Frescor do passado
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De Lucas Salgado
Quando foi anunciado que a adaptação para os cinemas de Harry Potter e as Relíquias da Morte, último livro da série criada por J.K. Rowling, seria feita a partir de dois filmes muitas pessoas se precipitaram em apontar para a ganância dos produtores hollywoodianos como principal motivo desta divisão.
A única coisa que explica tal comportamento é o fato de tais pessoas não terem lido o livro. Obviamente, não é necessário ler o livro para ver o filme, mas o contato com a obra literária, neste caso, explica a divisão da história em dois filmes.
Ao contrário de todos os outros livros da série, em As Relíquias da Morte não temos aquelas típicas cenas que ficam de fora das adaptações cinematográficas. Não há quadribol, longas conversas na sala comunal ou aulas engraçadinhas. Na obra que retrata o desfecho de uma das mais importantes séries literárias do século XXI tudo é significativo e, portanto, não poderia ficar de fora do longa.
Alguns podem acusar Harry Potter and the Deathly Hallows: Part 1 (no original) de ser um filme de ritmo lento, mas o que ocorre na verdade é que o longa não tem pressa. Em suas aproximadamente duas horas e meia, o longa se preocupa em expor tudo aquilo que há de mais importante na obra de Rowling e somente um fã muito atento e (porque não dizer) chato sentirá falta de algo, diferentemente do que ocorre, por exemplo, em Harry Potter e o Enigma do Príncipe, do qual saímos cheios de dúvidas diante de trechos esquecidos do livro. Tudo isso é extremamente benéfico em termos de uma adaptação de um livro para os cinemas e, neste sentido, temos o filme mais fiel à sua versão em papel.
Desde que Chris Columbus deixou a franquia após Harry Potter e a Câmara Secreta que a mesma tem se tornado cada vez mais sombria. O grande culpado disso foi Alfonso Cuarón e seu Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban, mas agora David Yates leva a série à um novo patamar no que diz respeito à tensão, agonia e, até mesmo, sexualidade.
Harry Potter e as Relíquias da Morte - Parte 1 é o longa mais sombrio da série e desde seus primeiros minutos trata de construir uma ambientação tensa e assustadora. O diretor que havia pecado em momentos importantíssimos nos dois filmes anteriores - em especial aqueles em que dois importantes personagens da série eram assassinados - aqui se saí muito bem no desenvolvimento da trama. Nem bem o filme começa e já nos deparamos com uma envolvente cena com Hermione (Emma Watson) e seus pais. Ali o filme já mostra a que veio.
Após ganhar força nos últimos filmes, Vold... ou melhor, Aquele-que-não-deve-ser-nomeado (Ralph Fiennes) amplia seu leque de influências ao tomar o Ministério da Magia e a Escola de Hogwarts, passando a se dedicar então a um único objetivo: descobrir como matar Harry Potter (Daniel Radcliffe).
O bruxinho, que de inho não tem mais nada, por sua vez, passa a perseguir as chamadas horcruxes para aos poucos ir destruindo a alma do vilão principal. Para isso, contará com a ajuda dos amigos de sempre, Hermione e Rony (Rupert Grint, que talvez seja o ator que mais evoluiu desde Harry Potter e a Pedra Filosofal).
O longa seria o primeiro da série a ser lançado em 3D, mas teve seu lançamento no formato cancelado poucas semanas antes da estreia oficial. Conferindo o filme é possível verificar algumas cenas que possivelmente foram pensadas para o 3D, como as que mostram a cobra Nagini e os dementadores. É impossível criticar um 3D que não foi lançado, mas é importante destacar que como o filme não foi rodado diretamente no formato tendo a considerar a manutenção em 2D como algo muito positivo. Até porque a experiência anterior da Warner Bros. na conversão para o 3D deixou muito a desejar, como pôde ser visto em Fúria de Titãs.
Perfeito no que diz respeito à técnica de som, efeitos visuais e trilha sonora, Harry Potter 7 merece um destaque à parte no que tange a direção de fotografia. O cinematografista português Eduardo Serra, indicado ao Oscar por Moça com Brinco de Pérola e Asas do Amor, fez um ótimo trabalho com a fotografia, mantendo-a sempre no tom do roteiro, ou seja, tensa e escura.
É claro que a fotografia escura e as tomadas fechadas em nada importariam caso os atores não transmitissem bem as emoções presentes, mas felizmente isso não ocorre. Radcliffe, Watson e Grint não apenas cresceram de tamanho com o andamento da série, o trio também evoluiu de forma espetacular no que diz respeito à atuação. E o melhor é que vimos essa evolução passo a passo, ou melhor, filme a filme.
