Fale com Ela

Fale com Ela 2010-05-22 Francisco

Título original: (Hable con Ella)

Lançamento: 2002 (Espanha)

Direção: Pedro Almodóvar

Atores: Javier Cámara, Darío Grandinetti, Rosario Flores, Leonor Watling.

Duração: 116 min

Gênero: Drama

Status: Arquivado

5           10 23 5

(23 votos)

                   

Sinopse

Em Madri vive Benigno Martin (Javier Cámara), um enfermeiro cujo apartamento fica diante de uma academia de balé, comandada por Katerina Bilova (Geraldine Chaplin). Ele fica freqüentemente na janela da sua casa, vendo com especial atenção uma das estudantes de Katerina, Alicia Roncero (Leonor Watling), por quem está apaixonado. Benigno chega ao ponto de marcar uma consulta com o pai dela, uma psiquiatra que tem um consultório na própria casa, só para ter uma chance de falar com Alicia, mas agora só consegue lhe dar um susto. Antes, porém, Benigno entrou no quarto dela e olhou o recinto com admiração, tendo roubado um prendedor de cabelos dela. Quando Alicia é ferida em um acidente de carro, que a deixa em um coma, é internada no hospital onde Benigno trabalha. Ele passa a cuidar dela, mas a atenção que dispensa com Alicia é totalmente acima do normal. Além disto Benigno fala com ela o tempo todo, movido por um misto de fé e amor, pois crê que de alguma forma ela possa ouvir. Após quatro anos, o quadro dela está inalterado e a dedicação que Benigno sente por ela também. Marco Zuluaga (Darío Grandinetti), um jornalista, é designado para entrevistar Lydia Gonzalez (Rosario Flores), uma conhecida toureira que teve o nome nos tablóides ao ter um tempestuoso romance com "El Nino de Valência" , um toureiro. Inicialmente ela foi ríspida, mas após ele ter matado uma cobra que estava na casa dela se tornou mais amável. Logo os dois iniciam uma relação, que estava destinada a ser curta, pois Lydia é atingida por um touro e considerada clinicamente morta. Por coincidência ela é internada no mesmo hospital onde está Alicia e logo Benigno e Marco ficam amigos, pois no início Marco nem conseguia tocar em Lydia, mas recebeu de Benigno um simples conselho: fale com ela.

 

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Elenco

  • Javier Cámara (Benigno Martin)
  • Darío Grandinetti (Marco Zulonga)
  • Rosario Flores (Lydia Gonzalez)
  • Leonor Watling (Alicia Roncero)
  • Geraldine Chaplin (Katerina Bilova)
  • Mariola Fuentes (Rosa)
  • Fele Martínez (Alfredo)
  • Paz Vega (Amparo)
  • Chus Lampreave (Concierge)

Comentários

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Elsden em 03/01/2012

O PRIMEIRO FILME DO PEDRO ALMODÓVAR QUE VI FOI "A PELA QUE HABITO", QUE ACHEI FANTÁSTICO POR SINAL. AGORA ACABEI DE VER "FALE COM ELA", QUE TEM UMA HISTÓRIA INCRÍVEL, QUE MEXE COM A GENTE, MAS POR QUE ASSIM COMO A PELE QUE HABITO, O FILME SÓ FICA BOM NO FINAL? "FALE COM ELA" PODERIA SER MUITO MELHOR SE NÃO TIVESSE TANTA ENROLAÇÃO NOS PPRIMEIROS 50 MINUTOS DE FILME. MAS ADOREI, GOSTO DE FILME ASSIM, COM UM FINAL SURPREENDENTE E QUE MEXA COMIGO. AGORA ASSISTIREI "TUDO SOBRE MINHA MÃE" E VER SE ESSE ALMODÓVAR É BOM MESMO...rs

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Igor Durden em 06/10/2011Nota: 10     

Um filme meio que perfeito!!
Uma obra do Almodovár!

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Mostarda sem Katshup em 06/05/2011Nota: 10     

Final Triste mas belo !

