Notas dos Filmes
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    Federal
    Críticas AdoroCinema
    2,3
    Regular
    Federal

    Ação de segunda

    por Lucas Salgado

    Lançado em 2007, Tropa de Elite trouxe inúmeros benefícios para a cinematografia nacional, sendo que o principal destes foi mostrar que se pode fazer cinema de ação no Brasil. O que muita gente não vê, no entanto, é que mesmo o cinema de ação precisa de um roteiro consistente e boas atuações para se firmar.

    Por essas e outras, um filme como Federal acaba sendo prejudicial para o cinema brasileiro. O diretor Erik de Castro tentou fazer um novo Tropa e acabou com um Segurança Nacional um pouquinho melhorado.

    É bem verdade que as filmagens de Federal aconteceram antes do lançamento do filme de José Padilha, mas não há como negar a influência de Tropa no corte final do longa.

    Quis o destino ainda que após quatro anos de produção, o longa chegasse aos cinemas ao lado de Tropa de Elite 2, o que expõe ainda mais as deficiências da produção.

    Chamar Federal de inconstante é um equívoco, uma vez que o filme é bem constante em seu desenvolvimento pobre e atuações capengas.

    Apesar de contar com algumas falas divertidas aqui ou acolá, o roteiro é absolutamente falho e não consegue traçar nenhuma linha de seguimento. O texto do filme ainda apresenta momentos de total desvario, como quando fala que o "Brasil está próximo de se tornar uma nova Colômbia". Nada na história justifica tal argumento.

    Ao passo que a trama vai se desvolvendo, o espectador tem a nítida impressão de que cada caso retratado no filme e cada núcleo visitado pelos personagens foi criado espaçadamente, sem se preocupar com o que aconteceu anteriormente. Quer falar de alcoolismo, corrupção, tráfico de drogas e de influência, e não se sai bem em nada disso.

    Tudo é artificial, a começar pelas interpretações de Carlos Alberto Riccelli, Michael Madsen e, especialmente, Eduardo Dussek, em uma performance constrangedora. O sempre competente Selton Mello também não se salvou com um personagem sem muito propósito.

    Os pontos fortes do filme ficam por conta da beleza da colombiana Carolina Gómez e de uma cena de assassinato em particular. Infelizmente, não posso dar detalhes sobre a melhor cena do longa pois estaria entregando a história, mas acredite, uma só cena não faz de Federal algo que mereça ser assistido.

    Em entrevista durante o lançamento da produção no Festival do Rio, o diretor Erik de Castro revelou que suas influências foram Operação França, Serpico e Os Intocáveis, o que só prova uma coisa: influências nada mais são do que influências.

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