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5,0
Obra-prima
Medianeras: Buenos Aires na Era do Amor Virtual

DRAMÁTICO, ROMÂNTICO E DELICIOSO

por Roberto Cunha

Sabe aqueles filmes que começam meio estranho e de repente mudam, capturando sua atenção minuto a minuto e tornando-se uma agradável surpresa? Esse longa com título grande demais (no Brasil) é um belo exemplo. Medianeras (título original) são as laterais dos prédios, que viraram local de propaganda e já abrigaram murais de pintores. O tal restante inserido em terras brasileiras (Buenos Aires na Era do Amor Digital) deve-se a correlação que o texto faz entre a arquitetura, a modernidade, o crescimento desordenado de uma cidade (no caso, a capital argentina) e o que vem a reboque para seus habitantes. Achou meio maluco? É, mas pode apostar que no decorrer da história a peculiaridade das construções (como as medianeras) ganhará destaque e você vai até rir com elas.

Com dois atores em perfeita sintonia com o texto, Javier Drolas (O Mural) e a bela Pilar López de Ayala (Lope), a história mostra a depressão começando a bater na porta de Martin e Mariana, seus personagens. Ele faz sites, ela é vitrinista, um é debochado, a outra tem fobia de elevador e enquanto o primeiro curte Guerra nas Estrelas e Astro Boy, a segunda se diverte com "Onde Está Wally?". Eles são diferentes, pensam igual, não se conhecem, são vizinhos e, principalmente, solidários na dor da solidão. Entre encontros e desencontros, citações de Woody Allen (Manhattan) e Tim Burton (O Estranho Mundo de Jack), algumas passagens são memoráveis. Como alguns momentos da vida de Mariana "musicados" por um misterioso vizinho de parede, fera no piano, e que ela parece dominar com um inusitado "controle remoto". Só vendo para crer e se encantar.

Nascida de um curta de 2005, esta modesta coprodução dos "hermanos" é bem resolvida com roteiro equilibrado, escrito por Gustavo Taretto, que estreia (bem) na direção de um longa. Dotado de bom gosto com a câmera, algumas de suas sequências são únicas e encantadoras, seja dentro de uma vitrine, num simples take de um rosto apoiado numa mão artificial ou numa sensual “transa” com um manequim. E não faltarão cenas de causar estranhamento e delírios nos que curtem belas imagens. Quando fazem uso da intervenção gráfica na película, Taretto e sua equipe premiam o espectador com momentos de doce simplicidade e encantamento, conjugados com uma trilha sonora de primeira e edição inteligente. Além de um final extremamente inspirador, ornamentado com um gostoso sorriso, não saia antes dos créditos finais para poder curtir a dupla dublando "Ain't No Mountain High Enough" (Diana Ross & The Supremes & The Temptations). Assim, um dos méritos desta produção, sem dúvida alguma, foi não se deixar levar pela solução óbvia, costurando cada detalhe para virar um deliciosa comédia urbana, bucólica, dramática e romântica. Assim mesmo, cheia de adjetivos para combinar com o longo título.

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