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Marcelo em 03/03/2011Nota: 10     

Um filme super inteligente... o interessante é a intensidade da personagem principal, que mesmo em coma, nos prende a atenção. Genial, o melhor de Almodóvar.

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Valdeci C de Souza em 09/07/2010Nota: 5     

No filme Fale com Ela de Pedro Almodóvar, não existem explosões, tiroteios ou perseguições alucinadas nas ruas de uma grande cidade. Efeito especial de última geração também não tem. Não é uma comédia ou um filme de ação. Terror também não é. Sangue somente o suficiente para dramatizar uma pequena cena. Não vale a pena ver este filme se tudo que foi dito até aqui é o que você procura num filme para assistir com a família comendo pipoca e tomando aquele copo gigante de Coca-Cola e depois dar uma volta para olhar as vitrines do shopping Center. Mas se você já está cansado de assistir sempre os mesmos filmes de bandidos e mocinhos ou aqueles arrassa-quarteirões-hollywoodianos-de-milhões-de-dólares, então corra a vídeo locadora mais próxima (de preferência a minha, claro) e alugue este filme. Prepare-se para a emoção e as lágrimas que certamente virão. E a trilha sonora? Bem, isto é uma agradável surpresa e prepare-se para a mais pura emoção. Deixe rolar os créditos até o final e depois durma se for capaz!
O filme inicia com uma cortina vermelha que vai subindo lentamente. O que vemos, como espectadores de um teatro, são atores a representar uma peça. Duas mulheres que “dançam” ou estão perdidas soltas no mundo – mudas e de olhos fechados – (como sonâmbulas) e um homem também mudo e solitário que afasta cadeiras para que elas não se machuquem. Aqui Almodóvar já diz ao que veio. De uma singela representação de mulheres perdidas e carentes de cuidados e um homem (este também perdido e carente) a protegê-las dos perigos. Seu coração já dispara prevendo o que virá e a dúvida do que nos será narrado no decorrer da história. Impossível não se emocionar e a primeira lágrima vem. O personagem, que da platéia assiste ao espetáculo, também deixa escorrer a sua.
Os dois homens que assistem a este espetáculo voltam a se encontrar novamente em outra situação. O primeiro é o enfermeiro Benigno (aqui o nome condiciona destino como veremos mais adiante) que cuida, de forma zelosa e carinhosa , uma mulher chamada Alicia em coma num hospital. O outro é o Jornalista e escritor Marco que também está com sua amante Lydia em coma no mesmo hospital. Quatro pessoas. Quatro destinos que se entrelaçam e se cruzam de forma irremediável e que vai fazer toda a diferença na vida destas pessoas. A primeira mulher é uma bailarina que sofreu um acidente. A amante de marco, uma toureira profissional que, abandonada pelo marido, deixa-se vencer pelo bravio touro num gravíssimo acidente. Marco (Dario Grandinetti), diferentemente de Benigno (Javier Câmera), não consegue “tocar” ou “conversar” com sua amada ficando no hospital mais como companhia de si mesmo e ignorando esta mulher que acredita nada saber ou sentir. Assim como a maioria dos homens que não compreendem as mulheres: Almodóvar dá aqui uma aula e responde a velha indagação Freudiana de não compreender as mulheres. Na boca de Benigno ele responde: “a mulher precisa ser tocada, mimada, acariciada … ouvir seus segredos….Fale com ela”.
Uma história paralela ocorre: Um filme mudo em preto e branco onde um homem minúsculo percorre o corpo nu de uma mulher. Escalando seus seios…Caminhando por sua barriga e, ao descer nos pelos pubianos encontra-se frente a frente com uma enorme vagina que o engole por completo. Qual a intenção de Almodóvar nesta cena antropofágica? A mulher que se alimenta do conhecimento masculino para melhor dominá-lo e escravizá-lo aos seus cuidados e afetos ou quem sabe seja a simbologia representativa do homem que procura entender a fundo (bem no fundo) a alma feminina para assim ter um grande poder de dominação sobre as mulheres. Almodóvar não responde. Mas fica evidente que o filme, diferente dos seus outros trabalhos, não é feminista, mas antes de tudo, um filme de homens. Seus conflitos, seus problemas, suas aflições e carências. E a falta que faz o diálogo entre homens e mulheres. Entre seres que deveriam viver em harmonia. Só o amor salvará a ambos. Homens e mulheres. Mulheres e Homens a ordem dos fatores não importa. Não é uma questão de poder, mas antes de tudo de amor, compreensão, diálogo e aceitação das limitações de cada um. Fale com ela, diz Pedro Almodóvar. Fale com ele me atreveria complementar.
Benigno toma uma atitude drástica e consegue tirar sua amada Alicia do coma (benigno – ou o mal que às vezes nos faz repensar e a ter outra atitude perante a vida). Mas apesar de ter corrido todos os riscos não toma conhecimento do seu sucesso (a vida é dura e injusta às vezes!). Marco – não correndo risco algum, apático e indiferente, perde sua amada Lydia (Rosário Flores). Amar é correr todos os riscos mostra-nos Almodóvar.
No teatro tudo recomeça novamente. Uma nova história vai ser contada. No palco bailarinos surgem como uma onda a predizer que a vida segue seu rumo. Na Platéia Marco e Alicia (Leonor Watling) trocam olhares significativos. O destino, implacável, tecerá suas teias, tramas e armadilhas e outra história deverá ser contada. Mais Almodóvar não diz. Mas tudo segue seu curso e na vida nada é fácil. Amar não é fácil. Compreender e aceitar o outro não é fácil. É preciso amar. Só o amor é a única salvação e o caminho a ser trilhado por homens e mulheres. Respeitando e aceitando as suas diferenças.
Ouvir Caetano Veloso cantando de forma brilhante Cucurrucucu Paloma e uma palhinha de Elis Regina interpretando Por Toda Minha Vida foi algo de emocionar e não chorar foi impossível. O personagem Marco diz no filme: “este Caetano é de arrepiar”. Eu diria: Caetano, Elis e Almodóvar juntos são de arrepiar muito mais!

