Meu AdoroCinema
2012
Vídeos Créditos Críticas dos usuários Críticas da imprensa Críticas do AdoroCinema Fotos Filmes Online
Curiosidades Bilheterias Filmes similares Notícias
Críticas AdoroCinema
3,5
Bom
2012

A ARCA DE EMMERICH

por

Houve um tempo em que Hollywood foi fundo no cinema catástrofe. Reflexos da guerra quente, da guerra fria ou qualquer outro trauma, o fato é que assim como os japoneses se especializaram em criar monstros que destruíam suas cidades, os americanos investiram muito no filão da desgraça. O tempo passou e de uns anos para cá o cineasta Roland Emmerich parece ter resolvido resgatar este nicho com filmes como Independence Day, Godzilla (olha os japas aí) e O Dia Depois de Amanhã. Além destes, outros vieram como Impacto Profundo, Armageddon, O Núcleo - Missão ao Centro da Terra etc. A diferença é que agora o inimigo não é este ou aquele, nem isto ou aquilo. É o próprio homem e o progresso desenfreado.

E 2012 começa em 2008 com um clima de tensão envolvendo o governo americano (sempre ele) e outras potências numa conversa misteriosa sobre o futuro do planeta. A história é protagonizada por um escritor (John Cusack), motorista de limusine separado da esposa (Amanda Peet), que se esforça para manter o contato com os filhos. O roteiro foi perfeito no sentido de não deixar escapar nada que pudesse contribuir para o filme ter todos os elementos necessários para o sucesso. Então você vai encontrar crianças em perigo, o bom e o mal e, claro, um cachorro. E apesar do tema drástico, o humor está presente com piadinhas no texto e nas imagens.

O longa é longo (158 min) e tem uma avalanche de simbolismos e citações. Desde teorias conspiratórias envolvendo a princesa Diana, Marilyn Monroe e o Caso Roswell, até o porta-aviões John Kennedy desabando por cima da Casa Branca. É também uma grande homenagem ao gênero, juntando clássicos como O Destino de Poseidon, Terremoto, Inferno na Torre, Aeroporto, não deixando – literalmente – pedra sobre pedra. Além dos eternos mapas, presenças certa nas aventuras de sobrevivência e superação, caso típico desta produção, chega a ser cômico ver o personagem de Cusack bancando Steve Austin ("Homem de Seis Milhões de Dólares"). Contudo, todavia, porém, não obstante, a mais importante de todas as citações é a Bíblia que aparece no nome de batismo do transatlântico Genesis.

Aliás, uma decepção foi a cena do Cristo Redentor, rápida e com pouca definição por ser fruto de uma imagem de televisão, que rende um tremendo merchandising visual e auditivo do canal de notícias da rede do plinplin. A Vaio também aparece e, falando em propaganda, as operadoras de celular precisam aprender com Emmerich como manter os usuários falando mesmo em tempos de crise. É impressionante como o sinal é perfeito. Até imagem eles ainda conseguem exibir, com o planeta sendo destruído?!? A parte do satélite a gente entende, mas e as antenas? Não caem? Brincadeiras a parte, o destaque vai para os efeitos especiais de primeira qualidade. As seqüências iniciais são elevadas a última potência do exagero, mas são de tirar o fôlego. O humor com a rosquinha (donuts) gigante foi uma grande sacada. E a certeza de que eles (Cusack e família) são "os escolhidos" vem com a cena em que um casal de idosos vira crash-test-dumies ao bater contra uma parede de asfalto. Pobres velhinhos.

Entre as mensagens do filme, além da questão ambiental e a continuidade das espécies, desperta atenção o fato de associarem a sobrevivência ao pagamento de uma polpuda taxa de embarque, citando Rupert Murdoch e Bill Gates como pessoas mais importantes do que outras. E causou espécie o "elogio" ao polêmico primeiro ministro italiano, afirmando que ele preferiu ficar com seu povo, enquanto o roteiro detona as declarações de políticos americanos, colocando o governador da Califórnia mentindo na TV com direito a sotaque de “Arnie Governator”.  Entre as muitas curiosidades, o número de batismo "4" no equipamento dos americanos deve ser alusivo ao Dia da Independência. E você vai saber que equipamento é este só quando assistir. 2012 é um programa para muitos e, definitivamente, não é ‘o fim do mundo’ em termos de cinema, valendo cada centavo do ingresso. Agora, se vai ser um sucesso de bilheteria, só o calendário dirá. Divirta-se!

Quer ver mais críticas?
  • As últimas críticas do AdoroCinema

Comentários

Mostrar comentários