O Cheiro do Ralo
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Fernando Schiavi Leite
Fernando Schiavi Leite

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  4 - Muito bom

Um bom filme de Heitor Dhalia. Mostra bem várias questões da sociedade, retrata bem o medo de se relacionar e de compromisso do personagem Lourenço levando-o crer inclusive que pode comprar as pessoas para ter o que quer sem ter que se envolver emocionalmente. Mostra também o controle que várias pessoas tendem a achar que possuem sobre as outras pessoas se aproveitando também de seus desesperos pessoais, sem contar que as situações nunca sairão de suas mãos. Mexe também com a questão de estereótipos e que nem tudo o que pensamos condiz com os atos, e que a cabeça das pessoas é imprevisível. O egocentrismo e egoísmo do personagem Lourenço é interpretado divinamente com o sarcasmo e frieza necessários por Selton Mello, em mais uma grande atuação. Mais um bom filme do cinema nacional, para quem gosta de algo mais independente e reflexivo é um prato cheio! Parabéns para Selton, para as boas coadjuvantes Silvia Lourenço e Paula Braun, para a direção de Heitor Dhalia, que consegue realizar mais um filme intimista, reflexivo, melancólico, mas também realista e refletor de nossa sociedade cruel, capitalista e que está em colapso nervoso há muito tempo!

Adicionado em 03 de out de 2011 às 21h20
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Marcos Josian
Marcos Josian

| Ler suas 55 críticas |

  3.5 - Bom

Esse filme mostra que no Brasil tem excelentes atores e diretores, Um filme mais que excelente uma verdadeira obra de Heitor Dhalia. E a Paula Braun que gata hein corpo magnifico. Eu recomendo.

Adicionado em 29 de jun de 2010 às 04h04
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Rafael Vespasiano
Rafael Vespasiano

| Ler suas 211 críticas |

  0.5: Horrível

O Cheiro do Ralo: “O Cheiro do Ralo”, Brasil, 2007, dirigido por Heitor Dhalia (do também ótimo “Nina”), roteiro do próprio, co-escrito com Marçal Aquino; esses dois primeiros longas de Dhalia mergulham, de forma referencial, no universo literário do escritor russo Dostoiévski, as influências deste autor no filme em tela, se dão, principalmente, em relação ao romance “Crime e Castigo”; “O Cheiro do Ralo”, portanto, tem várias caracterísitcas dos livros de Dostoiévski, a saber: análise da loucura humana, no caso, a da personagem Lourenço (vivida brilhantemente por Selton Mello), que demonstra falta de humanidade e de sentimentos, totalmente insensível ao que as outras pessoas sentem e/ou pensam, é o caso, quando ele acaba com o noivado com Ludmila, afirmando que não gosta dela e nunca gostou e, vai mais além, diz que nunca gostou e não de ninguém; aí está evidenciada sua mesquinhez, não material, mas afetiva mesmo (tema típico do universo literário de Dostoiévski); Lourenço é um usurário, que compra objetos de pessoas, que estão precisando urgentemente de dinheiro, a ponto de venderem objetos, aos quais elas têm grande apreço sentimental, mas Lourenço paga uma “miséria” por eles, evidenciando aqui outro tipo de mesquinhez, a mesquinhez material; ele é solitário e extremamente insociável (temas típicos mais uma vez das obras do referido escritor russo), Lourenço vive essa vida ordinária até se apaixonar por uma “bunda” de forma literal, pois nem grava o nome da moça “dona” dela e, inclusive, confude esta com outra garota, aqui tem-se o tema da loucura típico das obras literárias de Dostoiévski, a atriz que vive aquela personagem é Paula Braun, que é a nova garçonete da lanchonete, na qual Lourenço come; os produtores do filme fizeram questão de escalarem para esse papel, uma atriz desconhecida do grande público, para não evidenciarem a personagem em si, mas só o objeto de paixão de Lourenço, a “bunda” daquela; Lourenço é extremamente possessivo, obsessivo, materialista e individualista; filme de baixo orçamento, que ganhou vários prêmios internacionais e nacionais; as personagens que vão vender seus pertences, no escritório de Lourenço, não têm nomes, são apenas creditados ao final do filme , pelos nomes dos objetos que foram vender a Lourenço; o filme também faz várias referências a outros escritores, filmes e obras literárias; exemplos: “Acossado”, de Godard, “Os Implacáveis”, de Peckinpah, com Steve McQueen; um livro de Raymond Chandler, ao qual Lourenço está lendo, etc.; cuidadosa e detalhista direção de arte e cenografia do filme; o título do filme faz referência ao fedor exalado pelo ralo do banheiro do escritório de Lourenço, que o incomoda obsessivamente, contudo, esse mau-cheiro é uma metáfora para a “podridão humana”, que é Lourenço; outra obsessão deste é um “olho”, que ele compra e diz ter sido de seu pai, mais um traço de loucura da personagem; todo esse mau-caratismo do protagonista foi manifestando-se nele, devido (e isso é uma suposição/interpretação bastante pessoal) à ausência do seu pai, ao qual ele nunca conheceu, mas a quem Lourenço nutre um grande respeito e amor, talvez a única pessoa a quem ele ame; o que motiva os seus distúrbios mentais, pessoais e de relacionamentos; Paulo César Pereio faz a voz ao telefone, do pai da ex-noiva de Lourenço, Ludmila; ótimo filme! Um dos melhores do cinema nacional nos últimos anos! Selton Mello dá sua melhor interpretação desde “Lavoura Arcaica”.