Uma comprovação do talento dos três jovens atores está no fato de que neste sétimo filme, como em nenhum outro da série, eles de fato serem o centro das atenções. Obviamente, eles são os principais atores da franquia desde o início, mas com o corte das sequências em Hogwarts acabaram com muito mais espaço. Neste sentido, atores como Alan Rickman (Snape), David Thewlis (Lupin) e Robbie Coltrane (Hagrid) perdem espaço, e outros como Maggie Smith (Minerva) e Emma Thompson (Sibila Trelawney) nem ao menos aparecem.
Logo no início do longa nos deparamos com Harry abrindo o armário de baixo da escada de sua casa, que por muitos anos foi seu quarto. Com estrema delicadeza, o ator - e o filme - consegue passar aquela sensação de nostalgia e saudade que de cara baixa a guarda do espectador. A época em que morava de baixo da escada não era particularmente feliz, mas tudo era tão mais simples.
Outro momento primoroso da produção é aquele em que Harry tira Hermione para dançar. O andamento da cena e a forma em que a dupla vai da tristeza à alegria (mesmo que passageira) é lindíssima, exalando sentimento de amizade e companheirismo.
Também merece destaque a opção por contar "O Conto dos Três Irmãos", em que é explicada a origem das tais relíquias da morte, através de uma animação. O desenvolvimento ficou sensacional, mantendo sempre o clima sombrio da produção.
A expectativa agora é para ver se Harry Potter e as Relíquias da Morte - Parte 2 consegue manter o mesmo nível desta primeira parte. Se o fizer, Harry, Hermione, Rony e companhia terão tido um final merecedor de toda paixão transmitida pelos fãs da série, que tem tudo para ficar marcada como uma das maiores franquias de fantasia da história da sétima arte.
De Francisco Russo
A série Harry Potter no cinema pode ser dividida em três fases. A primeira, englobando Pedra Filosofal e Câmara Secreta, teve o comando de Chris Columbus e serviu para definir o universo da autora J.K. Rowling na sétima arte. São aventuras que seguem, quase ao pé da letra, o que acontece nos livros. A segunda fase, formada por Prisioneiro de Azkaban e Cálice de Fogo, iniciou a era autoral na série. Tanto Alfonso Cuarón quanto Mike Newell, seus respectivos diretores, tiveram espaço para modificar regras pré-estabelecidas, como o visual dos personagens, e deixar algumas subtramas de fora. Uma atitude necessária, afinal de contas os livros eram cada vez maiores e mais difíceis de serem integralmente transpostos para a telona. É também a melhor fase da série, ao menos até o momento, graças ao ar de novidade que trazia ao público.
Veio então a era David Yates, com Ordem da Fênix, Enigma do Príncipe e, agora, Relíquias da Morte - Parte 1. Yates era um diretor sem muita experiência até a série Harry Potter. Havia dirigido um único filme para o cinema, o obscuro The Tichborne Claimant, e algumas minisséries e telefilmes. Logo em seu primeiro filme na série, mostrou o cartão de visitas. Era um diretor competente, que sabia usar os elementos da magia para criar situações divertidas, mesmo que apenas visuais, mas que não conseguia transpor a importância dos principais momentos nos livros. Assim foi com as mortes de Sirius Black e de Dumbledore, ambas muito aquém do impacto que provocaram no universo retratado. O resultado é sempre um filme correto, bem feito, mas incapaz de emocionar. E que deixa uma ponta de frustração exatamente por isso.
Com Relíquias da Morte - Parte 1 acontece o mesmo. O filme tem um bom início, apresentando através da logomarca da Warner a destruição do mundo da magia até então conhecido. A sequência de Hermione apagando a memória dos pais, no intuito de protegê-los dos perigos iminentes, é simples e dolorosa. Em seguida vem a primeira cena de ação, quando Harry Potter precisa deixar a casa dos tios rumo ao lar dos Weasley. Trata-se de uma verdadeira batalha aérea, com o espocar dos feitiços lançados em todos os cantos, que Yates tenta trazer, na medida do possível, para a realidade de Londres. A partir de então, lá vem história. E das grandes.
"Harry Potter e as Relíquias da Morte", o livro, é dos mais longos de toda a série. Há nele diversas referências, de forma a moldar uma conclusão onde o caminhar do herói e seus amigos ao longo dos seis livros anteriores realmente teve relevância. O filme mantém esta filosofia, o que exige que o espectador entre no cinema já conhecendo algo da série. Para compreender Relíquias da Morte - Parte 1 é preciso, pelo menos, ter assistido os filmes anteriores. Ou seja, este é um filme para não iniciados. O que não é ruim, muito pelo contrário. Se o filme, sem explicações didáticas, já tem 146 minutos, caso elas estivessem presentes sua duração aumentaria muito mais. Fora o prejuízo para a própria narrativa da história.