meu blog: http://maisde140caracteres.wordpress.com

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Rafael Vespasiano em 14/11/2009Nota: 5     

Fale com Ela:


O melhor filme de Almodóvar, genial, emocionante e com alto teor de sensibilidade impressa na história e nas personagens, inclusive, na direção impecável de Pedro Almodóvar, trilha sonora maravilhosa, interpretada por Caetano Veloso, que leva uma das personagens às lágrimas, tamanha a emotividade da canção, que foi interpretada por Caetano no Oscar, até hoje, eu não entendo como "Fale com Ela" não foi indicado ao Oscar, pelo menos de filme estrangeiro, merecia até o Oscar de melhor filme, quem sabe? Pelo menos, justiça foi feita à Almodóvar e ele recebeu o Oscar de melhor roteiro; realmente uma história sensível e comovente, a abertura do filme que é m arcada pela encenação de um espetáculo teatral leva às lágrimas Marco (Dario Grandinetti) e esta reação é percebida pelo sensível enfermeiro, Benigno (Javier Cámara, genial atuação!), estão apresentadas duas das personagens principais do filme, depois numa tourada (paixão dos espanhóis), a namorada de Marco, Lydia (Rosario Flores), uma toureira profissional, é ferida por um touro e levada ao hospital, em coma, onde trabalha Benigno, os dois se reencontram, e começam uma amizade muito forte e verdadeira, Benigno nutre um amor platônico por uma interna do hospital que também está em coma, Alicia (Leonor Watling), é belíssimo quando Benigno diz para Marco "Fale com Ela (Lydia)", que ela te escuta; genial e belíssimo filme de Almodóvar!


 


Nota: 10.

