Frescor do passado
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De Roberto Cunha
O que é mais importante para uns em filmes de heróis dos quadrinhos pode não ser para outros. Enquanto o fã, na maioria das vezes, espera que a adaptação seja a mais fiel possível, aquele que nunca viajou pelas páginas coloridas ou viu os saudosos desenhos (quase) animados dos anos 70, espera apenas entender o filme e se divertir. E esse é, sem sombra de dúvida, o mérito desta aventura baseada no personagem da editora Marvel. É perfeitamente possível para o leigo entender a trama carregada de mitologia nórdica, de nomes estranhos, guerras, deuses e herdeiros. Para isso, claro, vai ter que se deixar mergulhar na fantasia depois da didática e oportuna pergunta inicial: "de onde ele vem?".
Na história, Thor (Chris Hemsworth) estava prestes a receber o comando do reino supremo de Asgard das mãos de seu pai Odin (Anthony Hopkins), quando forças inimigas quebraram um acordo de paz. Disposto a se vingar, o jovem guerreiro dá início a um conflito entre os povos, desobedecendo o rei, que indignado com a atitude do filho acaba retirando seus poderes e o expulsando para a Terra. Lá, ele conhece uma cientista (Natalie Portman) que vai ajudá-lo na luta para recuperar o lendário e poderoso martelo das mãos de agentes do Governo e poder retornar para o seu lar. Enquanto isso, o ciumento irmão Loki (Tom Hiddleston) tem um plano maligno para que isso não aconteça e ele possa assumir – definitivamente - o poder de seu pai. Com esse conflito shakespeareano, coube ao ator e diretor Kenneth Branagh, que é influenciado pelo bardo inglês, pilotar essa aventura distante de suas experiências anteriores, como Hamlet.
Thor tem efeitos especiais, humor, cenários grandiosos e música no clima, mas o ritmo, às vezes, fica mais lento. O roteiro, no entanto, é redondo e tem vários detalhes, como a rápida aparição do personagem Barton/Gavião Arqueiro (Jeremy Renner), além do próprio Stan Lee, criador dos famosos heróis fazendo uma ponta de motorista de pick up. Coisas que vão fazer a alegria dos amantes do gênero. Para essa turma, aliás, uma dica importante: fique até o fim dos créditos porque tem uma cena adicional que vai conectar este filme com Os Vingadores, previsto para maio de 2012.
Assim, exibido em cópias 2D e 3D (totalmente irrelevante), o resultado final é positivo, mesmo não batendo tanto na tecla da ação como outras produções “irmãs” já fizeram. O lado negativo é que, para alguns, esse ponto pode ter sido uma martelada mal dada. Mas aí só o tempo dirá, uma vez que o filme estreia aqui antes do que nos Estados Unidos.
Veja curiosidades, fotos e assista os trailers em Thor.
De Lucas Salgado
Como irão descobrir no andamento do texto, gostei muito de Thor. Tal fato me deixou com a dúvida se começava a crítica contestando o uso do 3D no filme ou se deixava para fazê-lo mais pra frente, uma vez que não é ideal iniciar o texto sobre uma ótima produção reforçando um ponto negativo. Mesmo assim, opto por debater o 3D de cara, até como um alerta para quem tiver preguiça de ler toda a crítica.
Thor entra para a lista de exemplos de longas que optaram pelo 3D por fins meramente comerciais. Não há nada no filme que peça pelo formato, não há nenhuma cena que seja digna de lembrança em razão do mesmo. Com isso, fica a dica: veja em 2D! Uma produção repleta de efeitos visuais, passada em parte em um universo fantástico merece ser vista com o máximo de detalhes possíveis. O 3D deixa muitas cenas escuras e atrapalha em muito a nitidez dos detalhes.
Agora vamos ao filme. Dimensões à parte, Thor cumpre muito bem sua função de introduzir o personagem no mundo da sétima arte e também se encaixa com perfeição no universo que a Marvel tem transportado para as telonas e que irá desencadear no aguardado Os Vingadores (lançamento previsto para maio de 2012). Muitas coisas no longa parecem ter sido feitas tendo em vista o já apresentado em Homem de Ferro e O Incrível Hulk, e também com vista para o que está por vir. Além de contar com uma participação especialíssima de Jeremy Renner como o Gavião Guerreiro, ganhamos uma deixa e tanto para Os Vingadores - não saia da sala de cinema antes do final dos créditos.