Narrativa esta que passa voando ao longo do filme, ainda mais se comparada com o livro. É verdade que não há omissões e os fatos são bem encadeados, mas são apresentados em tamanha velocidade que mal há tempo para refletir sobre o ocorrido. Isto também prejudica as atuações, já que os personagens estão, quase sempre, ou fugindo ou lutando. Há poucos momentos em que se exige algo mais dos atores, como na cena em que Daniel Radcliffe teve que compor diversas personalidades para seu personagem e a cena da briga entre Harry Potter e Rony Weasley.
Harry Potter e as Relíquias da Morte - Parte 1 é um bom filme, especialmente pelo cuidado tido em sua confecção. Há um capricho visível nos efeitos especiais e no lado visual, sempre realçando o lado sombrio pelo qual o momento da saga como um todo passa. Apesar disto, decepciona pelo que poderia vir a ser. Tivesse caído em mãos mais talentosas, que soubessem explorar melhor os momentos chave da história, o filme seria muito melhor.
De Roberto Cunha
Uma das coisas legais dos filmes de Harry Potter era não ser necessário ler os livros para encontrar entretenimento. Este fator, inclusive, deu às produções um toque especial por aproximar do universo de Hogwarts gente que não tinha lido ainda as bem traçadas linhas de J. K. Rowling, que fizeram tanto sucesso mundo afora. Contudo, e infelizmente, Harry Potter e as Relíquias da Morte - Parte 1, o penúltimo filme da série, não tem essa mesma capacidade. O que teria acontecido?
Sem esquecer que assistir um filme que continua no ano seguinte já é, por si só um pouco desanimador, essa "rachada" no meio quebrou o elo. Dirigido pelo mesmo David Yates (Harry Potter e o Enigma do Príncipe) essa primeira parte carece de vigor e ritmo. E por mais que os leitores das publicações discordem, o fato é que fez diferença, principalmente, para quem não leu. E se estamos falando de cinema...
Nesta história, Potter (Daniel Radclife) e a dupla Rony (Rupert Grint) e Hermione (Emma Watson) estão na busca das famigeradas Horcruxes para destrui-las e livrar o mundo das ambições do terrível Lorde Voldemort (Ralph Fiennes).
Deixando de lado a aventura fantástica e mergulhando mais no suspense, na investigação, faltou algo mais para envolver o espectador comum. Os fãs de carteirinha, por outro lado, vão adorar. Afinal, "cenas" do livro estão lá. Mas o tal suspense e o clima sombrio não é tão forte para quem não atravessou as centenas de páginas. Tudo bem que não dá para comparar com o "colorido" dos dois primeiros filmes, mas os seguintes já eram menos "iluminados". Portanto, não é mérito desta obra.
Um ponto importante é que se no filme anterior, o crescimento dos personagens/atores foi bem explorado no roteiro, tirando proveito da situação com humor. Neste, a graça que é feita é para inglês ver e nem Rony salvou as piadinhas rasas. Os conflitos pessoais continuam e os sentimentos estão à flor da pele. O jovem ruivo ainda se rasga de ciúmes da amiga, que denotando ainda uma divisão neste triângulo fraterno/amoroso, protagoniza novas cenas com Potter. Por sinal, o que uma delas tem de pura, a outra tem de caliente, mas com auxílio de computação gráfica.
Diferente dos outros longas da franquia, este concentra o foco nos três personagens principais com funções bem distintas: o herói, a durona e o divertido. As cenas de ação continuam eficientes como acontece nos combates com os capangas do mal, mas aos olhos não inebriados pela páginas da ficção, elas continuam soando meio bobinhas com essa coisa de varinha de condão e palavras em latim.
Entre a curiosidades, dá para notar perfeitamente que o roteiro previu algumas sequências para uma eventual conversão para o 3D, o que felizmente não aconteceu. Sobre possíveis referências, a dificuldade de se pegar uma espada especial, remete à eterna Excalibur, e um cervo luminoso na floresta faz lembrar do clássico Bambi.
Assim, para os iniciados este longa deve representar um alívio de ver muita coisa do livro transcrito para as telas. Por outro lado, para quem procura somente diversão, é um filme regular - quase - invadindo o bom. Ou seja, um típico caso de quando mais é menos.
Veja imagens, curiosidades e assista aos trailers em Harry Potter e as Relíquias da Morte - Parte 1.
De Joss Whedon
Com Robert Downey Jr., Chris Evans
Ação
De Jon Hurwitz, Hayden Schlossberg
Com Jason Biggs, Alyson Hannigan
Comédia
De David Foenkinos, Stéphane Foenkinos
Com Audrey Tautou, François Damiens
Romance
De Rupert Sanders
Com Kristen Stewart, Chris Hemsworth
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