Frescor do passado
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De Francisco Russo
A evolução da animação computadorizada permitiu que sucessos dos desenhos migrassem para o cinema, em versões onde podiam interagir com atores de verdade. O primeiro a conseguir relevância foi Scooby-Doo, o que levou a uma série de filmes já lançados ou a lançar explorando o tema. Um deles foi Alvin e os Esquilos, ressuscitando personagens até então esquecidos. O estrondoso - e de certa forma surpreendente - sucesso tornou obrigatória a sequência. Um filme que, apesar de seguir a fórmula do original, é bem superior.
Entretanto não considere este um grande elogio, visto a baixíssima qualidade de Alvin e os Esquilos. Aqui o enfoque cresceu um pouco, deixando o lado infantil e apostando no público juvenil. Ou seja, os personagens cresceram junto com os espectadores conquistados no lançamento do primeiro filme. O ambiente escolar, com suas intrigas e grupos formados, é o mote da trama. Um cenário facilmente reconhecível pelo seu público alvo, o que explica em parte o sucesso também desta continuação.
O grande trunfo de Alvin e os Esquilos 2 é, assim como o original, a parte musical. Nem tanto pelas músicas cantadas, visto que as vozes dos esquilos em certos momentos são irritantes - tanto na versão original quanto na dublada. Mas pela escolha do repertório, que traz à tona canções clássicas que não costumam estar na playlist dos jovens da atualidade. Entre elas, por exemplo, está "Staying Alive", eternizada por Os Embalos de Sábado à Noite. Há também uma série de citações a filmes, que divertem. Apocalypse Now, James Bond, Titanic, Curtindo a Vida Adoidado... até o recente Perdido pra Cachorro está na lista.
O filme também aposta na febre musical que tem atingido os jovens ultimamente, em especial a série High School Musical. Alvin e seus irmãos Simon e Theodore nada mais são do que uma típica boy band, com seus mega shows ao redor do planeta e uma coleção de fãs ávidas por autógrafos ou algo mais. Aqui, ao contrário do original, há uma maior mescla entre a vida privada e a de pop stars. A ausência de Jason Lee por quase todo o longametragem faz também com que os três esquilos vivam mais de perto a fama conquistada, gerando consequências até previsíveis, como o estrelismo de Alvin.
Previsibilidade, por sinal, é uma característica natural de Alvin e os Esquilos 2. O que não chega a ser surpreendente, visto que o objetivo não é inovar e sim apostar em uma fórmula já conhecida que possa agradar o público infantil. Desta forma há o lado fofura ressaltado nos irmãos esquilos e em suas "concorrentes", as Esquiletes. Há uma história simples, com situações comuns que provocam identificação. Há um vilão caricato, que age e se veste de forma estranha mas traz também uma boa dose de ingenuidade. E há os números musicais, que estão na moda. Tudo calculado para que o resultado seja o maior lucro possível. Tem dado certo.
Se Alvin e os Esquilos 2 é ruim? Não, não é. É uma Sessão da Tarde razoável, daqueles filmes que se assiste despretensiosamente e que, pouco após seu término, se esquece por completo. Um mero passatempo, que não agride o humor dos pais que precisarão levar as crianças aos cinemas. O que, em se tratando de filmes infantis, já é boa notícia.
De Roberto Cunha
Se você não viu o primeiro filme e estava pensando em se aventurar pelo mundo de Alvin, Simon e Theodore, sinta-se a vontade. E a razão é bem simples: Alvin e os Esquilos 2 não é bem uma sequência e sim uma nova história dos simpáticos, musicais e, às vezes, estridentes animaizinhos, considerados fofinhos no Brasil, mas comuns como ratos nos Estados Unidos.
Assim, a única dica que você precisa saber é que falar com esquilos é algo absolutamente nornal. Dito isto, a abertura é puro rock'n roll com eles tocando You Really Got Me (The Kinks) para fãs enlouquecidos, deixando bem claro para o espectador quem é a estrela do grupo, o que isto pode causar para ele, seus pares e os que estão a sua volta.
Para mostrar que entre o original e Alvin e os Esquilos 2, os roqueiros de estimação cresceram, Dave (Jason Lee) explica que seus amiguinhos precisam ser levados para a escola. E Toby (Zachary Levi), um trapalhão de marca maior, é quem vai cuidar e introduzir a turminha neste novo ambiente onde irão conhecer amigos e rivais, algo comum entre os humanos. No roteiro, foram inseridas questões como a amizade, o egoísmo, o ciúmes e, principalmente, a fraternidade entre eles. Daí a importância do lema "um por todos e três por um" mencionado mais de uma vez.
E a ideia de fazer este paralelo entre bicho e gente fica clara ao mostrar a má vontade para ir à escola, o desprezo pela hora do sono, o uso do You Tube e o tradicional "amor a primeira vista". É onde entram, inclusive, as Esquiletes, cantoras esquilinhas que serão manipuladas para gerar discórdia entre os heróis. E com direito a danças visivelmente inspiradas em Britneys e Beyonces da vida, sem deixar de lado, claro, as inexoráveis coreografias de High School Musical e Hannah Montana. Está tudo ali, condensado da melhor forma possível.
Apesar de temas mais ou menos sérios para a meninada, o filme é animado, despretensioso, tem bons momentos, e umas sacadas legais como o seriado sobre uma família de Suricatos num canal sobre animais ou as divertidas camisas de Toby com mensagens como a que tem os ícones "comer, dormir, jogar video game". Os efeitos especiais que promovem a interação entre a bicharada e os atores são bem executados, conferindo um ótimo resultado.
Independente de ser sobre uma galerinha que faz música, o filme tem ritmo e a trilha sonora com músicas como Staying Alive (Bee Gees), Shake Your Groove Thing (Peaches & Herb) e We Are a Family (Sisters Sledge), cantada pelos bichinhos, é quase que uma homenagem para a turma que já passou dos 30 e muitos, e curtiu os tempos da discoteca. Os pais agradecem.
Alvin e os Esquilos 2 está longe de ser um filme obrigatório, seja no cinema ou na sua casa, mas cumpre bem o papel de entretenimento para a família com conteúdo menos duvidoso do que o existente em certas produções nacionais direcionadas para este público. Portanto, salvo o caso de seu ouvido ser altamente sensível, vale o amendoim e o acompanhamento para esta diversão animal.
De Joss Whedon
Com Robert Downey Jr., Chris Evans
Ação
De Jon Hurwitz, Hayden Schlossberg
Com Jason Biggs, Alyson Hannigan
Comédia
De David Foenkinos, Stéphane Foenkinos
Com Audrey Tautou, François Damiens
Romance
De Rupert Sanders
Com Kristen Stewart, Chris Hemsworth
Filme - Fantasia
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