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Thor
Críticas AdoroCinema
3,8
Muito bom
Thor

Cartão de Visitas

por Francisco Russo

Ao iniciar seu projeto no cinema, a Marvel tomou uma iniciativa ousada. Pegou os herois que ainda não havia licenciado para outros estúdios e resolveu reuni-los em um mesmo universo. Desta forma, assim como acontece nos quadrinhos, personagens variados poderiam circular pelos filmes, visando a criação de uma continuidade entre eles. Se por um lado pesos pesados como Homem-Aranha e X-Men não estavam mais em suas mãos, ainda restavam herois do calibre de Homem de Ferro, Capitão América e Thor. Todos inéditos nas telonas e precisando de uma apresentação ao público. Thor, o filme, cumpre fielmente esta função. É um cartão de visitas do Deus do Trovão, de forma a contar sua origem e ambientar sua realidade dentro do universo planejado pela Marvel.

O filme começa com um divisor de águas para o personagem. Expulso por Odin (Anthony Hopkins), seu pai, Thor (Chris Hemsworth) é banido para a Terra. Desorientado, quase é atropelado pela cientista Jane Foster (Natalie Portman), ávida em pesquisar um estranho fenômeno nos céus. Pano rápido para um longo flashback, onde o passado do protagonista é revelado. Thor é o sucessor de Odin no trono de Asgard, a majestosa cidade que surge em cenários requintados. Egocêntrico e arrogante, ele acredita que pode tudo. Não pensa duas vezes ao partir com amigos rumo a um planeta pouco hospitaleiro, onde age como um típico pitboy, que precisa apenas de uma desculpa para brigar. Motivo dado, guerra à vista. Eis a causa da expulsão de sua terra natal, retratada logo nos primeiros minutos.

É apenas quando Thor chega à Terra que o restante do universo Marvel entra, de fato, em ação. A S.H.I.E.L.D. é peça fundamental neste sentido, representada não pelo habitual Nick Fury (Samuel L. Jackson) mas pelo agente Coulson (Clark Gregg). Várias citações surgem, aqui e ali, e provocam ligações de Thor com outros filmes e personagens da Marvel. Um deles, inédito até então, dá as caras em duas cenas breves e sem grande interação. Uma pequena prévia do que está por vir em Os Vingadores, filme que reunirá todos os herois da Marvel, e que com certeza agradará os fãs de quadrinhos.

Thor é um filme com vários méritos, todos relacionados à forma como sua história é apresentada. Há uma fidelidade nítida aos quadrinhos, tanto na personalidade de Thor quanto nas mudanças que sofre enquanto está na Terra. Chris Hemsworth convence, demonstrando força como o personagem título. Tim Hiddleston se sai bem ao compor um Loki dúbio e ardiloso, manipulando as pessoas à sua volta de forma a obter o melhor para si. Apesar dos 73 anos, Anthony Hopkins mantém sua presença marcante, seja pelo inconfundível tom de voz ou pela imponência de seu Odin. A direção de arte é belíssima, mostrando uma Asgard esplendorosa, e o filme conta com bons efeitos especiais. Ainda assim, Thor deixa a sensação de que falta algo.

Falta na verdade algo que o diferencie dos demais filmes de super-herois produzidos. O carisma explorado por Robert Downey Jr. ao compor seu Tony Stark ou o impacto de ver o Homem-Aranha balançando nas teias, por exemplo. Algo que faça com que o espectador se surpreenda e diga “uau” em sua poltrona. Isto, Thor não tem. É um filme bem produzido, dirigido com competência por Kenneth Branagh e com vários pontos positivos, mas que não empolga em momento algum. As melhores cenas surgem, quase sempre, devido a piadas ou aparições de personagens do universo Marvel, de forma que o espectador possa fazer ilações com outros filmes. A exceção fica por conta do uso do Mjolnir, em boas cenas de ação que dão bem a dimensão de seu poder.

Thor é um bom filme que cumpre de forma correta a função de apresentar seu personagem título ao grande público. Origem contada, realidade ambientada, ligações com o universo Marvel estabelecidos. Era o mínimo que se esperava e isto ele cumpre bem. É um filme importante dentro da cronologia que está sendo estabelecida, mas ao mesmo tempo possui um final bastante em aberto, que deixa muito a ser resolvido em Os Vingadores. E, como já virou tradição nos filmes da Marvel, conta com uma cena extra após os créditos finais. Ou seja, não saia correndo da sala tão logo os letreiros surjam em cena, pois ainda há filme por vir.

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