Henrique Miura (e-mail),
Leitor do Adoro Cinema - Nota 10:
"Fortíssimo
filme sobre dor, miséria e liberdade. Acompanhamos através das
lentes de Alan Parker a trajetória cruel vivida por um jovem preso na
Turquia por carregar drogas. As cenas são chocantes, profundas e gélidas.
Alan Parker faz uma fita brutal e cheia de contundência sobre a prisão
turca, o resultado é tão cruel e crítico que Parker passou
a ser odiado na Turquia. A fita é opressiva e sufocante, do mesmo jeito
que o personagem fica enjaulado e sem formas de se movimentar o espectador se
sente da mesma maneira e se sente vulnerável. Não é um
filme fácil e confortável de se ver. É preciso ver o filme
com uma certa frieza, pois as cenas são de difícil compreensão
e se não entrar no clima e ser uma testemunha do que acontece na prisão
dificilmente gostará do filme.
Billy Hayes (Brad Davis) é
um jovem rapaz de boa família e de situação financeira
confortável. Ele e sua namorada estão na Turquia e estão
retornando ao país natal. Billy tem um plano idiota: levar para os EUA
uma droga chamada haxixe, a qual ele conseguiu com um taxista. Para conseguir
passar pela guarda local com 2 Kg do produto amarra em seu peito a droga. O
plano acaba falhando e Billy acaba indo para a prisão. O local é
praticamente um ninho de rato. Sujo, imundo e mal tratado. Em seu julgamento
Billy pega a pena leve, levando-se em conta o crime cometido. A partir dali,
ele passa a se comportar e a fazer amizades no local.
Porém, essa pena que ele recebe
errado
acaba sendo anulada e ele vai para um novo julgamento. Ele perde a cabeça
e pega uma punição muito pesada. Agora de menino comportado ele
passa a bolar planos para fugir do local junto com mais dois prisioneiros. Mas
o caminho não é fácil, pois qualquer erro e a punição
é severa. E ainda um dos prisioneiros é infiel com os outros e
nem se importa em acabar com o plano deles. Billy terá que ser forte
para manter a sanidade, que parece que seus amigos estão perdendo.
Alan Parker conduz o filme com extrema
maestria e ousadia. A cada cena uma nova emoção, um novo ângulo,
uma nova mensagem, uma nova imagem. Um trabalho de personalidade. Parker realça
bem a angústia, a ânsia, vontade e a sensação do
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personagem. Isso ainda é brilhantemente passado ao espectador também
pela ótima revelação da época, o ator Brad Davis,
que transmite todos os sentimentos do personagem com extrema sensibilidade e
com grande empenho. Este promissor ator viria a morrer anos depois, de Aids.
A elaboração do roteiro também é muito competente.
Oliver Stone se baseou no livro de Billy Hayes e William Hoffer para compor
o enredo do filme. O personagem enfrenta a prepotência dos guardas locais,
errado
a falta de luz na vida, a solidão, entre muitas outras coisas, chegando
ao desfecho duvidoso.
"O Expresso
da Meia-Noite" ressalta a falta de humanismo, de justiça e de comoção
na prisão. O personagem errou, assumiu o erro e cumpriu a pena dada,
porém a falta de justiça o condenou novamente e fez com que sua
vida fosse por água abaixo. Ele teve que lutar por uma liberdade, cuja
a qual ele já tinha por direito. Na vida todo mundo erra (pelo menos
eu acho), alguns erros são facilmente contornados, outros tem conseqüências
mais drásticas. O personagem aqui sofre por seu erro e ainda pelo erro
dos outros. Alan Parker faz um trabalho excelente, mais uma vez dando total
valor à liberdade."