Adicionado em 13 de out de 2009 às 16h15
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SERGIO LUIZ DOS SANTOS PRIOR
SERGIO LUIZ DOS SANTOS PRIOR

| Ler suas 293 críticas |

  2.5 - Regular

Selton Mello deu a alma por este filme: incorporou o seu personagem, Lourenço; não cobrou cachê pelo seu trabalho; ainda foi co-produtor. De certa maneira, Selton funciona no cinema como uma espécie de Robin Hood, arrecadando dinheiro nos seus trabalhos em novela e na propaganda para gastá-lo - e muito bem - na 7a arte. O roteiro foi baseado no livro homônimo de Lourenço Mutarelli, um escritor e cartunista, tem como protagonista um sujeito indiferente àqueles que o cercam. Só para se ter uma idéia, Lourenço fala para sua noiva às vésperas de seu casamento: "Eu não gosto de você. Nunca gostei. Não gosto de ninguém". O nosso anti-herói trabalha num galpão onde aqueles que estão desesperados por dinheiro vão negociar seus objetos. Instrumentos musicais, relógios, caixinhas de música, além de todo tipo de quinquilharia é negociada naquele espaço. A frieza de Lourenço nas negociações é calculada. A única situação que o deixa constrangido é o cheiro que vem do ralo do banheiro, situado a alguns metros da mesa onde trabalha. Nenhum dos visitantes faz menção ao cheiro. É o próprio Lourenço que se auto-denuncia. Melhor sentir um odor desagradável vindo do banheiro do que de sua própria personalidade. Não pensem, entretanto, que estamos diante de um filme pesado, daqueles de Ingmar Bergman. Muito pelo contrário, é hilário. A melhor parte é quando Lourenço se apaixona por uma bunda (no caso a da atriz Paula Braun), garçonete do boteco situado próximo ao seu local de trabalho. Quando a moça "da bunda" descobre que o desejo de Lourenço é por um específico local de sua anatomia lhe dá um sabão, falando que isso é imoral, etc. Outra obsessão de Lourenço é um olho de vidro que ele imagina ter sido de seu pai. Tudo nele funciona como uma metonímia: a bunda representa a mulher da bunda; o olho representa o pai. Graças a Deus o filme não cai num psicologismo fácil de querer investigar seu modus vivendi como tendo raízes na sua infância infeliz. Temos diante de nós um anti-Macunaíma globalizado, um ser mesquinho, que apesar de tudo consegue não ser odiado pelo público que o assiste. Brilhante!

Adicionado em 08 de jan de 2007 às 00h00
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Marcio
Marcio

| Ler suas 47 críticas |

  2 - Fraco

Assisti ao filme na 10 mostra de Tiradentes nesse ano. Realmente surpreendeu ao público pela inovação e pelo humor sarcástico da trama. Ótima atuação de Selton Mello e da atriz que faz o papel da drogada (sem mostrar que é).

Adicionado em 03 de jan de 2007 às 00h00
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