Coisa Mais Linda - Histórias e Casos da Bossa Nova
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  2.5 - Regular

É muita pretensão minha falar sobre a relação entre a bossa nova e o jazz. Além de ser muito limitado musicalmente, eu não nasci naquela época e ainda sou praticamente um músico falido e frustrado. Mas, depois de ter assistido ao filme-documentário, "Coisa mais Linda" do felicíssimo diretor e roteirista, Paulo Thiago, pude notar algumas características até já superficialmente notadas para a tão discutida relação. Houve sim uma relação. Um romance, uma empatia e um respeito. Migraram-se acordes dos dois partidos, mas cada um com sua "mania", cada um com o seu swingue, com sua complexidade, com suas funções, com suas mensagens, com seus otimismos, suas crenças e seu público. O jazz e a bossa nova já foram importantes ícones da música no mundo. Ajudaram a desencadear diversos outros estilos, de etnias, povos, crenças, etc. No jazz houve a quebra de um sigilo musical, a irreverência, a valorização de uma etnia, a união e a dança. Na bossa nova, o otimismo, um estilo, uma juventude, uma escola e muitas revelações para a música no mundo, assim como o jazz. Assistindo ao filme, conheci gente que eu não conhecia. Ouvi música sem autor. Ouvi, concordei e me emocionei. Até data de óbito eu confirmei. Fico pensando como seria interessante naquela época o mundo ouvindo Beatles e Tom. Uma riqueza musical indiscutível. Com o passar do tempo sempre haverá a valorização do "antigamente". Mas, de uma coisa eu tenho certeza, eu sempre vou valorizar o jazz e a bossa nova, mas nunca a música de má qualidade e sem princípios artisticamente críticos.

Adicionado em 09 de jan de 2005 às 00h00
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SERGIO LUIZ DOS SANTOS PRIOR
SERGIO LUIZ DOS SANTOS PRIOR

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  2 - Fraco

"Coisa mais bonita é você, assim, justinho você, eu juro, eu não sei por que, você". A música de Carlos Lyra e a letra do poetinha Vinícius de Moraes (que gostava de chamar a todos no diminutivo, como é mostrado no filme) deu o título do documentário sobre o movimento musical mais fértil da história da MPB: a bossa nova. O samba encontrou os estudantes da classe média universitária carioca. Resultado: letras inteligentes, que fugiam das velhas dores de cotovelo e amores perdidos e um fraseado característico ao violão. Roberto Menescal e Carlos Lyra foram entrevistados e foram as vigas mestras deste documentário. Eles contam vários "causos", além de tocar e cantar várias músicas da bossa nova. O espectador fica sabendo que a música "O Barquinho", foi composta quando a embarcação em que a turminha da zona sul carioca enguiçou no meio do oceano atlântico. Algumas imagens resgatadas por Paulo Thiago e sua equipe são sublimes. Exemplo: Tom Jobim, o maior nome do movimento, ao piano e o igualmente grande Gerry Mulligan, saxofonista norte-americano, ensaiando no apartamento do último, em Nova Iorque. Gente talentosa que ainda está aí na praça, viva e forte, como o ótimo pianista Johnny Alf, a cantora Joyce, João Donato, Astrud Gilberto, entre outros, são entrevistados e dão uma palhinha. Também a visão da crítica é mostrada através de entrevistas com Artur da Távola, Tarik de Souza, Sergio Cabral e Nelson Motta (talvez o maior admirador do trabalho de João Gilberto na face da terra). Há alguns anos o jornalista Ruy Castro nos ofertou um livro denso sobre a bossa nova. Mas, sem dúvida, esta é a primeira incursão do cinema sobre o tema. Eu gostaria de ter vivido naquela época. Imagine você, caro leitor, entrar num bar e ver ao piano em meados dos anos 50 e ouvir Tom Jobim ao piano. Ou quem sabe, atravessar a rua, entrar num hotel e ouvir o Tamba Trio. Ou mesmo ir a um show na Faculdade de Arquitetura e ver todas as feras juntas? Sinto saudades de uma época em que não vivi, mas que certamente é melhor do que a vivemos nestes anos de PT no poder político e do narcotráfico com o poder policial. Ao contrário do que reza a letra: NÃO CHEGA DE SAUDADES.

Adicionado em 06 de jan de 2005 às 00h00
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