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Rafael Vespasiano em 14/11/2009Nota: 5     

 



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Fale com Ela:


O melhor filme de Almodóvar, genial, emocionante e com alto teor de sensibilidade impressa na história e nas personagens, inclusive, na direção impecável de Pedro Almodóvar, trilha sonora maravilhosa, interpretada por Caetano Veloso, que leva uma das personagens às lágrimas, tamanha a emotividade da canção, que foi interpretada por Caetano no Oscar, até hoje, eu não entendo como "Fale com Ela" não foi indicado ao Oscar, pelo menos de filme estrangeiro, merecia até o Oscar de melhor filme, quem sabe? Pelo menos, justiça foi feita à Almodóvar e ele recebeu o Oscar de melhor roteiro; realmente uma história sensível e comovente, a abertura do filme que é m arcada pela encenação de um espetáculo teatral leva às lágrimas Marco (Dario Grandinetti) e esta reação é percebida pelo sensível enfermeiro, Benigno (Javier Cámara, genial atuação!), estão apresentadas duas das personagens principais do filme, depois numa tourada (paixão dos espanhóis), a namorada de Marco, Lydia (Rosario Flores), uma toureira profissional, é ferida por um touro e levada ao hospital, em coma, onde trabalha Benigno, os dois se reencontram, e começam uma amizade muito forte e verdadeira, Benigno nutre um amor platônico por uma interna do hospital que também está em coma, Alicia (Leonor Watling), é belíssimo quando Benigno diz para Marco "Fale com Ela (Lydia)", que ela te escuta; genial e belíssimo filme de Almodóvar!


 


Nota: 10.

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Becken Lima em 10/01/2002Nota: 5     

