Críticas AdoroCinema do filme 2012
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Críticas AdoroCinema 2012

4,0

A ARCA DE EMMERICH
De Roberto Cunha

Houve um tempo em que Hollywood foi fundo no cinema catástrofe. Reflexos da guerra quente, da guerra fria ou qualquer outro trauma, o fato é que assim como os japoneses se especializaram em criar monstros que destruíam suas cidades, os americanos investiram muito no filão da desgraça. O tempo passou e de uns anos para cá o cineasta Roland Emmerich parece ter resolvido resgatar este nicho com filmes como Independence Day, Godzilla (olha os japas aí) e O Dia Depois de Amanhã. Além destes, outros vieram como Impacto Profundo, Armageddon, O Núcleo - Missão ao Centro da Terra etc. A diferença é que agora o inimigo não é este ou aquele, nem isto ou aquilo. É o próprio homem e o progresso desenfreado.

E 2012 começa em 2008 com um clima de tensão envolvendo o governo americano (sempre ele) e outras potências numa conversa misteriosa sobre o futuro do planeta. A história é protagonizada por um escritor (John Cusack), motorista de limusine separado da esposa (Amanda Peet), que se esforça para manter o contato com os filhos. O roteiro foi perfeito no sentido de não deixar escapar nada que pudesse contribuir para o filme ter todos os elementos necessários para o sucesso. Então você vai encontrar crianças em perigo, o bom e o mal e, claro, um cachorro. E apesar do tema drástico, o humor está presente com piadinhas no texto e nas imagens.

O longa é longo (158 min) e tem uma avalanche de simbolismos e citações. Desde teorias conspiratórias envolvendo a princesa Diana, Marilyn Monroe e o Caso Roswell, até o porta-aviões John Kennedy desabando por cima da Casa Branca. É também uma grande homenagem ao gênero, juntando clássicos como O Destino de Poseidon, Terremoto, Inferno na Torre, Aeroporto, não deixando – literalmente – pedra sobre pedra. Além dos eternos mapas, presenças certa nas aventuras de sobrevivência e superação, caso típico desta produção, chega a ser cômico ver o personagem de Cusack bancando Steve Austin ("Homem de Seis Milhões de Dólares"). Contudo, todavia, porém, não obstante, a mais importante de todas as citações é a Bíblia que aparece no nome de batismo do transatlântico Genesis.

Aliás, uma decepção foi a cena do Cristo Redentor, rápida e com pouca definição por ser fruto de uma imagem de televisão, que rende um tremendo merchandising visual e auditivo do canal de notícias da rede do plinplin. A Vaio também aparece e, falando em propaganda, as operadoras de celular precisam aprender com Emmerich como manter os usuários falando mesmo em tempos de crise. É impressionante como o sinal é perfeito. Até imagem eles ainda conseguem exibir, com o planeta sendo destruído?!? A parte do satélite a gente entende, mas e as antenas? Não caem? Brincadeiras a parte, o destaque vai para os efeitos especiais de primeira qualidade. As seqüências iniciais são elevadas a última potência do exagero, mas são de tirar o fôlego. O humor com a rosquinha (donuts) gigante foi uma grande sacada. E a certeza de que eles (Cusack e família) são "os escolhidos" vem com a cena em que um casal de idosos vira crash-test-dumies ao bater contra uma parede de asfalto. Pobres velhinhos.

Entre as mensagens do filme, além da questão ambiental e a continuidade das espécies, desperta atenção o fato de associarem a sobrevivência ao pagamento de uma polpuda taxa de embarque, citando Rupert Murdoch e Bill Gates como pessoas mais importantes do que outras. E causou espécie o "elogio" ao polêmico primeiro ministro italiano, afirmando que ele preferiu ficar com seu povo, enquanto o roteiro detona as declarações de políticos americanos, colocando o governador da Califórnia mentindo na TV com direito a sotaque de “Arnie Governator”.  Entre as muitas curiosidades, o número de batismo "4" no equipamento dos americanos deve ser alusivo ao Dia da Independência. E você vai saber que equipamento é este só quando assistir. 2012 é um programa para muitos e, definitivamente, não é ‘o fim do mundo’ em termos de cinema, valendo cada centavo do ingresso. Agora, se vai ser um sucesso de bilheteria, só o calendário dirá. Divirta-se!

