SERGIO LUIZ DOS SANTOS PRIOR
|
Ler suas 293 críticas
|
2 - Fraco
"MEU TIO MATOU UM CARA", do gaúcho Jorge Furtado, pode ser encontrado na videolocadora de sua preferência. Aqueles que gostam de criticar o cinema nacional antes mesmo de ver os filmes, irão se desapontar com este "MEU TIO...". O roteirista e diretor Jorge Furtado tem um grande mérito: entender a juventude de classe média dos grandes centros urbanos brasileiros (no caso, da cidade de Porto Alegre), e o que é mais importante, agrada os espectadores de todas as faixas etárias, pela sua leveza. Isso não significa que o filme seja dedicado a portadores de retardo mental. Muito pelo contrário. Já na abertura vê-se a utilização de imagens de videogame para ilustrar a grande dúvida de quem é o assassino. O personagem central da trama é Duca (Darlan Cunha), um jovem de 15 anos, cujo tio, Éder (Lázaro Ramos) invade apreensivamente seu apartamento e afirma que matou um cara. Na verdade, o que menos importa ao longo dos quase 90 minutos de filme, é o aspecto policial. O fundamental é a reflexão sobre o mundo adolescente de Duca, que é apaixonado por Isa (Sophia Reis), que por sua vez, gosta de Kid (Renan Gioelli). Eis o velho triângulo amoroso. Ao tentar reconhecer o assassino, Duca se aproxima de Isa, sua amiga há 15 anos e colega de escola. Duca vai "desmascarando" o mundo adulto, ou seja, do tio Éder, um indivíduo que já havia enveredado pelo mundo dos negócios, criando um aparelho capaz de limpar piscinas e um restaurante de comida japonesa informatizado, etc. O tio, leia-se o adulto, é superficial, as vezes, beirando a estupidez. O tio Éder se apaixonou pela bela e mal-casada Soraya (Déborah Secco), que é o que os homens chamam de "chave de cadeia". O único a se iludir com Soraya é o "tio" Éder. A trilha sonora é muito boa, contando com músicas de Nando Reis, Nei Lisboa (um ídolo para a juventude gaúcha, principalmente), Rappin´ Hood e de Caetano Veloso. Eis um filme em que a juventude não é tratada como autênticos beócios, pensada por um cineasta que demonstra entender do assunto que aborda. Um exemplo tácito de cinema popular com qualidade.
Adicionado em 03 de fev de 2005 às 00h00
Denunciar um abuso