horríveis, muito mais brutais que os alienígenas. Eles sofrem torturas horríveis nas mãos dos humanos! No filme a gente torce como nunca para que eles consigam fugir e voltar para a sua casa/seu planeta!!
    • Matheus Silva
      Já se fazem 10 anos que conheço e continuo assistindo está obra, a qual amo e adoro. É muito triste saber que até então Blokamp não tenha dado/deixado rastros de um futuro Distrito 10, mesmo após alguns comentários em entrevistas sem fundamento. Fico e continuo naquela expectativa como a de Avatar, com suas continuações ainda não estreadas e esperamos já há 10 anos.
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