Pedro Almodóvar, o último dos humanistas Para alguns, o amor como o conhecemos há muito acabou. Acredita-se que não há mais espaço para o amor em um mundo regido pela técnica, pela velocidade e pela procura incessante da perfeição e eficiência que caracterizam a sociedade moderna. Gasto, usado e abusado pelos jargões da publicidade e da indústria do entretenimento, o amor em seu contexto mais simples é hoje uma fantasia barata em que suas formas de representação e apreciação já parecem escassas e até incompreensíveis para toda essa nova geração. A busca de uma nova delicadeza do encontro, de uma nova definição e representação do amor baseada sobretudo na palavra, eis a missão da arte, eis a missão a que se dispõe esse grande artista que é Pedro Almodóvar. Em “Fale com ela”, seu novo filme, ele explora o encontro casual em um hospital de dois homens, Marco, um jornalista, e Benigno, enfermeiro. Emerge desse encontro uma tocante amizade, pois, é no estado de coma das mulheres que amam que encontram os seus pontos comuns e o suporte recíproco à dor que os faz partilhar o sentimento reconfortante de uma bela e verdadeira amizade. Em seus dois filmes anteriores, “Tudo sobre minha Mãe e Carne trêmula”, já havia implícito o esboço de uma nova casta familiar. Já a perspectiva temática de “Fale com ela”, resvala nessa nova família, mas alarga-se em outra direção, ao amor como anseio de completude individual. Traz, assim, um respiro para esse Amor sufocado entre a produção e o egoísmo e, ainda mais, para um novo tipo de amor que surge das cinzas de um século que, de tão absoluto em suas definições e acontecimentos, ainda não nos deixou. “Hable con ella” é uma anunciação. Anuncia que esse novo amor não renasce como uma esperança dos escombros da falida família nuclear, definitivamente constituída no século vinte. Esse novo amor surge como o resultado das novas conquistas e formas de liberdade. Surge das práticas sexuais que vêm à superfície, ao senso comum do grande público, partindo de dentro das consciências e direitos sociais conquistados pelas minorias, principalmente homossexuais. Pedro Almodóvar retrata sua confusa contemporaneidade, cheia de multiplicidades, de matizes, de entrelaçamentos filmando essa nova família, o gênese desses novos costumes, novos sentimentos, delicadezas e códigos sociais que afloram. Para reforçar esse aspecto múltiplo, não oferece ao primeiro lance de vista qualquer obviedade. Se há Benigno, aparentemente efeminado e homossexual, todavia apaixonado beirando a obsessão pela bela Alice, há também Marco que, hétero e másculo, é capaz de chorar ternamente pela fugaz lembrança de um amor perdido. Se Marco é sensível e delicado, Lydia, a mulher por quem se apaixona, é toureira, dura, forte, quase masculina em suas resoluções. Dessa forma, Almodóvar manipula delicada e sutilmente o jogo de aparências. Inverte, subverte e distorce o sentido óbvio da psicologia de seus personagens. Não há nesse filme os tons de cores berrantes, característicos de seus filmes anteriores. Opta pela sobriedade e neutralidade fotográfica, cedendo espaço para que seu fime seja interpretado por nossos outros sentidos, como com Caetano cantando “Cucurucucu” e ainda melhor: com Elis Regina interpretando Tom Jobim ao fundo de uma trágica e brutal cena de tourada. Descompassa os significados do ritmo que as imagens nos transmite, impondo, pertubadoramente, a beleza da canção à ferocidade da batalha entre a mulher e o touro. Além dessa inversão na construção psicológica dos personagens e do seu domínio narrativo e estético, Almodóvar propõe à sua platéia um jogo: libertar-se dos clichês, do senso comum, da estética e da beleza plastificada hollywoodianos. Pede para que seu público arrisque sobre tudo que vê um novo olhar, uma nova forma de entender e refletir sobre as vidas e os fatos que se desenrolam em seu filme e o que refletem da nossa vida real e cotidiana. Nesse sentido, principalmente do muito que reflete Benigno, talvez poucos tenham percebido essa tal contradição: a de que os homossexuais venham salvar o Amor do supermercado, da solidão, do individualismo, do culto ao personalismo e ao sucesso a todo custo que veio no pacote cultural americano. Poucos hoje arrogam-se com todos os seus direitos na construção de uma família, mesmo que nos moldes antigos, como os homossexuais. Almodóvar é abertamente homossexual, porém não busca um cinema engajado, limitado a tribos, nichos ou guetos sociais. Demonstra com isso maturidade artística e o resultado é o alargamento do sentido do humano em seu filme. Tem uma clara e objetiva opção pela matéria espiritual comum da qual nós todos somos feitos, abolindo qualquer e completa definição absoluta ou maniqueísta sobre a natureza de cada um. Com “Fale com ela” Almodóvar assina o passaporte e ganha a passagem de além Cineasta, assumindo a chancela de artista universal."

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Francisco Russo em 02/01/2002Nota: 3.5     

É bom, tem o humor sensual que já é comum nos filmes de Almodóvar e uma boa história. No meio do filme há um curta-metragem antigo, muito bem inserido na trama, e aqui Almodóvar volta sua atenção ao universo masculino, ao contrário de seus filmes anteriores, quando sempre explorava muito mais o universo feminino. Trata-se de um bom filme, mas inferior a "Tudo sobre minha mãe" e "Carne trêmula"."

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Wesley de Castro em 07/01/2002Nota: 5     

