André Lux, Leitor do Adoro Cinema - Nota
10:
"Spielberg
bem que tentou, mas não foi dessa vez que conseguiu arruinar sua obra-prima:
"E.T." continua imbatível! Mesmo nessa versão "turbinada"
que inclui cenas inéditas, novos efeitos especiais (desnecessários)
e a ridícula "remoção" de todas as armas de fogo
das mãos dos agentes do governo dos EUA (para deixá-lo mais "politicamente
correto").
É vendo um filme como esse
que percebemos de imediato a decadência do atual cinema comercial estadunidense
e, por tabela, do próprio diretor Steven Spielberg. Realizado em meados
de 1980, "E.T." é um conto de fadas assumido que não
tem pudor nem mesmo em escancarar suas fontes de inspiração -
principalmente "Peter Pan" e ficções científicas
como "Flash Gordon" e "Star Wars".
Os maiores méritos do filme,
entretanto, vêm da trilha sonora maravilhosa do maestro John Williams
errado
e da perfeita manipulação do boneco (criado por Carlo Rambaldi,
de "ALIEN"), que literalmente dão vida ao alienígena
bondoso que é abandonado na Terra por engano e acaba fazendo amizade
com um garoto suburbano (interpretado com grande espontaneidade por Henry Thomas).
É interessante também
notar o quanto a mensagem de paz, amizade e tolerância que transmite está
mais atual do que nunca, ainda mais nesse mundo violento e cínico em
que vivemos hoje - o que explica os comentários execráveis que
andam escrevendo levianamente por aí.
Ainda mais se levarmos em conta o
quanto o Spielberg de hoje deixou-se levar pela ladainha "politicamente
correta", que entorpece a mente da população dos EUA e dilui
100% dos seus novos filmes (o pior deles sendo o intragével "A.I.",
que no fundo poderia ter sido batizado de "E.T. ENCONTRA PINÓQUIO
NA TERRA DO NUNCA").
Digam o que quiserem os PIMBAS (Pseudo-Intelectuais
Metidos A Besta) e outros chatos de plantão, mas "E.T." é
puro entretenimento feito com baixo orçamento e grande paixão
e criatividade. Impossível não se emocionar, principalmente na
longa seqüência final editada como se fosse uma "ópera",
na qual a trilha sonora de Williams toma conta e não larga mais até
a conclusão singela e realmente tocante."