Apesar de fundamental dentro de um contexto maior, o filme tem papel fundamental inserido na cronologia da Marvel. A produção apresenta um mundo místico e misterioso que não existia até então, quando tudo era resultado de pesquisas ou acidentes científicos. Aqui não existem raios gamas, mas sim outros universos e espécies.
A construção de Asgard, planeta do personagem-título, é um dos grandes méritos do longa. Apesar de claramente ser feita através de computação gráfica, a cidade é absolutamente encantadora. Na verdade, foi tão bem construída e tratada, que as cenas passadas na terra acabam prejudicadas por não conseguirem manter o espectador tão interessado.
Thor também acerta em cheio na seleção de seu elenco, com destaque para Anthony Hopkins. O eterno Hannibal Lecter brilha como Odin, líder maior de Asgard e pai de Thor e Loki, interpretados com competência por Chris Hemsworth e Tom Hiddleston. A oscarizada Natalie Portman se sai bem como Jane, cientista que chama a atenção do "Deus do Trovão" em sua passagem pela terra, assim como Stellan Skarsgard, que promete ter maior participação daqui pra frente. Apesar de não comprometer, Rene Russo talvez seja a figura mais apagada no elenco, ficando atrás inclusive da jovem Kat Dennings, que é claramente a figura cômica da produção.
"Há algo de podre no reino da Dinamarca", pensei ao ler alguns anos atrás a informação de que Kenneth Branagh iria comandar Thor. Um dos grandes intérpretes de Shakespeare da história (talvez fique atrás apenas do lendário Laurence Olivier), Branagh sempre se envolveu com produções pouco comerciais, então a opção por uma adaptação dos quadrinhos parecia estranha. Felizmente, o ator e cineasta se saiu muito bem, conseguindo inclusive trazer elementos de sua filmografia para o filme. Um exemplo disso é a trilha sonora. Parceiro antigo do diretor, o compositor Patrick Doyle realiza uma trilha discreta e ao mesmo tempo tocante, lembrando inclusive a de Frankenstein de Mary Shelley.
Com boas cenas de ação, o longa conta com um dos roteiros mais simples (por vezes simplório) dos últimos da Marvel - a dupla Quarteto Fantástico e Quarteto Fantástico e o Surfista Prateado não conta - mas ainda assim é merecedor de muitos elogios. A fotografia de Haris Zambarloukos é extremamente eficiente, mas é possível ver em muitas das tomadas o dedo do diretor, em especial no começo do filme, quando nos deparamos com a câmera utilizando-se de ângulos tortos e nada convencionais.
Também merecem elogios os figurinos criados por Alexandra Byrne, que prometem agradar muito os fãs do herói. A figurinista se saiu muito bem no desafio de criar o vestuário em uma aventura de fantasia. Seus trabalhos anteriores eram basicamente filmes de época como Elizabeth, que lhe rendeu o Oscar de melhor figurino.
Se você é fã das adaptações para os cinemas das HQs da Marvel, não pode perder Thor, um aquecimento e tanto para o que está por vir. Agora é esperar por Os Vingadores.
De Francisco Russo
Ao iniciar seu projeto no cinema, a Marvel tomou uma iniciativa ousada. Pegou os herois que ainda não havia licenciado para outros estúdios e resolveu reuni-los em um mesmo universo. Desta forma, assim como acontece nos quadrinhos, personagens variados poderiam circular pelos filmes, visando a criação de uma continuidade entre eles. Se por um lado pesos pesados como Homem-Aranha e X-Men não estavam mais em suas mãos, ainda restavam herois do calibre de Homem de Ferro, Capitão América e Thor. Todos inéditos nas telonas e precisando de uma apresentação ao público. Thor, o filme, cumpre fielmente esta função. É um cartão de visitas do Deus do Trovão, de forma a contar sua origem e ambientar sua realidade dentro do universo planejado pela Marvel.