Fale com Ela (Hable con Ella) Espanha, 2002. Direção : Pedro Almodóvar Tela neutra, o pano sobe. Duas mulheres, ambas com os olhos fechados, se debatem num cômodo repleto de cadeiras, violentamente derrubadas por um zeloso assistente. Na platéia, dois homens: um escritor e um enfermeiro. O primeiro chora. O segundo descreve as minúcias do espetáculo para sua amada em coma. Tem início, então, uma obra de Almodóvar. Abordando mais uma vez a permissibilidade dos amores obsessivos, o “amadurecido” diretor espanhol centraliza sua acurácia psicológica nos comportamentos masculinos e (aparentemente) heterossexuais. Contando com a participação de excelentes atores (marca registrada do cinema de Almodóvar), os personagens atingem um patamar inigualável de transcendência interpretativa: não são mais personagens, são pessoas. Conforme acredita Benigno, as comatosas realmente se expressam ,com argúcia tão ou mais pungente que a dos seres humanos com atividade encefálica normal , podendo inclusive serem estes últimos os legítimos “desligados da realidade” (vide a relutância inicial com que Marco e a enfermeira Rosa se portam diante dos milagres e da Fé). Nesse sentido, merece destaque a supremacia da seqüência em que Caetano Veloso aparece cantando. Ainda que aparentemente vinculada a uma noção de oportunismo distributivo, tal seqüência desempenha uma função bastante sintética neste filme: no início, a câmera acompanha um jovem nadando em uma piscina. Ele sorri, já com a cabeça fora d’água (até então, só ouvimos os acordes da canção). Na cena seguinte, o público do concerto é mostrado, at ravés de um travelling horizontal para a esquerda. Vemos Marco chorando e, mais tarde, contar à sua amada Lydia detalhes de uma relação amorosa anterior. Frase que resume a síndrome evocativa de Marco: “esse Caetano me arrepia!”. Além de chamar a atenção pelo seu caráter sintético e evocativo, esta seqüência evidencia outro aspecto superior do filme: a extrema preocupação com o trabalho dos figurantes. Apesar de desempenharem tarefas aparentemente banais, os figurantes desta obra cinematográfica possuem vida própria. Seja a loira da platéia que lembra (fisicamente) Cecilia Roth, sejam os dois amigos (ou amantes) que se abraçam no aeroporto, seja o jovem que toca a mesma campainha duas vezes e, não obtendo resposta, vai embora como se nada tivesse acontecido. Em outras palavras: neste filme, todos os pequenos detalhes são literalmente importantes. Desde o surpreendente jogo de reflexos na cena em que Marco visita Benigno na prisão até as emocionantes participações de Geraldine Chaplin e Chus Lampreave. A primeira está sensacional como uma protecionista professora de balé, enquanto a segunda se encarrega de pronunciar críticas hilárias ao comportamento dos espectadores diante das manipulações exercid as pelos veículos da mídia/cultura de massa: reclama que a TV está cheia de programas ruins e sensacionalistas, entretanto lamenta que nenhum dos responsáveis por estes programas tenha vindo entrevistá-la. Aproveitando a linha reflexiva, pode-se perceber um tom igualmente socio-crítico nas conversas de Marco com a recepcionista da prisão, no programa de entrevistas em que Lydia participa no começo do filme e na maneira interesseira e/ou preconceituosa com que alguns personagens se referem à sexualidade indefinida de Benigno. Levando em consideração todos estes aspectos, não é exagero afirmar que Almodóvar concebeu mais uma obra-prima: o divertidíssimo meta-filme “O Amante que Encolheu” (igualmente evocativo) proporciona o mais belo, próximo e (in)autêntico close vaginal de toda a história (subjetiva) do cinema; as coreografias fugidias de Pina Bausch redefinem o conceito de perfeição corporal; o “amor psicopático”, através da dedicação inquestionável de Benigno, é aqui definitivamente associado ao teor fortemente sinonímico das palavras FIDELIDADE e VERDADE; e o (re)encontro final de Marco e Alicia, separados por uma cadeira vazia e interligados por um título apaziguador, se revela como uma poderosa demonstração do potencial transformador do otimismo. Apesar do título do filme sugerir uma idéia de prolixidade, é quase inevitável que o espectador saia da projeção cinematográfica completamente em silêncio. De imediato, fogem as palavras que possam descrever claramente a sensação única de se as sistir a/ viver este filme . Por outro lado, no interior do córtex cerebral ativo, ecoarão pungentemente os acordes sublimes da música de Alberto Iglesias, colaborador fiel do diretor em seus quatro trabalhos mais recentes. “Nada é tão fácil assim!”, diz a professora de balé. De fato. A visão de vários casais dançando em frente a um fundo verde só nos ajuda a concordar. Wesley Pereira de Castro."

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