3,0

Cataclisma Mundial
De Francisco Russo

Os filmes catástrofe começaram a fazer sucesso nos anos 70, seguindo a fórmula de um elenco estelar para ofuscar os na época limitados efeitos especiais. Assim foi Terremoto, Aeroporto, Inferno na Torre e outros tantos. Nos anos 90 eles ressurgiram, sob nova fórmula: efeitos maravilhosos, onde praticamente tudo era possível, e um elenco nem tão conhecido assim. O que contrabalançou o orçamento, já que salários astronômicos deixaram de ser pagos em detrimento de um maior gasto com a parte técnica. Neste período, um diretor em especial se destacou: Roland Emmerich. Mas pode chamá-lo de "sr. destruição".

Dos seis últimos filmes por ele dirigidos, apenas um não trazia como mote a destruição do mundo, ou de parte dele: O Patriota. De Independence Day a 10.000 A.C., seu trabalho sempre foi mais voltado às cenas de ação do que propriamente ao desenvolvimento de uma história. 2012 não é diferente. Como cinema pipoca, funciona bem. Os efeitos especiais são espetaculares, com impacto ainda maior em uma sala de cinema. É filme para ver em tela grande e som potente, sem sombra de dúvidas. O problema é o que fazer entre as diversas cenas de ação.

Há muito de O Dia Depois de Amanhã em 2012, a começar pela mola mestra da trama: um cataclisma inevitável, que faz com que a humanidade tenha que se virar para sobreviver. Se antes o culpado era o clima, agora é uma conjunção astral que faz com que explosões solares desestabilizem a crosta da Terra. Complicado? Nem tanto. Não há a menor intenção em justificar o ocorrido, o simples ato é suficiente. O prenúncio vindo do calendário maia é apenas mencionado, também sem grande desenvolvimento. A grande verdade é que tudo não passa de desculpa para que Emmerich possa fazer o que sabe melhor: destruir tudo. E desta vez em escala global, com monumentos e locais nunca antes demolidos pelo diretor. Entre eles, o Rio de Janeiro e seu ícone maior, o Cristo Redentor.

A semelhança também vem com o fato de que, assim como O Dia Depois de Amanhã, não há aqui um inimigo visível e que possa ser combatido. A inevitabilidade faz com que reste à humanidade apenas uma saída: buscar, a todo custo, sobreviver. Neste sentido, há aspectos interessantes na trama, em especial a influência do lado capitalista no plano de fuga traçado. Nem tanto por sua existência, mas pela forma realista como é apresentada. O contraste com ideais nobres e humanitários, apesar de previsível, merece atenção.

Só que, em meio a tantos prédios desabando, ondas gigantes e crateras abertas no solo, há uma série de situações e diálogos que beiram o ridículo. Cenas constrangedoras, como a da salvação do cachorro, que fazem com que se torça para que a próxima cena de ação venha logo. Não pela expectativa do que vem a seguir, mas para que o espectador seja poupado de momentos lacrimosos ou exagerados, onde os clichês predominam. É este desnível que prejudica 2012. Se por um lado há a excelência no apuro técnico, há também o descaso com o roteiro.

Apesar disto, está longe de se aproximar dos piores casos apresentados por Emmerich. Mantendo sua tradição de alemão que exalta o patriotismo americano, estão lá a nobreza do presidente e a valorização dos Estados Unidos na nave de fuga - é a única bandeira pintada no casco, preste atenção. Já os personagens, bem, eles não são tão importantes assim. Há o pai que consegue reunir a família em meio à catástrofe, o cientista preocupado com o bem da humanidade, aquele que acredita em teorias conspiratórias constatando a veracidade das informações que obteve, o empresário egoísta, a namorada descartável e interesseira... nada de propriamente novo. Mas este também não é o objetivo. 2012 segue à risca a fórmula dos filmes catástrofe, explorando - e bem - seus efeitos especiais. Para o que se propõe, é o suficiente.

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