Notas dos Filmes
Meu AdoroCinema
    Thor
    Críticas AdoroCinema
    3,8
    Muito bom
    Thor

    Raio certeiro

    por Lucas Salgado

    Como irão descobrir no andamento do texto, gostei muito de Thor. Tal fato me deixou com a dúvida se começava a crítica contestando o uso do 3D no filme ou se deixava para fazê-lo mais pra frente, uma vez que não é ideal iniciar o texto sobre uma ótima produção reforçando um ponto negativo. Mesmo assim, opto por debater o 3D de cara, até como um alerta para quem tiver preguiça de ler toda a crítica.

    Thor entra para a lista de exemplos de longas que optaram pelo 3D por fins meramente comerciais. Não há nada no filme que peça pelo formato, não há nenhuma cena que seja digna de lembrança em razão do mesmo. Com isso, fica a dica: veja em 2D! Uma produção repleta de efeitos visuais, passada em parte em um universo fantástico merece ser vista com o máximo de detalhes possíveis. O 3D deixa muitas cenas escuras e atrapalha em muito a nitidez dos detalhes.

    Agora vamos ao filme. Dimensões à parte, Thor cumpre muito bem sua função de introduzir o personagem no mundo da sétima arte e também se encaixa com perfeição no universo que a Marvel tem transportado para as telonas e que irá desencadear no aguardado Os Vingadores (lançamento previsto para maio de 2012). Muitas coisas no longa parecem ter sido feitas tendo em vista o já apresentado em Homem de Ferro e O Incrível Hulk, e também com vista para o que está por vir. Além de contar com uma participação especialíssima de Jeremy Renner como o Gavião Guerreiro, ganhamos uma deixa e tanto para Os Vingadores - não saia da sala de cinema antes do final dos créditos.

    Apesar de fundamental dentro de um contexto maior, o filme tem papel fundamental inserido na cronologia da Marvel. A produção apresenta um mundo místico e misterioso que não existia até então, quando tudo era resultado de pesquisas ou acidentes científicos. Aqui não existem raios gamas, mas sim outros universos e espécies.

    A construção de Asgard, planeta do personagem-título, é um dos grandes méritos do longa. Apesar de claramente ser feita através de computação gráfica, a cidade é absolutamente encantadora. Na verdade, foi tão bem construída e tratada, que as cenas passadas na terra acabam prejudicadas por não conseguirem manter o espectador tão interessado.

    Thor também acerta em cheio na seleção de seu elenco, com destaque para Anthony Hopkins. O eterno Hannibal Lecter brilha como Odin, líder maior de Asgard e pai de Thor e Loki, interpretados com competência por Chris Hemsworth e Tom Hiddleston. A oscarizada Natalie Portman se sai bem como Jane, cientista que chama a atenção do "Deus do Trovão" em sua passagem pela terra, assim como Stellan Skarsgard, que promete ter maior participação daqui pra frente. Apesar de não comprometer, Rene Russo talvez seja a figura mais apagada no elenco, ficando atrás inclusive da jovem Kat Dennings, que é claramente a figura cômica da produção.

    "Há algo de podre no reino da Dinamarca", pensei ao ler alguns anos atrás a informação de que Kenneth Branagh iria comandar Thor. Um dos grandes intérpretes de Shakespeare da história (talvez fique atrás apenas do lendário Laurence Olivier), Branagh sempre se envolveu com produções pouco comerciais, então a opção por uma adaptação dos quadrinhos parecia estranha. Felizmente, o ator e cineasta se saiu muito bem, conseguindo inclusive trazer elementos de sua filmografia para o filme. Um exemplo disso é a trilha sonora. Parceiro antigo do diretor, o compositor Patrick Doyle realiza uma trilha discreta e ao mesmo tempo tocante, lembrando inclusive a de Frankenstein de Mary Shelley.

    Com boas cenas de ação, o longa conta com um dos roteiros mais simples (por vezes simplório) dos últimos da Marvel - a dupla Quarteto Fantástico e Quarteto Fantástico e o Surfista Prateado não conta - mas ainda assim é merecedor de muitos elogios. A fotografia de Haris Zambarloukos é extremamente eficiente, mas é possível ver em muitas das tomadas o dedo do diretor, em especial no começo do filme, quando nos deparamos com a câmera utilizando-se de ângulos tortos e nada convencionais.

    Também merecem elogios os figurinos criados por Alexandra Byrne, que prometem agradar muito os fãs do herói. A figurinista se saiu muito bem no desafio de criar o vestuário em uma aventura de fantasia. Seus trabalhos anteriores eram basicamente filmes de época como Elizabeth, que lhe rendeu o Oscar de melhor figurino.

    Se você é fã das adaptações para os cinemas das HQs da Marvel, não pode perder Thor, um aquecimento e tanto para o que está por vir. Agora é esperar por Os Vingadores.

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