Henrique Miura (e-mail),
errado
Leitor do Adoro Cinema - Nota 8:
"Injustiçado
é uma palavra que combina bem com este novo trabalho do "mestre
do terror" John Carpenter. Apanhou feio da crítica norte-americana
e afundou nas bilheterias. Porém, na França o filme virou um cult
aclamado e em Portugal o filme esteve constantemente presente nas listas de
melhores de 2001. Aqui no Brasil acredito que o filme não fará
o gosto do público, porém quem busca um pouco de inteligência
no cinema irá se divertir com uma história fantástica de
terror, que só mesmo Carpenter consegue proporcionar.
Depois de Marte ser explorado de
maneira ridícula por Brian de Palma no péssimo "Missão:
Marte" e por Antony Hoffman no errôneo "Planeta Vermelho",
enfim o planeta mais próximo da Terra teve um filme de ótima qualidade
e que usasse com inteligência a premissa. Aqui o ano é 2176, Marte
já está sendo colonizada por humanos e já tem até
mesmo uma cidade formada. O filme começa com Melanie Ballard (Natasha
Henstridge) retornando sozinha em um trem.
Ela é convocada para prestar
um depoimento para contar o que aconteceu com sua equipe toda, que parece ter
ficado para trás. Então em flashbacks somos apresentados a toda
a aventura vivida por ela e sua equipe. A equipe havia sido mandada para resgatar
Williams (Ice Cube), um ladrão assassino que iria para julgamento. Chegando
lá nem tudo acontece como o esperado e a cidade parece totalmente desolada.
Em busca de alguma explicação para os fatos, a equipe se separa
para achar respostas. Contudo, o que encontram são seres humanos possuídos
por algum tipo de espírito.
Logo as respostas aparecem de maneira
inteligente e alguns membros da equipe vão sendo eliminados e alguns
humanos "normais" vão sendo encontrados. Agora eles lutam para
sobreviver e bandidos e policia terão que se juntar para acabar com esse
mal, que parece ser indestrutível. John Carpenter (autor do roteiro também)
dá um show ao contar a história com lentidão (talvez esse
seja o motivo da má aceitação do filme). Não existe
correria descerebrada, é tudo muito bem calmo e explicativo. Mas conforme
o filme vai crescendo, a ação entra e é difícil
não perder o fôlego com as cenas fantásticas rodadas por
Carpenter.
A história por alguns momentos
parece um pouco confusa também, principalmente por, às vezes,
fugir da ordem cronológica e regressar em alguns fatos, mostrando o que
aconteceu com alguns personagens, como alguns apareceram e mais algumas coisas.
É aí que toda a inteligência do roteiro é utilizada.
As cenas conforme se juntam vão fazendo cada vez mais sentido e a história
chega em seu clímax pegando fogo. Até lá o filme já
conquistou o espectador por não ser apressado e por contar a história
com calma e sem afobação.
A produção é
muito caprichada. O filme nem foi muito caro, porém a produção
foi feita de maneira irretocável. Os efeitos especiais são bem
utilizados; os figurinos são bem legais, a direção de arte
é um charme, a fotografia é plausível. Agora, a trilha
sonora composta pelo John Carpenter é maravilhosa. Saí da sessão
querendo comprar a trilha sonora. Um som pesado de altíssima qualidade
e com Riff's esmagadores. Com aquelas imagens fabulosas e aquele som destruidor,
não tem como não gostar do filme.
"Fantasmas de Marte" é
o melhor trabalho do John Carpenter nos últimos anos que passaram. Entrei
no cinema sem esperar muito e o filme me surpreendeu por sua criatividade, pela
excelente direção de Carpenter e por finalmente Hollywood acertar
ao explorar Marte. John Carpenter é hoje um dos poucos diretores a conseguir
fazer um bom terror de verdade, aquele que assuste, que empolgue, que faça
o espectador ficar inquieto na poltrona. "Fantasmas de Marte" é
um filme de ficção misturado com ação que empolga
e traz um elenco bem à vontade, tirando até boas atuações
de Natasha Henstridge e Ice Cube. Simplificando: um filmaço."