O filme começa com um divisor de águas para o personagem. Expulso por Odin (Anthony Hopkins), seu pai, Thor (Chris Hemsworth) é banido para a Terra. Desorientado, quase é atropelado pela cientista Jane Foster (Natalie Portman), ávida em pesquisar um estranho fenômeno nos céus. Pano rápido para um longo flashback, onde o passado do protagonista é revelado. Thor é o sucessor de Odin no trono de Asgard, a majestosa cidade que surge em cenários requintados. Egocêntrico e arrogante, ele acredita que pode tudo. Não pensa duas vezes ao partir com amigos rumo a um planeta pouco hospitaleiro, onde age como um típico pitboy, que precisa apenas de uma desculpa para brigar. Motivo dado, guerra à vista. Eis a causa da expulsão de sua terra natal, retratada logo nos primeiros minutos.
É apenas quando Thor chega à Terra que o restante do universo Marvel entra, de fato, em ação. A S.H.I.E.L.D. é peça fundamental neste sentido, representada não pelo habitual Nick Fury (Samuel L. Jackson) mas pelo agente Coulson (Clark Gregg). Várias citações surgem, aqui e ali, e provocam ligações de Thor com outros filmes e personagens da Marvel. Um deles, inédito até então, dá as caras em duas cenas breves e sem grande interação. Uma pequena prévia do que está por vir em Os Vingadores, filme que reunirá todos os herois da Marvel, e que com certeza agradará os fãs de quadrinhos.
Thor é um filme com vários méritos, todos relacionados à forma como sua história é apresentada. Há uma fidelidade nítida aos quadrinhos, tanto na personalidade de Thor quanto nas mudanças que sofre enquanto está na Terra. Chris Hemsworth convence, demonstrando força como o personagem título. Tim Hiddleston se sai bem ao compor um Loki dúbio e ardiloso, manipulando as pessoas à sua volta de forma a obter o melhor para si. Apesar dos 73 anos, Anthony Hopkins mantém sua presença marcante, seja pelo inconfundível tom de voz ou pela imponência de seu Odin. A direção de arte é belíssima, mostrando uma Asgard esplendorosa, e o filme conta com bons efeitos especiais. Ainda assim, Thor deixa a sensação de que falta algo.
Falta na verdade algo que o diferencie dos demais filmes de super-herois produzidos. O carisma explorado por Robert Downey Jr. ao compor seu Tony Stark ou o impacto de ver o Homem-Aranha balançando nas teias, por exemplo. Algo que faça com que o espectador se surpreenda e diga “uau” em sua poltrona. Isto, Thor não tem. É um filme bem produzido, dirigido com competência por Kenneth Branagh e com vários pontos positivos, mas que não empolga em momento algum. As melhores cenas surgem, quase sempre, devido a piadas ou aparições de personagens do universo Marvel, de forma que o espectador possa fazer ilações com outros filmes. A exceção fica por conta do uso do Mjolnir, em boas cenas de ação que dão bem a dimensão de seu poder.
Thor é um bom filme que cumpre de forma correta a função de apresentar seu personagem título ao grande público. Origem contada, realidade ambientada, ligações com o universo Marvel estabelecidos. Era o mínimo que se esperava e isto ele cumpre bem. É um filme importante dentro da cronologia que está sendo estabelecida, mas ao mesmo tempo possui um final bastante em aberto, que deixa muito a ser resolvido em Os Vingadores. E, como já virou tradição nos filmes da Marvel, conta com uma cena extra após os créditos finais. Ou seja, não saia correndo da sala tão logo os letreiros surjam em cena, pois ainda há filme por vir.
De Joss Whedon
Com Robert Downey Jr., Chris Evans
Ação
De Jon Hurwitz, Hayden Schlossberg
Com Jason Biggs, Alyson Hannigan
Comédia
De David Foenkinos, Stéphane Foenkinos
Com Audrey Tautou, François Damiens
Romance
De Rupert Sanders
Com Kristen Stewart, Chris Hemsworth
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